
A insistência de uma trégua uniu Santa Sé e ONU. Foto © Depositphotos
O Papa Francisco voltou a insistir numa “trégua pascal” na guerra da Ucrânia, que se iniciou há dois meses, lamentando o aumento da violência. “Renovo o apelo a uma trégua pascal, sinal mínimo e tangível de uma vontade de paz. Que se pare o ataque, para ir ao encontro dos sofrimentos das populações esgotadas”, disse, desde a janela do apartamento pontifício, após a oração pascal do ‘Regina Coeli’, num apelo que, pelos relatos que chegam do terreno, não foi acolhido pelas tropas russas.
No dia em que as Igrejas Orientais, católicas e ortodoxas, bem como algumas comunidades latinas, celebram a Páscoa segundo o antigo calendário juliano, uma semana depois da celebração no calendário gregoriano, o Papa renovou este apelo, que já tinha deixado durante o Domingo de Ramos e que foi entretanto secundado por António Guterres, secretário-geral das Nações Unidas. “A Santa Sé e o Santo Padre unem-se ao apelo que António Guterres, secretário-geral da ONU, de acordo com sua beatitude Sviatoslav Shevchuk, chefe da Igreja Greco-Católica Ucraniana, lançou a 19 de abril, para uma trégua por ocasião da celebração da Páscoa segundo o calendário juliano, no dia 24 de abril”, indicava uma nota oficial, divulgada pelo Vaticano a 21 de abril.
“Cristo ressuscitou, ressuscitou verdadeiramente. Que seja Ele a encher de esperança os bons desejos do coração, que seja Ele a dar a paz, ultrajada pela barbárie da guerra”, declarou o Papa perante milhares de peregrinos na Praça de S. Pedro.
O Papa lamentou que as armas “estejam a tomar, cada vez mais, o lugar da palavra”. “Que se pare, obedecendo às palavras do ressuscitado, que no dia da Páscoa repete aos seus discípulos: a paz esteja convosco, a paz esteja convosco”, insistiu.
Francisco dirigiu-se aos responsáveis políticos, pedindo que “ouçam a voz das pessoas, que querem a paz, não uma escalada do conflito”. “A todos, peço que aumentem a oração pela paz, tendo a coragem de dizer, de manifestar que a paz é possível”, acrescentou.
Muito atento à realidade de todo o mundo, o Papa não deixou de falar ainda da peregrinação nacional dos católicos nos Camarões, para consagrar o país à Virgem Maria e colocá-lo sob a sua proteção, pedindo a paz no país, “que há mais de cinco anos é dilacerado pela violência, em várias regiões”. “Que Deus conceda, quanto antes, uma paz verdadeira e duradoura a este amado país”, concluiu.










