O Papa lançou, na oração do Angelus deste domingo, um apelo à paz na República Democrática do Congo (RDC), alertando para a “grave crise humanitária” que forçou milhares de pessoas a fugir para o vizinho Burundi. “O nosso compromisso com a unidade [dos Cristãos] deve ser acompanhado de forma coerente com o compromisso com a paz e a justiça no mundo”, afirmou Leão XIV, desde a janela do apartamento apostólico, citado pela Ecclesia.
Perante os peregrinos reunidos na Praça de São Pedro, o Papa recordou as “grandes dificuldades que sofre a população” da RDC, vítima da violência armada. “Rezemos para que entre as partes em conflito prevaleça sempre o diálogo pela reconciliação e pela paz”, pediu Leão XIV.
A intervenção papal surge poucos dias após os alertas lançados por missionários no terreno, que descrevem a situação como uma calamidade. O padre xaveriano Mario Pulcini, residente no Burundi, denunciou ao portal ‘Vatican News’ que mais de 200 mil pessoas atravessaram a fronteira, fugindo dos combates na província de Kivu Norte e na zona de Uvira, controlada por rebeldes.
Segundo os relatos recolhidos pela Igreja local, os campos de acolhimento em Ruyigi e Rumonge enfrentam um cenário de “inferno”, onde falta água e comida, tendo a cólera provocado já dezenas de mortes.
Também na senda internacional, o Cardeal Pietro Parolin afirmou no passado sábado a sua “preocupação” com o cenário internacional, nomeadamente as situações da Gronelândia e do Irão. “Não se podem utilizar soluções de força. Resolver controvérsias e fazer valer as próprias posições exclusivamente com a força, além de não ser aceitável, aproximará cada vez mais de uma guerra dentro da política internacional”, advertiu o cardeal Pietro Parolin, em declarações aos jornalistas, em Roma.
À margem de uma celebração eucarística na igreja da Domus Mariae, o responsável pela diplomacia da Santa Sé defendeu o “valor do multilateralismo” face às tensões na Gronelândia, lamentando o enfraquecimento do espírito de cooperação que caracterizou o pós-guerra, citado pela Ecclesia.
Sobre a situação no Irão, o cardeal Parolin não escondeu a sua consternação, classificando os acontecimentos como uma “tragédia infinita” e questionando diretamente a atuação das autoridades. “Pergunto-me como é possível atacar o próprio povo, que tenha havido tantas mortes”, declarou, apelando a uma solução pacífica.
O colaborador do Papa abordou ainda a crise na Venezuela, assumindo que a Santa Sé tentou mediar um entendimento para evitar a violência, sem sucesso imediato. “Tentámos encontrar uma solução que evitasse qualquer derramamento de sangue, talvez chegando a um acordo com Maduro e com outros representantes do regime, mas isso não foi possível”, referiu, em declarações divulgadas pelo portal ‘Vatican News’.
O cardeal Pietro Parolin manifestou o desejo de que a atual incerteza dê lugar à estabilidade, permitindo a “recuperação económica” e a “democratização do país”.










