Audiência no Vaticano

Papa manifestou apreço pela experiência de diálogo entre marxistas e cristãos

| 10 Jan 2024

‘Francisco exortou os membros do grupo a terem “coragem para romper com os modelos canónicos” o que significa “abrir-se, no diálogo, a novos caminhos” e recusar “abordagens rígidas que dividem” ‘ Foto: Papa com a delegação do Grupo DIALOP. © Vatican Media

 

O facto de a audiência se ter realizado “é, em si mesmo, um sinal público do apreço do Papa por esta experiência de diálogo”, considerou José Manuel Pureza em declarações ao 7MARGENS após a audiência que Francisco concedeu na manhã de dia 10 de janeiro a representantes do Projeto de Diálogo Transversal Dialop, uma iniciativa que convida marxistas e cristãos a trabalhar por uma ética comum.

“Esta experiência de diálogo é uma experiência difícil, mas muito frutuosa, centrada na obtenção de plataformas de entendimento em vista a uma ação favorável aos mais pobres e mais desfavorecidos” e foi isso mesmo que Francisco transmitiu ao grupo ao enfatizar que devemos “pensar e agir de uma maneira criativa, não cuidando dos cânones, mas pondo todas as energias na criação de formas de ação favorável aos mais pobres”.

O dirigente do Bloco de Esquerda sublinhou ainda a “grande informalidade” com que o grupo foi recebido, tendo “Francisco mantido uma interlocução muita ativa, crítica e cheia de humor com cada um dos presentes”. O Papa ouviu “as sugestões e ideias que cada um lhe transmitiu”, intervindo e interagindo com “uma vivacidade surpreendente para um homem da sua idade”. “Os direitos das mulheres na Igreja, a questão dos refugiados, a luta pela paz, e a ecologia, foram algumas das preocupações levadas a Francisco pelos membros do grupo”, referiu o católico José Manuel Pureza.

A audiência teve lugar na véspera da conferência de três dias sobre “Ecologia integral – Para uma transformação social e ecológica” que o Projeto de Diálogo Transversal Dialop, grupo de diálogo entre marxistas e cristãos, promove em Roma e em que intervém o cardeal José Tolentino Mendonça. [ver 7MARGENS]. O Papa Francisco recebeu, na Sala Paulo VI, antes da Audiência Geral, 15 membros – sete de esquerda e oito católicos de diversos países europeus – do projeto e, segundo a agência Vatican News partilhou com eles a sua dor por um mundo que hoje parece “dividido por guerras e polarizações” e lembrou como, ao longo dos séculos, “foram os grandes sonhos de liberdade e igualdade, de dignidade e fraternidade, reflexo do sonho de Deus, que produziram progressos e avanços”.

Francisco exortou os membros do grupo a terem “coragem para romper com os modelos canónicos” o que significa “abrir-se, no diálogo, a novos caminhos” e recusar “abordagens rígidas que dividem”, procurando “o confronto e a escuta com o coração aberto, sem excluir ninguém, nos níveis político, social e religioso, para que a contribuição de cada um possa, na sua peculiaridade concreta, ser positivamente aceites nos processos de mudança com os quais o nosso futuro está comprometido.

“Combater o flagelo da corrupção, dos abusos de poder e da ilegalidade”, foi outro das prioridades evocadas pelo Papa que expressou a sua gratidão pela “coragem” do grupo em trabalhar “por um mundo mais justo e pacífico” e a quem recomendou que “o Evangelho de Jesus Cristo possa sempre inspirar e iluminar as vossas pesquisas e ações”.

Durante a audiência, o grupo Dialop apresentou ao Papa os resultados do trabalho dos últimos dez anos, realizado também com o apoio do Dicastério para a Cultura e Educação Católica. “Para além das fronteiras religiosas e ideológicas, cristãos e marxistas, bem como pessoas de boa vontade reconhecem hoje que”, lê-se no comunicado divulgado pelo Projeto, “estão unidos no seu compromisso com o fim dos conflitos armados no mundo e com a segurança dos direitos humanos.

 

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