Entre 3 e 6 de novembro

Papa no Bahrein em busca da cooperação inter-religiosa

| 2 Nov 2022

cartaz de boas vindas na igreja do sagrado coração, em manama, bahraein Foto Vatican Media

Cartaz de boas-vindas na igreja do Sagrado Coração, em Manama, capital do Bahrein. Foto © Vatican Media.

 

O Papa Francisco chega esta quinta-feira, dia 3, ao pequeno arquipélago do Bahrein, no Golfo Pérsico, a fim de participar no “Fórum para o Diálogo: Oriente e Ocidente para a Coexistência Humana”, a convite do rei daquele país muçulmano e da pequena comunidade católica local.

A visita, que se prolonga até domingo, dia 6, coincide com a realização, naquele território, do encontro do Conselho Muçulmano de Anciãos, uma organização representativa dos líderes religiosos muçulmanos comprometidos com o diálogo e o respeito pelas religiões. Coincide igualmente com um encontro ecuménico que junta numerosos representantes de diferentes países.

O cardeal Pietro Parolin, secretário de Estado do Vaticano, vê esta viagem papal no mesmo espírito da que levou Francisco a Abu Dhabi, em 2019, e que se traduziu na assinatura do documento “A fraternidade humana em prol da paz mundial e da convivência comum”, em conjunto com o Grande Imã Ahmad Al-Tayyeb, e que o levou já a Marrocos, ao Iraque, aos Emiratos Árabes Unidos, ao Egito, ao Azerbaijão e, no início de outubro último, ao Cazaquistão.

Essa linha de continuidade, frisa o cardeal Parolin em entrevista ao Vatican News, “é simplesmente para dizer que entre Deus e o ódio, entre religião e violência, existe uma incompatibilidade absoluta, existe uma impossibilidade de qualquer contato e de qualquer conciliação, porque quem aceita o ódio e a violência distorce a própria natureza da religião”.

Numa entrevista ao mesmo site, Paul Hinder, Administrador Apostólico do Bahrein, reconhece que Francisco está a aproveitar a relação especial que tem com Ahmad Al-Tayyeb para continuar o diálogo com o mundo muçulmano. “Obviamente, ele não vai querer limitar-se a uma parte do mundo muçulmano e provavelmente também terá a oportunidade de aprofundar as relações, não apenas com os sunitas, mas também com os xiitas ou com outras tendências”, diz. O que para ele é claro é que o Papa pretende “melhorar as relações entre as religiões e encontrar uma base para a ação comum sobre as grandes questões da humanidade, que são a paz, a justiça, o clima e muitas outras coisas, incluindo, é claro, os direitos humanos”.

 

Esperança de que o Papa aborde os direitos humanos

cardeal pietro parolin entrevistado pelo Vatican News, Foto Vatican Media

O cardeal Pietro Parolin, secretário de Estado do Vaticano, vê esta viagem papal no mesmo espírito da que levou Francisco a Abu Dhabi, em 2019. Foto © Vatican Media.

 

A sistemática violação dos direitos humanos constitui um ponto crítico no Bahrein e de vários lados chegaram apelos para que o Papa não esqueça este assunto durante a visita. Parolin aborda este tema com diplomacia, observando que estes valores se encontram consagrados na Constituição do país e que, “como sempre”, Francisco “faz-se intérprete das profundas expectativas de tantas pessoas que não veem respeitados os seus direitos fundamentais”.

O Administrador Apostólico vai um pouco mais longe: “Penso que o Papa, com discrição, também falará sobre esta situação. Ele está ciente disso. É claro que coisas como esta provavelmente não terão a publicidade que algumas pessoas esperam. Mas do que conheço do Papa, ele não vai ficar calado e talvez não fale em público sobre tais assuntos que tanto têm indisposto os inimigos do atual Papa, ficou em evidência a afirmação de que o nome de Deus em caso algum pode ser usado para justificar a violência e a guerra. E este ponto, juntamente com o convite ao diálogo e à convivência em sociedades cada vez mais multiétnicas, multiculturais e multirreligiosas, tornam relevante mais esta deslocação do Papa, de acordo com o cardeal Parolin.

 

A comunidade católica no Bahrein

Neste pequeno Reino que se estende ao longo de um arquipélado de cerca de três dezenas de ilhas a umas dezenas de quilómetros da costa leste da Arábia Saudita, a esmagadora maioria da população é muçulmana. Os cristãos representam 10 por cento dos crentes e os católicos andam entre 80 e 100 mil pessoas. Grande parte dos seguidores de religiões que não a maioritária são diplomatas, empresários e trabalhadores permanentes ou temporários vindos de outros países e continentes.

Segundo o administrador apostólico, os católicos são oriundos especialmente da África, América, Índia, Filipinas e outros países, especialmente países vizinhos como o Líbano, a Jordânia e o Iraque. Por isso há comunidades de rito latino, siro-malabar, siro-malankar, maronita, sírio, etc., o que, no dizer do hierarca, “dá um aspeto particular à Igreja local”. 

Apesar de o islão ser a religião oficial e de estar em vigor a sharia (lei islâmica), as comunidades religiosas gozam de liberdade. Ao contrário de outros países muçulmanos, há vários lugares de culto das diferentes confissões no país. A Igreja Católica tem duas paróquias, administra uma escola e, além do culto, dedica-se a obras sociais.

O programa de Francisco inclui, além de uma oração ecuménica e de encontros com o Conselho de Anciãos Muçulmanos e com o imã Al-Tayeb, a missa no Estádio Nacional de Bahrein e o encontro com os jovens na Escola do Sagrado Coração.

Além da capital, Manama, Francisco viajará até à cidade de Avali, onde, há cerca de um ano, foi consagrada a Catedral de Nossa Senhora da Arábia, que tem a particularidade de ter nos alicerces uma pedra da Porta Santa da Basílica de São Pedro, que foi doada pelo próprio Papa Francisco.

 

Marcas dos portugueses no reino

forte do barem, foto Together We Watch's Images

Forte de Barém, um monumento perto da capital do Bahrein com influência portuguesa e que está hoje classificado com património da humanidade. Foto © We Watch’s Images.

 

O Bahrein é uma monarquia constitucional que se tornou independente do Reino Unido em 1971. Com uma área de 780 quilómetros quadrados, tem uma população de perto de 1,5 milhões de pessoas. Hoje, o poder económico do reino vem sobretudo da exploração do petróleo, descoberto em 1932.

A título de informação e curiosidade, o Bahrein possui, perto da capital, um monumento com influência portuguesa e que está hoje classificado com património da humanidade: o forte de Barém (aportuguesamento de Bahrein).

Já existia como forte desde muito antes. As armadas portuguesas cedo se aperceberam do valor estratégico e económico da ilha principal do sultanato e conquistaram-na em 1521, tendo sido expulsos cerca de 80 anos depois. Durante esse tempo reconstruiram o forte, sob a orientação de um arquiteto de Óbidos que deixou a sua marca em vários outros empreendimentos de Portugal e Brasil.

A ilha, famosa pelas suas pérolas, ficou registada por Camões, no canto X de Os Lusíadas, como “(…) a ilha Barém, que o fundo ornado / Tem das suas perlas ricas, e imitantes / À cor da Aurora”.

Uma descrição sucinta do Bahrein pode ser consultada no site e-Cultura, do Centro Nacional de Cultura.

 

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