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papa francisco com representantes de incígenas do canadá, foto vatican media abril 2022

Continuar caminho de "reconciliação"

Papa no Canadá para uma “peregrinação espiritual”

| 17/07/2022

papa francisco com representantes de incígenas do canadá, foto vatican media abril 2022

Papa vai agora devolver a cortesia da visita feita pelos grupos indígenas este ano ao Vaticano. Foto ©Vatican Media

 

No final da oração do Angelus deste domingo (17/07), o Papa Francisco recordou que, no próximo domingo (24/07), terá início a sua 38ª viagem apostólica que o levará ao Canadá, de 24 a 30 de julho. Francisco visitará as cidades de Edmonton, Maskwacis, Québec e Iqaluit, naquilo que hoje, no Angelus, chamou de “uma peregrinação espiritual” que possa “contribuir para o caminho de cura e reconciliação já empreendido”.

Vão ser vários encontros com povos indígenas, incluindo ex-alunos das escolas residenciais e os fiéis que participam da sugestiva peregrinação ao Lago de Santa Ana. A Sala de Imprensa do Vaticano divulgou o programa oficial no final do mês de junho, e mostra uma agenda cheia de compromissos, com muitos espaços entre eles para permitir ao Pontífice momentos de descanso, na qual estão previstas visitas a Edmonton, Maskwacis, Quebec, Iqaluit, traduzidos em quatro discursos, quatro homilias, e uma saudação.

Francisco sai de Roma às 9 horas da manhã do dia 24, com destino a Edmonton. O Papa chegará lá após uma viagem de cerca de treze horas, desembarcando às 11h20 (horário canadense) no Aeroporto Internacional, onde será realizada a receção oficial. A viagem papal entrará em pleno andamento no dia seguinte, segunda-feira 25 de julho, com uma paragem em Maskwacis, uma comunidade no centro de Alberta. Neste lugar, cerca de 70 km ao sul de Edmonton, Francisco encontrar-se-á pela manhã com os povos indígenas das Primeiras Nações, Métis e Inuit, uma representação dos quais foi recebida no Vaticano há uns meses, e onde o Papa fará o seu primeiro discurso da viagem. À tarde, vai estar com outros povos indígenas e membros da comunidade paroquial na Igreja do Sagrado Coração, em Edmonton.

No dia seguinte, dia 26, festa dos Santos Joaquim e Ana, pais de Nossa Senhora, o Papa Francisco celebrará a Missa pela manhã no “Estádio Commonwealth” em Edmonton. Às 17h desse dia, um dos eventos mais significativos de toda a viagem: a participação do Bispo de Roma no “Lac Ste. Anne Pilgrimage”, ou seja, a peregrinação anual em homenagem a Santa Ana às margens do pitoresco Lago em Alberta, cerca de 72 quilómetros a oeste de Edmonton. Trata-se de um dos encontros espirituais mais populares na América do Norte, e ainda hoje atrai cerca de 40.000 peregrinos e está particularmente próxima do coração dos povos das Primeiras Nações que participam fielmente todos os anos. O Papa presidirá a Liturgia da Palavra e proferirá uma homilia para a ocasião.

No terceiro dia da viagem, 27 de julho, Francisco irá ao Quebeque, onde chegará na parte da tarde. Na residência do Governador Geral, a chamada “Citadelle de Québec”, será realizada a cerimónia de boas-vindas, seguida de uma visita de cortesia à Governadora Mary Simon e, em seguida, um encontro com o Primeiro Ministro François Legault e as autoridades civis, acompanhados pelo corpo diplomático e representantes dos povos indígenas.

Ainda no Quebeque, Francisco celebrará a missa na manhã de 28 de julho no Santuário Nacional de Sainte Anne de Beaupré, um lugar de culto, cujas origens remontam ao século XVII e que atrai até um milhão de fiéis todos os anos. Este será um dia de descanso, e o Papa tem apenas Vésperas na Catedral de Notre Dame com bispos, sacerdotes, diáconos, seminaristas e agentes da pastoral.

A manhã do último dia, 29 de julho, será aberta com um encontro privado com os membros da Companhia de Jesus, no Arcebispado de Quebec, e mais tarde com uma delegação de indígenas presentes na cidade francófona.

De tarde, parte a última paragem, Iqaluit. Construída como uma base aérea americana, há séculos é utilizada pela comunidade Inuíte como um local de pesca. De fato, seu nome significa “lugar de muitos peixes”. Francisco irá a uma escola de ensino fundamental local para se encontrar com um grupo de alunos das ex-Escolas residenciais. As Escolas foram criadas pelo governo canadense entre o final do século XIX e as últimas décadas do século XX para assimilar culturalmente as crianças indígenas. Confiadas às Igrejas cristãs locais, incluindo a Igreja Católica, nestas instituições geralmente subfinanciadas, as crianças sofreram com frequência abusos e maus-tratos físicos e psicológicos. Algumas dessas vítimas tinham vindo a Roma no encontro mencionada acima no final de março e contaram suas histórias ao Papa. Na audiência com os nativos e bispos canadenses em 1° de junho tinha pedido publicamente perdão. Depois deste encontro, o Papa Francisco irá para o Aeroporto de Iqaluit, onde será realizada a cerimônia de despedida. Às 18h45 ele partirá para Roma, onde desembarcará no dia seguinte, 30 de julho, às 7h50, horário da Itália.

“Infelizmente, no Canadá, muitos cristãos, incluindo alguns membros de institutos religiosos, contribuíram para as políticas de assimilação cultural que, no passado, prejudicaram gravemente, de várias maneiras, as comunidades nativas. Por essa razão, recebi recentemente no Vaticano alguns grupos, representantes dos povos indígenas, aos quais manifestei a minha tristeza e a minha solidariedade pelo mal que sofreram. Agora estou a preparar-me para fazer uma peregrinação penitencial, que espero, com a graça de Deus, possa contribuir para o caminho de cura e reconciliação já empreendido. Agradeço-lhes desde agora por todo o trabalho de preparação e pelo acolhimento que me reservarão. Obrigado a todos! E peço-lhes que me acompanhem com a oração”.

 

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