
“Precisamos de fazer uma transição para um modelo de desenvolvimento sustentável que reduza as emissões de gases com efeito de estufa para a atmosfera, estabelecendo o objetivo da neutralidade climática”, apela o Papa. E o Vaticano vai dar o exemplo. Foto: Direitos reservados
Uma central agrovoltaica que garanta a totalidade das necessidades energéticas do Estado do Vaticano irá nascer nos arredores de Roma, a pedido do Papa Francisco na sua nova carta apostólica, Irmão Sol, que a Sala de Imprensa da Santa Sé divulgou esta quarta-feira, 26 de junho.
“Precisamos de fazer uma transição para um modelo de desenvolvimento sustentável que reduza as emissões de gases com efeito de estufa para a atmosfera, estabelecendo o objetivo da neutralidade climática. A humanidade dispõe dos meios tecnológicos necessários para enfrentar esta transformação ambiental e as suas perniciosas consequências éticas, sociais, económicas e políticas e, entre estas, a energia solar desempenha um papel fundamental”, escreve Francisco na carta.
O Papa delega, em seguida, ao Presidente do Governatorato do Estado da Cidade do Vaticano e ao Presidente da Administração do Património da Sé Apostólica “a tarefa de construir uma central agrovoltaica localizada na área extraterritorial de Santa Maria di Galeria [cerca de 30 quilómetros a norte do Vaticano, onde se encontram as antenas emissoras da rádio pontifícia] que garanta não só o fornecimento elétrico da estação de rádio ali existente, mas também o sustento energético completo do Estado da Cidade do Vaticano”.
A criação de uma central agrovoltaica consiste na instalação de painéis fotovoltaicos sobre terras agrícolas ou de pastagem, o que permite a geração de eletricidade renovável, ao mesmo tempo que se sustenta e apoia a produção agrícola local.
Na carta, o Papa recorda que, já na encíclica Laudato si’, publicada em 2015, havia convidado toda a humanidade “a tomar consciência da necessidade de mudar os seus estilos de vida, produção e consumo, a fim de combater o aquecimento global que tem, entre as suas principais causas, o uso generalizado de combustíveis fósseis”.
Cinco anos depois, na High Level Virtual Climate Ambition Summit 2020, Francisco assumiu o compromisso de “reduzir a zero” as emissões líquidas de CO2, na Cidade do Vaticano, antes de 2050, e de “promover a educação para a ecologia integral”.
Já em novembro do ano passado, o governo do Estado da Cidade do Vaticano anunciou a implementação de um programa de desenvolvimento de mobilidade sustentável, que visava “substituir gradualmente os automóveis do Estado por veículos elétricos, a fim de tornar a frota automóvel neutra em termos de carbono até 2030”.
Um mês antes, era publicada a exortação apostólica Laudate Deum, alertando para a premência do combate à crise climática. O texto foi então descrito como “o grito de um Papa que não desiste de todos convocar para impedir a destruição da “’elação saudável e harmoniosa’ na ‘interação humana com o meio ambiente’. Com esta nova carta Irmão Sol, Francisco dá mais uma prova de que está, de forma muito concreta, a fazer a sua parte. E que continua a ter esperança de que muitos sigam o seu exemplo.










