É necessária “uma ação coordenada e concertada” que envolva “a política, as instituições, as empresas, as finanças, a educação, a comunicação, os cidadãos e as comunidades religiosas” para construir um futuro em que se “aproveite o potencial da inteligência artificial”, mas de forma a “promover o bem comum”. O apelo foi feito pelo Papa Leão XIV nesta sexta-feira, 5 de dezembro, aos participantes da Conferência “Inteligência Artificial e Cuidado com a Nossa Casa Comum”, organizada pela Fundação Centesimus Annus Pro Pontifice e pela Aliança Estratégica das Universidades Católicas de Investigação (SACRU).
Para o Papa, esse objetivo deve sobrepor-se “a qualquer interesse partidário ou lucro, cada vez mais concentrado nas mãos de poucos”, e atingi-lo implica “restaurar e fortalecer a confiança na capacidade humana de orientar o desenvolvimento dessas tecnologias”.
“Os seres humanos são chamados a ser colaboradores no processo de criação, e não meros consumidores passivos de conteúdo gerado por tecnologia artificial”, alertou Leão XIV, recordando que “a nossa dignidade reside na capacidade de refletir, escolher livremente, amar incondicionalmente e estabelecer relações autênticas com os outros”.
Reconhecendo que a inteligência artificial “abriu novos horizontes para a criatividade” o Pontífice assinalou que, ao mesmo tempo, ela “suscita sérias preocupações quanto às suas possíveis repercussões na abertura da humanidade à verdade e à beleza, bem como na sua capacidade de admiração e contemplação”.
E pediu que se reflita “com especial atenção sobre a liberdade e a vida interior das nossas crianças e jovens, e o possível impacto da tecnologia no seu desenvolvimento intelectual e neurológico”.

O Papa Leão saúda a portuguesa Isabel Capeloa Gil, reitora da Universidade Católica Portuguesa, que se encontrava entre os participantes. Foto © Vatican Media
“As novas gerações devem ser auxiliadas, e não impedidas, no seu caminho rumo à maturidade e à responsabilidade. O bem-estar da sociedade depende da capacidade delas de desenvolver os seus talentos e responder às exigências da época e às necessidades dos outros, com generosidade e liberdade de pensamento”, sublinhou o Papa, alertando que “a capacidade de aceder a vastas quantidades de dados e informações não deve ser confundida com a capacidade de extrair significado e valor deles”.
E concluiu: “Será, portanto, essencial ensinar os jovens a usar essas ferramentas com a sua própria inteligência, garantindo que se abram à busca da verdade, a uma vida espiritual e fraterna, ampliando os seus sonhos e os horizontes da sua tomada de decisões”. Em suma, disse Leão XIV, “apoiamos o seu desejo de serem diferentes e melhores, porque nunca antes ficou tão claro que é necessária uma profunda mudança de rumo na nossa concepção de amadurecimento”.
Nesse percurso, o Pontífice destacou a responsabilidade e contribuição “realmente preciosa” da investigação conduzida pela parceria entre a Fundação Centesimus Annus Pro Pontifice e a SACRU, esta última presidida pela portuguesa Isabel Capeloa Gil, reitora da Universidade Católica Portuguesa, que se encontrava entre os participantes.










