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Patriarca Cirilo nas Vésperas da Páscoa na Catedral de Cristo Salvador

Páscoa Ortodoxa

Papa pede ao Patriarca Cirilo que intervenha pela paz na Ucrânia

| 25/04/2022

Patriarca Cirilo nas Vésperas da Páscoa na Catedral de Cristo Salvador

Patriarca Cirilo nas Vésperas da Páscoa na Catedral de Cristo Salvador. Foto © Oleg Varov | O Serviço de Imprensa do Patriarca de Moscovo e de Toda a Rússia

 

O Papa Francisco escreveu uma mensagem de Páscoa ao Patriarca ortodoxo de Moscovo, Cirilo, pedindo que este intervenha pela paz, de modo a ajudar a travar a guerra na Ucrânia. A carta foi divulgada pelo Vaticano nesta segunda-feira, 25, quatro dias depois de o próprio Papa ter dito, numa entrevista ao jornal argentino La Nación, que a preparação do encontro com Cirilo, que poderia acontecer em Junho, em Jerusalém, foi para já suspensa.

“Querido irmão! Que o Espírito Santo possa transformar os nossos corações e tornar-nos verdadeiros artífices da paz, especialmente para a Ucrânia devastada pela guerra”, escreve Francisco na mensagem que escreveu ao Patriarca russo.

Na véspera, Francisco pedira, pela terceira vez de forma explícita, uma “trégua pascal” na guerra iniciada a 24 de Fevereiro, precisamente no dia em que se assinalavam dois meses sobre o início da invasão. Na mesma data, os cristãos russos e ucranianos (ortodoxos e greco-católicos) celebravam a Páscoa, em virtude de seguirem o calendário juliano e não o gregoriano.

“Que a grande passagem pascal da morte para uma nova vida em Cristo possa tornar-se uma realidade para o povo ucraniano, que anseia por um novo amanhecer que ponha um fim às trevas da guerra”, afirma o Papa na mensagem, citada pela Ecclesia. “Sentimos todo o peso do sofrimento da nossa família humana, esmagada pela violência, pela guerra e por tantas injustiças”, escreve o Papa, acrescentando: “Vamos continuar com o coração agradecido ao Senhor que tomou sobre si todo o mal e toda a dor de nosso mundo.”

A morte de Cristo, que os cristãos acabaram de assinalar, marca “o início de uma nova vida e de libertação dos laços do pecado e uma ocasião para nossa alegria pascal, abrindo a todos a passagem do caminho da sombra das trevas para a luz do Reino de Deus”. Por isso, Francisco convida os responsáveis cristãos a rezar uns pelos outros “para dar testemunho fiável da mensagem evangélica de Cristo ressuscitado e da Igreja como sacramento universal de salvação”.

 

As saudações de Putin

A carta, que Francisco também enviou a outros patriarcas das Igrejas Orientais, foi publicada no site do Patriarcado de Moscovo, na rubrica “Publicações”, com data de 24 de Abril. O texto do Papa aparece apenas nas versões russa e ucraniana do site, sendo omitida em inglês, grego e romeno, as outras línguas da página oficial. E é publicada a par de outras mensagens, incluindo as saudações do Presidente russo ao Patriarca, por um lado, e a todos os cristãos, também por ocasião da celebração da Páscoa.

Na mensagem dirigida ao Patriarca, Putin escreve: “Durante estas celebrações pascais os corações dos fiéis estão cheios de alegria particular, de amor sincero pelo próximo, de desejo de fazer boas acções, de ajuda aos necessitados.” E acrescenta: “É gratificante perceber que sob a sua presidência a Igreja desenvolve uma interacção frutuosa com o Estado, dá uma enorme contribuição para a promoção dos valores espirituais, morais e familiares tradicionais na sociedade, para a educação da geração mais jovem. Neste momento difícil, está a ter o cuidado de reforçar o acordo e a compreensão mútua entre as pessoas.”

O próprio Cirilo escrevera também uma mensagem de Páscoa, como o 7MARGENS noticiou. Mas nela apenas se referia vagamente à ideia de paz e às “circunstâncias difíceis de nossos tempos conturbados” que, no entanto, “parecem perder a sua gravidade diante da perspectiva da eternidade diante de nós”. No texto, não havia qualquer referência explícita à guerra na Ucrânia.

No dia 16 de Março, Francisco e Cirilo falaram por videoconferência, com o Patriarca russo a centrar-se nos aspectos humanitários da guerra e no papel das duas igrejas – Ortodoxa Russa e Católica – para superar as suas consequências. Por seu lado, o Papa insistiu na ideia de que já não se pode defender qualquer ideia de “guerra justa” ou “guerra santa”.

Sobre a possibilidade de um segundo encontro entre os dois líderes, o Papa referiu quinta-feira, em entrevista ao argentino La Nación que a sua preparação foi suspensa. Esse encontro, que decorreria em Junho, em Jerusalém, seria o segundo depois da reunião de ambos em Havana, em 2016. Mas agora um novo encontro entre ambos “poderia prestar-se a muitas confusões”. Na mesma ocasião, o Papa afirmou “lamentar” a decisão, sublinhando a sua relação “muito boa” com Cirilo.

 

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