No regresso do Barhein

Papa pede aos jornalistas que se insurjam contra as guerras

| 6 Nov 2022

Igreja Cristã Ortodoxa Arménia em Lviv, com estátua de cristo do século XV. A estátua, uma das mais antigas, foi retirada para ser guardada. Técnicos polacos que vieram ajudar a retira-la. A igreja é do século XVII que fazia parte do bairro arménio de Lviv. 4 de Março de 2022

Igreja Cristã Ortodoxa Arménia em Lviv, com estátua de cristo do século XV. A estátua, uma das mais antigas, foi retirada para ser guardada, em 4 de março de 2022.

 

“Vocês que são jornalistas, por favor, sejam pacifistas, falem contra as guerras, lutem contra a guerra. Peço-lhes isso como um irmão”. As surpreendentes palavras saíram este domingo, dia 6, da boca do próprio Papa Francisco, durante a conferência de Imprensa, na viagem de regresso ao Vaticano, depois de quatro dias passados no golfo Pérsico, na ilha principal do Bahrein.

O desafio inscreve-se na insistência com que o bispo de Roma vem denunciando a “loucura da guerra” e a o desafio incontornável da paz. Esta é a “terceira guerra mundial, em cerca de um século”, alertou, denunciando, ao mesmo tempo: “Quando os impérios, seja de um lado seja do outro, se enfraquecem, precisam de fazer uma guerra para se sentirem fortes e também para vender armas! Porque hoje creio que a maior calamidade que existe no mundo é a indústria das armas.”

O Papa passou em revista o desastre humano de várias guerras, do passado e do presente. Sobre a Ucrânia referiu as várias iniciativas tomadas pela Santa Sé, umas públicas e outras reservadas, afirmando: “A mim impressiona-me (…) a crueldade que não é do povo russo, mas dos mercenários, dos soldados que vão fazer a guerra como se fosse uma aventura… Eu prefiro pensar assim, porque tenho uma estima muito elevada pelo povo russo e pelo seu humanismo russo. Basta pensar em Dostoievski que ainda hoje nos inspira, e inspira os cristãos a pensar o cristianismo. Assim como tenho também um grande afeto pelo povo ucraniano. Quando eu tinha 11 anos, havia um padre que celebrava em ucraniano e todas essas canções ucranianas conheço-as na língua deles, porque as aprendi quando criança, por isso tenho um afeto muito grande pela liturgia ucraniana. Estou no meio de dois povos aos quais quero bem”.

Uma jornalista colocou ao Papa uma pergunta sobre as manifestações que têm estado a verificar-se no Irão, em torno dos direitos das mulheres e se o Papa apoiava essa luta.

A resposta não foi direta ao assunto. “A luta pelos direitos da mulher é uma luta contínua, porque, em alguns lugares, a mulher consegue ter uma igualdade com os homens, mas em outros lugares não consegue”, observou o Papa. Defendeu, depois, que as mulheres têm contributos específicos a dar à sociedade, que não se devem tornar como os homens e que “homens e mulheres devem trabalhar juntos: a mulher igual ao homem trabalha pelo bem comum com aquela intuição que as mulheres têm”. 

Deu o exemplo do próprio Vaticano: “Vi que, de cada vez que uma mulher entra para trabalhar, as coisas melhoram. Por exemplo, a vice-governadora do Vaticano é uma mulher, e as coisas mudaram bem. No Conselho para a Economia, havia seis cardeais e seis leigos, todos homens. Mudei os leigos e coloquei um homem e cinco mulheres. E esta é uma revolução porque as mulheres sabem encontrar o caminho certo, sabem ir adiante”. 

A uma questão sobre os abusos sexuais do clero, Francisco reiterou a política que a Igreja segue atualmente, fazendo notar que ela está cada vez mais longe da cultura do encobrimento, que a vontade de mudar a cultura que já foi dominante é real, mas que ainda há muito a fazer. 

Reconheceu que, apesar do caminho feito, “existem pessoas dentro da Igreja que ainda não veem claramente, não compartilham” da linha de ação definida. Sendo um processo que a Igreja está a fazer “com coragem”, mas nem todos têm coragem” de tomar decisões.

“Fazemos o que podemos, somos todos pecadores”. Sendo mais concreto, revelou um tipo de atuação nova: “Por exemplo, nos últimos meses recebi duas queixas sobre casos de abuso que tinham sido encobertos e que não foram bem julgados pela Igreja. Pedi imediatamente um reexame dos dois casos e, agora, um novo julgamento está a ser feito”.

Quanto ao diálogo inter-religioso com o Islão e o diálogo ecuménico com Bartolomeu, objetivo específico da viagem ao Bahrein, que foi tema da pergunta de uma jornalista deste país, o Papa defendeu que o diálogo beneficia da existência de uma identidade de cada parte interveniente e que viu isso quer da parte do Grande Imã de Al-Azhar, quer, no caso cristão, da parte do patriarca Bartolomeu, de Constantinopla. 

Destacou o modo como o Grande Imã abordou o problema do diálogo intra-islâmico, que não visa cancelar as diferenças, mas criar as condições para o trabalho conjunto e referiu ter ficado impressionado com as coisas que foram ditas no Conselho de Anciãos Muçulmanos, sobre a criação e a preservação da criação. “Esta é uma preocupação comum a todos, islâmicos, cristãos, a todos”, acrescentou.

 

Uma exposição que é “um grito de alerta e de revolta” contra a perseguição religiosa

No Museu Diocesano de Santarém

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Poderá haver quem fique chocado com algumas das peças e instalações que integram a exposição “LIBERDADE GARANTIDA” (escrito assim mesmo, em letras garrafais), que é inaugurada este sábado, 20 de abril, no Museu Diocesano de Santarém. Mas talvez isso até seja positivo, diz o autor, Miguel Cardoso. Porque esta exposição “é uma chamada de atenção, um grito de alerta e de revolta que gostaria que se tornasse num agitar de consciências para a duríssima realidade da perseguição religiosa”, explica. Aqueles que se sentirem preparados, ou simplesmente curiosos, podem visitá-la até ao final do ano.

“Tenho envelhecido de acordo com aquilo que sempre gostaria de ter feito”

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O 7MARGENS irá publicar durante as próximas semanas os depoimentos de idosos recolhidos por José Pires, psicólogo e sócio fundador da Cooperativa de Solidariedade Social “Os Amigos de Sempre”. Este primeiro texto inclui uma pequena introdução de contextualização do autor aos textos que se seguirão, bem como o primeiro de 25 depoimentos. De notar que tanto o nome das pessoas como as fotografias que os ilustram são da inteira responsabilidade do 7MARGENS.

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Dois meses e meio depois, está na hora de reconstruir

Mosteiro Trapista de Palaçoulo

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Convento das Capuchas: “Cem anos depois, aqui estamos… a ver as maravilhas multiplicar-se”

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