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encontro do papa francisco com consagrados na catedral de kinshasa congo foto vatican media

Encontro com consagrados

Papa pede aos padres que não se sirvam da sua função para “satisfazer carências”

| 02/02/2023

encontro do papa francisco com consagrados na catedral de kinshasa congo foto vatican media

“Lembremo-nos disto: o sacerdócio e a vida consagrada tornam-se áridos, se os vivemos para ‘nos servirmos’ do povo em vez de ‘servi-lo'”, disse Francisco aos participantes no encontro. Foto © Vatican Media.

 

Depois de ter passado a manhã com mais de 80 mil jovens e catequistas, o Papa encontrou-se na tarde desta quinta-feira, 2 de fevereiro, com cerca de 1.200 padres, diáconos, consagrados e seminaristas, na Catedral de Kinshasa. Naquele que foi o terceiro dia da sua viagem apostólica à República Democrática do Congo (RDC), véspera de rumar ao Sudão do Sul, Francisco alertou que o sacerdócio ou qualquer forma de vida consagrada não podem ser vistos como um meio para “satisfazer carências e comodidades” ou para adquirir uma melhor “posição social”.

“Lembremo-nos disto: o sacerdócio e a vida consagrada tornam-se áridos, se os vivemos para ‘nos servirmos’ do povo em vez de ‘servi-lo'”, disse Francisco aos participantes no encontro. “Não se trata de uma profissão para ganhar ou ter uma posição social, nem para colocar em situação confortável a família de origem, mas é a missão de ser sinais da presença de Cristo, do seu amor incondicional, do perdão com que nos quer reconciliar, da compaixão com que deseja cuidar dos pobres”. Em suma: “Fomos chamados para oferecer a vida pelos irmãos e irmãs, levando-lhes Jesus, o único que sara as feridas do coração”, sublinhou.

Na opinião do Papa, “há um grande risco associado à mundanidade, especialmente num contexto de pobreza e sofrimento: aproveitar-se da função que temos para satisfazer as nossas carências e comodidades”. E “é triste quando nos fechamos em nós mesmos, tornando-nos frios burocratas do espírito. Então, em vez de servir o Evangelho, preocupamo-nos em administrar as finanças e realizar qualquer negócio que nos traga vantagem”, alertou Francisco.

Para o Papa, “isto é escandaloso, quando acontece na vida dum padre ou dum religioso, que deveria ser modelo de sobriedade e liberdade interior. Ao contrário – sublinhou – como é belo manter-se transparente nas intenções e livre de compromissos com o dinheiro, abraçando alegremente a pobreza evangélica e trabalhando junto dos pobres”.

Até porque, “antes de tudo, é a própria vida que fala”, lembrou Francisco. Por isso, “para ser bons sacerdotes, diáconos, consagradas e consagrados, não bastam as palavras e as intenções”.

Assinalando a feliz coincidência de o encontro acontecer, precisamente, na festa litúrgica da Apresentação do Senhor, dia dedicado pela Igreja Católica à vida consagrada, o Papa terminou a agradecer “de coração” aos presentes pelo testemunho que dão ao mundo. “Sois preciosos, importantes: vo-lo digo em nome da Igreja inteira”, afirmou.

“Aqui vemos a abundância da graça de Deus, que opera precisamente na fraqueza e vos torna capazes, juntamente com os fiéis leigos, de gerar esperança nas situações frequentemente dolorosas do vosso povo”, reconheceu.

Segundo as estatísticas do Vaticano, existem atualmente 6.162 padres na RDC, a maioria dos quais são diocesanos servindo em paróquias, e 1.317 religiosos não ordenados. As religiosas constituem a maior parte das vocações consagradas no país, totalizando 10.525. Estima-se que haja 8.466 católicos no Congo para cada padre, e mais de 10 mil jovens a frequentar os seminários maiores ou menores em todo o país.

 

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