Congo, Nigéria, Ucrânia e Palestina

Papa preocupado com violência que instala “onda global de medo e ódio”

| 25 Fev 2024

Papa Francisco, Sínodo, Praça de São Pedro

O Papa Francisco, durante o ângelus de 29 de Outubro de 2023, no final do Sínodo dos Bispos sobre a Sinodalidade. Foto © António Marujo/7MARGENS

 

É uma geografia de violência que alastra no mundo e que instiga uma “onda global de medo e ódio”, apontou este domingo o Papa Francisco, dirigindo-se aos peregrinos reunidos na Praça de São Pedro, no Vaticano. 

Depois de ter cancelado as audiências previstas para sábado, devido a uma leve gripe, Francisco recitou o ângelus, deixando depois fortes apelos contra a violência na República Democrática do Congo (RDC) e Nigéria, assinalando ainda o segundo aniversário da invasão russa da Ucrânia, 

“Sigo com preocupação o aumento da violência na parte oriental da República Democrática do Congo. Uno-me ao convite dos bispos a rezar pela paz, desejando o fim dos confrontos e a busca de um diálogo sincero e construtivo”, apelou, citado pela Agência Ecclesia.

Os confrontos entre o exército congolês e o grupo armado M23 provocaram várias mortes, feridos e milhares de deslocados, com o agravamento da situação humanitária. O padre Faustin Mbara, pároco de Sake, cidade na província oriental de Kivu do Norte, na RDC, descreveu a situação como “alarmante”, em declarações ao portal de notícias do Vaticano.

Francisco mostrou-se ainda preocupado com a onda de raptos que se verifica na Nigéria. “Exprimo ao povo nigeriano a minha proximidade na oração, desejando que todos se empenhem para que o aumento destes episódios seja travado o mais rapidamente possível”, disse.

Na última semana, o secretário do Dicastério para a Evangelização, Secção para a Primeira Evangelização, Fortunatus Nwachukwu, expressou solidariedade com a Igreja e o povo nigerianos ao tomar conhecimento, “com pesar, de diferentes fontes de informação, da frequência dos raptos na Nigéria, uma situação que se agravou significativamente nos últimos tempos”.

“Entre aqueles que tragicamente se encontram no fogo cruzado destes atos reprováveis estão membros do clero, religiosos e fiéis leigos”, disse o arcebispo nigeriano, numa mensagem enviada a D. Lucius Iwejuru Ugorji, arcebispo de Owerri e presidente da Conferência Episcopal da Nigéria.

O portal Vatican News refere que, nos últimos anos, a Nigéria “teve de lidar com o flagelo dos raptos que visam, além de padres e religiosos, estrangeiros, empresários, políticos, funcionários do governo, diplomatas, governantes tradicionais, juntamente com cidadãos comuns, incluindo estudantes e crianças em idade escolar, muitas vezes vítimas de raptos em massa”.

Desde maio de 2023, início do mandato do presidente Bola Ahmed Tinubu, a consultoria de gestão de risco ‘SBM Intelligence’ registou o sequestro de 3964 pessoas. 

Francisco: “Vivíssimo afeto ao martirizado povo ucraniano”

O Papa assinalou ainda o segundo aniversário da invasão russa da Ucrânia, alertando para uma “onda global de medo e ódio”. “É uma guerra que não está apenas a devastar aquela região da Europa, mas que desencadeia uma onda global de medo e ódio”, referiu, também citado pela Ecclesia, desde a janela do apartamento pontifício.

Francisco quis manifestar o seu “vivíssimo afeto ao martirizado povo ucraniano”, rezando por todos, em particular pelas “muito numerosas vítimas inocentes”. “No dia 24 de fevereiro recordamos, com dor, o segundo aniversário do início da guerra em larga escala, na Ucrânia. Quantas vítimas, feridos, destruição, angústia, lágrimas, num período que se está a tornar terrivelmente longo e do qual não se vê ainda o fim.”

A ofensiva militar russa no território ucraniano, lançada a 24 de fevereiro de 2022, provocou pelo menos 10 mil mortos e cerca de 20 mil feridos entre a população civil, indicou na quinta-feira passada a ONU, admitindo que estes números possam ser “significativamente mais altos”. “Suplico que se reencontre aquele resto de humanidade que permita criar as condições de uma solução diplomática, em busca de uma paz justa e duradoura”, pediu o Papa, perante milhares de peregrinos reunidos na Praça de São Pedro.

Francisco recordou ainda os povos da Palestina, Israel e de todos países “dilacerados pela guerra”, pedindo que se ajude “concretamente quem sofre”. “Pensemos em tanto sofrimento, pensemos em tantas crianças feridas, inocentes”, lamentou.

Perante os cerca de 20 mil peregrinos reunidos na Praça de São Pedro, o Papa recordou ainda a onda de frio que atinge a Mongólia, com “graves consequências humanitárias”. Em janeiro, o país asiático registou 50 graus negativos nalgumas regiões montanhosas em janeiro e 80% de toda a área da Mongólia ficou coberta de neve.

“Também este fenómeno extremo é um sinal das alterações climáticas e dos seus efeitos. A crise climática é um problema social, global, que incide profundamente na vida de muitos irmãos e irmãs, sobretudo dos mais vulneráveis”, declarou o Papa. Francisco concluiu com um pedido de oração para que se possam “tomar decisões sábias e corajosas para contribuir no cuidado da criação”.

 

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