
Papa Francisco pretendeu com esta iniciativa “proteger o carisma” da Obra. Foto © Vatican Media.
Os mais de 93 mil membros da prelatura do Opus Dei passarão, já a partir de 4 de agosto, a ter como ‘tutela’ não a Congregação (agora Dicastério) dos Bispos, mas o Dicastério do Clero. Ao mesmo tempo, o prelado deixa de estar associado à função episcopal. Estas são algumas das novidades de um recente motu proprio (carta de iniciativa própria) do Papa Francisco, intitulado Ad Charisma Tuendum (“Para a proteção do carisma”).
Quase 40 anos depois da constituição apostólica Ut sit, através da qual o então Papa João Paulo II erigiu a Prelatura do Opus Dei, Francisco pretendeu, com a sua iniciativa, “proteger o carisma” daquela obra e “promover a ação evangelizadora que os seus membros realizam no mundo (…) através da santificação do trabalho e dos compromissos familiares e sociais”.
Esta mudança decorre também da recente constituição apostólica Praedicate Evangelium, sobre a reforma da Curia Romana, a qual atribui ao Dicastério para o Clero a responsabilidade pelas relações com as prelaturas pessoais. O Opus Dei é a única até agora erigida.
Justificando a reforma agora introduzida, o Papa Francisco defende, para o Opus Dei, “uma forma de governo baseada mais no carisma do que na autoridade hierárquica”. Na explicação dada no site da prelatura em Portugal, considera-se que o motu proprio visa reforçar a dimensão carismática, mas que, na prelatura, carisma e hierarquia “complementam-se”.
Logo no dia da publicação da Ad Charisma Tuendum, o prelado do Opus Dei, o espanhol Fernando Ocariz, além de reiterar a aceitação das alterações agora introduzidas, publicou uma mensagem em que exortou os fiéis da prelatura a dar eco ao apelo que o Papa faz de cuidar do carisma da instituição para “promover a ação evangelizadora levada a cabo pelos seus membros”.
Na sequência das mudanças referidas, o Opus Dei deverá, agora, de proceder à adaptação dos seus instrumentos regulamentadores ao disposto no motu proprio e passará a entregar um relatório anual das atividades da prelatura, agora no Dicastério para o Clero.
O Opus Dei conta com cerca de 93 400 membros, a esmagadora maioria dos quais leigos que “cooperam organicamente” com os membros ordenados. Destes cerca de 2 300 são padres incardinados na prelatura e 2 000 são padres associados ao Opus Dei, mas que se mantêm ligados às suas dioceses.










