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Papa recebeu padre jesuíta defensor da abertura às pessoas homossexuais

| 02/10/2019

Papa recebeu padre jesuíta defensor da abertura às pessoas homossexuais

by | 2 Out 19 | Destaques, Newsletter diária - título, Últimas

O padre James Martin, SJ, na audiência com o Papa. Foto reproduzida da página de James Martin na rede Facebook

 

O próprio escreveu na sua conta da rede social Twitter que foi um dos momentos mais importantes da sua vida: “Senti-me hoje encorajado, consolado e inspirado pelo Santo Padre. E o tempo que gastou comigo, no meio de um dia ocupado e de uma vida cheia, parece um sinal claro do seu profundo cuidado pastoral com os católicos LGBT e as pessoas LGBT em todo o mundo.”

James Martin, padre jesuíta dos EUA, director da America, a prestigiada revista da Companhia de Jesus no país, é conhecido pelas suas posições de abertura às pessoas e às questões da homossexualidade, resumiu deste modo a audiência de 30 minutos que o Papa lhe concedeu.

Autor de vários livros sobre o tema, incluindo Building a Bridge (Construindo uma ponte), que o Papa terá lido, Martin enfrentou, nos últimos anos, duras críticas por causa das suas posições e chegou mesmo a ter de cancelar várias conferências por causa da oposição de determinados grupos.

A notícia da audiência, que decorreu segunda-feira, 30 de Setembro, foi divulgado no boletim da Sala de Imprensa. Isso significa que foi intenção de Francisco tornar público o encontro e, ao mesmo tempo, dar também um sinal de confiança na acção do padre jesuíta.

Significativo foi também o facto de o Papa ter recebido Martin não na Casa de Santa Marta, onde habitualmente reside e mantém os encontros pessoais, mas na biblioteca privada do Palácio Apostólico, onde são recebidos chefes de Estado, organizações internacionais, cardeais e conferências de bispos, bem como líderes de outras igrejas cristãs ou religiões. Estavam também colocados frente a frente, junto da mesa onde o Papa também recebe os seus convidados, como nota a America.

 

“Lidar com pessoas reais”

No Il Messagero, conta-se que a reunião foi objecto de polémica nas redes sociais, em Itália. A Companhia de Jesus nos EUA esclareceu entretanto que ““não houve temas políticos na agenda, nem estratégias ocultas, apenas uma conversa honesta para entender qual seria o melhor caminho de alcançar aqueles que se sentem às margens, precisamente como sugere o espírito que trabalha hoje” na Igreja.

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O mesmo jornal, citado na página de notícias da Unisinos (Brasil), diz que o padre jesuíta sentiu uma grande alegria por se ter encontrado com “um pastor maravilhoso”. Ainda no próprio dia, na sua conta do Twitter, James Martin acrescentava que partilhara com o Papa “as alegrias e as esperanças, as tristezas e angústias” dos católicos e outras pessoas LGBT, que lhe falara do seu próprio ministério junto dessas pessoas. Não adiantou, no entanto, outros pormenores sobre a conversa tida, além de ter afirmado que ambos se riram várias vezes.

Sabe-se, de qualquer modo, que uma das sugestões em que ele vem insistindo é a mudança do texto do Catecismo da Igreja Católica que, no seu parágrafo 2358 define como objectivamente desordenada a atração de pessoas do mesmo sexo.

Outro jesuíta e ex-director da America, o padre Thomas J. Reese, comentou que há quem se incomode com o gesto do Papa porque ele está mais preocupado com as questões da injustiça do que com as questões sexuais. “Os pastores católicos devem lidar com pessoas reais nas suas igrejas. A compaixão e o amor de Jesus deveriam ser os nossos guias. Ele comeu com os pecadores. Ele nunca ficou zangado com os pecadores sexuais. Ele só se zangou com os escribas e os fariseus, a quem ele via como hipócritas”, escreve o padre Reese.

“Todos concordaremos que os gays não deveriam ser submetidos a violências ou discriminação. Somos todos irmãos e irmãs no mesmo Deus. E, se a Igreja não é um clube para os perfeitos, mas sim um hospital de campanha para os feridos, então todos devem ser acolhidos e amados”, acrescentam citado também na página noticiosa da Unisinos.

E conclui: o Papa Francisco e James Martin “estão simplesmente a imitar Jesus, que, pelo seu exemplo e palavras, nos ensinou que o nosso Deus é um Pai compassivo que cuida de todos os seus filhos e filhas”.

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