Abusos de poder e exploração

Papa reconhece exploração de freiras na Igreja e pede-lhes luta

| 5 Fev 2022

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Este é “um dos temas mais sensíveis do Vaticano”, dado “o número incontável de freiras e mulheres consagradas que trabalham como empregadas domésticas para seminaristas, padres e bispos”. Foto © C Hemera

 

“Convido-vos a lutar quando, em alguns casos, fordes tratadas injustamente, mesmo dentro da Igreja; quando o vosso serviço, que é tão grande, é reduzido à servidão. E às vezes por homens da Igreja.”

Estas palavras fortes foram proferidas esta semana, pelo Papa Francisco, no vídeo de lançamento da intenção da oração para este mês, através da Rede Mundial de Oração do Papa.

Na mesma mensagem, Francisco exortou as religiosas a “continuar a trabalhar especialmente junto dos pobres, dos marginalizados, de todos os que estão escravizados pelos traficantes”. “Peço-vos especificamente que atuem sobre estes problemas”, apelou.

“Não desanimem. Continuem a dar a conhecer a bondade de Deus através das obras apostólicas que fazem. Mas sobretudo, através do testemunho da consagração”, acrescentou o Papa.

A referência explícita à violência e abuso sobre as freiras ocorre num momento em que o tema começa a ganhar alguma visibilidade, desde o suplemento mensal “Mulheres Igreja Mundo”, do jornal Osservatore Romano ao livro recente, saído em Itália, intitulado Il Velo del Silenzio [O véu do silêncio], da autoria de Salvatore Cernuzio, com depoimentos de mulheres e religiosas de varias partes do mundo, sobre abusos, violências e frustrações, com prefácio da irmã Nathalie Becquart, subsecretária do Sínodo dos Bispos.

A exploração de religiosas pode assumir, segundo os relatos vindos a público, natureza sexual, mas serão sobretudo de abuso psicológico e laboral.

Segundo o correspondente do jornal francês La Croix International no Vaticano, Loup Besmond de Senneville, este é “um dos temas mais sensíveis do Vaticano”, dado “o número incontável de freiras e mulheres consagradas que trabalham como empregadas domésticas para seminaristas, padres e bispos”.

“É comum ser-se recebido por freiras, ao visitar alguns prelados da Cúria Romana. Isso também pode acontecer em certas congregações de sacerdotes, onde as irmãs são encarregadas de cozinhar, limpar”, observa o La Croix International.

Nos depoimentos de algumas religiosas que foram autorizadas a dar depoimentos anónimos ao suplemento Donne Chiesa Mondo, do Osservatore, referia-se que muitas das freiras que realizam estes trabalhos na esfera do Vaticano observavam que a maioria trabalhava sem contrato e aquelas que eram pagas ganhavam “quantias irrisórias”.

Não é a primeira vez que o Papa aborda esta questão. Perante mais de 800 superiores gerais, que recebeu em Roma, em 2019, Francisco disse: “Por favor, serviço sim, servidão não!”.

 

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