Apesar de incumprimento chinês

Papa reconheceu bispo de Xangai por “um bem maior”

| 18 Jul 2023

bispo Shen Bin, nomeado para a diocese de Xangai em abirl de 2023, foto Comunità di Sant’Egidio

A nomeação do bispo Shen Bin para a diocese de Xangai, em abril de 2023, só agora foi reconhecida pelo Papa. Foto © Comunità di Sant’Egidio.

 

Passados mais de três meses da tomada de posse do bispo Shen Bin na diocese de Xangai sem aprovação prévia da Santa Sé – e, portanto, em violação do acordo Vaticano-China -, o Papa Francisco optou por reconhecer a nomeação desse “estimado pastor”. Fê-lo para o “bem maior da diocese”, justificou o secretário de Estado Pietro Parolin em recente entrevista ao Vatican News, na qual reiterou a vontade de diálogo da parte da Igreja Católica, bem como de abertura de um escritório estável de ligação da Santa Sé na China.

Reconhecendo que as relações com a China têm tido bastantes  “obstáculos” que minam a “confiança e tiram energias positivas”, Parolin afirmou que este é “um caminho de certa forma obrigatório” e que “as razões para o diálogo parecem ser ainda mais fortes”.

“Assinámos um acordo que pode ser definido como histórico”, sublinhou o secretário de Estado, mas que “precisa, no entanto, de ser aplicado na sua totalidade e da maneira mais correta possível” e a Santa Sé, assegurou, “está determinada a fazer a sua parte para que o caminho continue”.

Foi por isso que, apesar de as autoridades chinesas terem transferido o bispo Shen Bin para Xangai sem envolver a Santa Sé nessa decisão, “o Papa decidiu, em todo o caso, sanar a irregularidade canónica”.

O número dois do Vaticano atribuiu a demora da decisão à “necessidade de avaliar com atenção” dois aspectos. Primeiro, “a situação pastoral da diocese de Xangai, reconhecida pela Santa Sé e que durante muito tempo esteve sem bispo”. Em segundo lugar, “a oportunidade” ou “adequação” de transferir o bispo Shen Bin para Xangai, ao qual se referiu como “um pastor estimado”. “A intenção do Santo Padre é fundamentalmente pastoral e permitirá a Monsenhor Shen Bin operar com maior serenidade para promover a evangelização e fomentar a comunhão eclesial”, acrescentou o cardeal Parolin.

 

Problemas de interpretação?

Já em novembro do ano passado, apenas um mês após a renovação do acordo entre o Vaticano e a China, Pequim havia nomeado unilateralmente Peng Weizhao como bispo auxiliar da diocese de Jiangxi, diocese não reconhecida por Roma, sem consultar ou informar a Santa Sé, o que mereceu fortes críticas da parte desta última. [ver 7MARGENS]

Questionado sobre se o acordo provisório, que nunca foi tornado público, previa situações como os dois casos em que Pequim agiu unilateralmente, o secretário de Estado referiu que “[o] texto é confidencial porque ainda não foi aprovado de forma definitiva, mas admitiu que o mesmo “gira em torno do princípio fundamental da consensualidade das decisões relativas aos bispos”.

Numa análise publicada esta segunda-feira, 17 de julho, a revista America assinala que a interpretação do texto do acordo poderá estar na origem de alguns destes problemas, já que o texto original tem uma versão italiana e uma versão chinesa, e cada lado pode lê-lo de maneira diferente. Parece que por “nomeação de bispos” a China entende a primeira nomeação – não a transferência -, enquanto o Vaticano considera que inclui ambas.

Para evitar situações equivalentes no futuro, o cardeal Parolin insiste agora na necessidade de um “diálogo aberto” e de um “confronto respeitoso com o lado chinês”, o que seria facilitado pela criação de uma conferência episcopal e pela “abertura de um escritório de ligação estável da Santa Sé na China”. Este escritório, conclui, “não só favoreceria o diálogo com as autoridades civis, mas também contribuiria para a plena reconciliação dentro da Igreja chinesa e para o seu caminho em direção a uma desejável normalidade”.

 

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