Papa recorda 10 anos da “catástrofe humana” da Síria e pede fim das armas no mundo para o pós-pandemia

| 15 Mar 2021

Deslocados na Síria

Deslocados na Síria: o ACNUR diz que há 6,6 milhões dentro do próprio país, enquanto 5,6 miçlhões fugiram para o estrangeiro. Foto: Direitos reservados.

 

O Papa Francisco recordou este domingo, 14, no Vaticano, os dez anos sobre o início do “sangrento conflito na Síria, que causou uma das mais graves catástrofes humanas do nosso tempo”.

Na sua alocução após a oração do Angelus, Francisco referiu o “número indeterminado de mortos e feridos, milhões de refugiados, milhares de desaparecidos, destruição, violência de todos os tipos, e enormes sofrimentos para toda a população, em particular para os mais vulneráveis, como as crianças, as mulheres e os idosos”.

“Renovo o meu forte apelo às partes em conflito, para que manifestem sinais de boa vontade, a fim de que se possa abrir uma fresta de esperança para a população esgotada”, pediu, citado pela Ecclesia, defendendo um “decidido e renovado compromisso construtivo e solidário” da comunidade internacional. “Que, depostas as armas, se possa voltar a costurar o tecido social e iniciar a reconstrução e a recuperação económica”, apelou. “Rezemos todos ao Senhor, para que tanto sofrimento na amada e martirizada Síria não seja esquecido e para que a nossa solidariedade reavive a esperança.”

Dados do Alto Comissariado da ONU para os Refugiados dizem que a guerra, iniciada a 15 de Março de 2011, provocou a fuga de quase 5,6 milhões de pessoas para outros países, enquanto 6,6 milhões de sírios estão deslocados no seu próprio país.

 

Pós-pandemia: curar pessoas e não fabricar armas
Míssil. Armas. Índia

Parada militar na Índia, em 2004: “Não podemos suportar que continuem a ser fabricadas armas, gastando um capital enorme que deveria ser usado para salvar vidas”, diz o Papa. Foto Wikipedia.

 

Numa entrevista que será divulgada em livro nesta terça-feira, 16, o Papa defende entretanto que a crise pandémica mostra a necessidade de usar o dinheiro da indústria do armamento para salvar vidas: “Não podemos suportar que continuem a ser fabricadas e traficadas armas, gastando um capital enorme que deveria ser usado para curar pessoas, salvar vidas.”

“Já não é possível fingir que não se criou um círculo vicioso dramático entre a violência armada, a pobreza e a exploração insensata e indiferente do meio ambiente”, acrescenta, segundo a citação da Ecclesia, a partir de um excerto do livro divulgado pelo Vatican News. “O mundo nunca mais será o mesmo”, diz o Papa. “Dor e sombras derrubaram as portas das nossas casas, invadiram os nossos pensamentos, atacaram os nossos sonhos e programas. E, assim, hoje ninguém se pode dar ao luxo de sentir-se confortável.”

O livro, do jornalista italiano Domenico Agasso, do La Stampa, tem o título Dio e il mondo che verrà (“Deus e o mundo que virá”, Edizioni Piemme-LEV). No diálogo, o Papa insiste em que “o caminho para a salvação da humanidade passa por pensar um novo modelo de desenvolvimento, que considere indiscutível a convivência entre os povos, em harmonia com a criação”.

Na conversa, Francisco critica a “mentalidade especulativa dominante”: “No estado em que se encontra a humanidade, torna-se escandaloso continuar a financiar indústrias que não contribuem para a inclusão dos excluídos e a promoção dos últimos, e que penalizam o bem comum poluindo a criação. Estes são os quatro critérios para escolher que empresas apoiar: inclusão dos excluídos, promoção dos últimos, bem comum e cuidado com a criação.”

Pedindo uma reconstrução mundial “sob a bandeira da fraternidade humana”, o Papa manifesta-se ainda contra a discriminação das mulheres e pede atenção particular às novas gerações, que pagam o preso da crise “económica, laboral, sanitária e moral”.

 

“Trabalho digno” é o “caminho para a paz e justiça social”, defende MMTC

Mensagem e conferência online

“Trabalho digno” é o “caminho para a paz e justiça social”, defende MMTC novidade

“Num mundo em conflito, com profundas desigualdades e ambientalmente insustentável, o trabalho digno representa o caminho para a paz e a justiça social”, defende o Movimento Mundial de Trabalhadores Cristãos, na véspera do Dia Internacional pelo Trabalho Digno, que se assinala  a 7 de outubro. A mensagem foi divulgada em Portugal pela Liga Operária Católica/Movimento de Trabalhadores Cristãos, nesta quinta-feira, 6, data em que dinamiza, pelas 21 horas, uma videoconferência subordinada ao tema “Trabalho digno para todos”.

Responsáveis religiosos contra desalojamento de comunidade mapuche

Argentina

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Os líderes de diferentes Igrejas cristãs de Bariloche (cidade na região da Patagónia Argentina) apelaram esta quarta-feira, 5, à busca de vias de diálogo e de paz, depois de no dia anterior as forças policiais federais terem iniciado uma operação de desalojamento de uma comunidade indígena mapuche, recorrendo ao uso de gás lacrimogéneo e balas de borracha, e que resultou na detenção de pelo menos dez pessoas, entre elas uma mulher grávida e cinco menores.

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Breves

 

Dia 4 de outubro

Filme “A Carta” exibido em Campo de Ourique

O documentário “A Carta” que relata a história da Encíclica Laudato Si’, recolhe depoimentos de vários ativistas do clima e tem como estrela principal o próprio Papa Francisco vai ser exibido no auditório da Escola de Hotelaria e Turismo na terça-feira, dia 4 de outubro, às 21h15.

Bispo Bätzing “impede” visita do cardeal Koch à Alemanha

Em causa disputa sobre o Caminho Sinodal alemão

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O cardeal Kurt Koch, prefeito do Dicastério para a Unidade dos Cristãos, cancelou a sua visita à Alemanha, depois do bispo Georg Bätzing, presidente da Conferência Episcopal daquele país, ter dito que ele não seria bem-vindo enquanto não tornasse público um pedido de desculpas pelas afirmações feitas no final de setembro contra o Caminho Sinodal alemão, noticia o jornal católico The Pillar na sua edição de 3 de outubro.

Silêncio: devolver à vida a sua beleza

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Será um passo paradoxal falar do silêncio: afinal, ele será rompido para que dele se fale. Mas sabemos, na nossa experiência quotidiana, como a ausência de reflexão pode ser sinónimo, não de silêncio, mas de um adormecimento nos ruídos, distrações e imagens que constantemente nos interpelam.

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