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Papa Francisco durante audiência geral de 18 de outubro, Foto Vatican Media

Prefácio a livro de Austen Ivereigh

Papa: um pontificado a olhar para as duas grandes crises do nosso tempo

| 13/02/2024

Papa Francisco durante audiência geral de 18 de outubro, Foto Vatican Media

Papa Francisco durante audiência geral de 18 de outubro de 2023. Foto Vatican Media.

 

No prefácio ao novo livro do seu biógrafo, Francisco defende que, “como Papa, quis reforçar a nossa pertença ‘primeiro’ a Deus e depois à criação e aos nossos semelhantes, especialmente àqueles que clamam por nós”. E é por isso que, sublinha Francisco, no seu pontificado “quis abordar as duas grandes crises do nosso tempo: o declínio da nossa casa comum e as migrações, os deslocamentos em massa das pessoas”. Ambas são sintomas da “crise de não pertencimento”, como define o Papa, descrita nas páginas do livro First Belong to God (Primeiro, pertencer a Deus, numa tradução livre) de Austen Ivereigh.

Neste livro (cujo prefácio foi antecipado pela agência Vatican News), Livro retoma as meditações do jesuíta Jorge Maria Bergoglio em retiros que o hoje bispo de Roma pregou “muitas décadas atrás”, com os seus ensinamentos enquanto pontífice. “Fez um belo trabalho”, elogia o Papa Bergoglio. “Dessa forma, permite que ambos iluminem e sejam iluminados pelos Exercícios Espirituais de Santo Inácio”, completa.

Segundo Francisco, “com a sua experiência de vida, Santo Inácio de Loyola percebeu com grande clareza que cada cristão está envolvido numa luta que define a sua vida. É uma luta para vencer a tentação de nos fecharmos em nós mesmos para que o amor do Pai possa estabelecer-se em nós. Quando abrimos espaço para o Senhor, que nos resgata de nossa autossuficiência, somos capazes de nos abrir para toda a criação e toda a criatura. Tornamo-nos canais para a vida e para o amor do Pai. E só então somos capazes de perceber o que a vida realmente é: um presente do Pai que nos ama profundamente e quer que pertençamos a Ele e uns aos outros”.

O Papa deixa um alerta, ao desafio que é o de tornar real a luta que “já foi vencida por nós em Jesus, através de sua morte vergonhosa na Cruz e de sua Ressurreição”. Para Francisco, “o Pai revelou-nos, de uma vez por todas, que o seu amor é mais forte do que qualquer poder deste mundo. No entanto, abraçar essa vitória e torná-la real continua a ser um desafio: continuamos a ser tentados a fechar-nos para essa graça, a viver mundanamente na ilusão de sermos soberanos e autossuficientes. Todas essas crises mortais que nos assolam em todo o mundo, desde a crise ecológica até as guerras e as injustiças contra os pobres e frágeis, têm suas raízes nessa recusa de pertencer a Deus e uns aos outros”.

A ideia de pertença ‘primeiro’ a Deus, sublinha o bispo de Roma, é o mesmo motivo que o levou a “encorajar a Igreja a redescobrir o dom da sua tradição de sinodalidade, porque quando se abre para o Espírito que fala no Povo de Deus, toda a Igreja se levanta e anda, louvando a Deus e contribuindo para a vinda de seu Reino”. “Estou feliz em ver como esses temas estão presentes neste livro”, resume Francisco.

 

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