
Papa Francisco durante audiência geral de 18 de outubro de 2023. Foto Vatican Media.
No prefácio ao novo livro do seu biógrafo, Francisco defende que, “como Papa, quis reforçar a nossa pertença ‘primeiro’ a Deus e depois à criação e aos nossos semelhantes, especialmente àqueles que clamam por nós”. E é por isso que, sublinha Francisco, no seu pontificado “quis abordar as duas grandes crises do nosso tempo: o declínio da nossa casa comum e as migrações, os deslocamentos em massa das pessoas”. Ambas são sintomas da “crise de não pertencimento”, como define o Papa, descrita nas páginas do livro First Belong to God (Primeiro, pertencer a Deus, numa tradução livre) de Austen Ivereigh.
Neste livro (cujo prefácio foi antecipado pela agência Vatican News), Livro retoma as meditações do jesuíta Jorge Maria Bergoglio em retiros que o hoje bispo de Roma pregou “muitas décadas atrás”, com os seus ensinamentos enquanto pontífice. “Fez um belo trabalho”, elogia o Papa Bergoglio. “Dessa forma, permite que ambos iluminem e sejam iluminados pelos Exercícios Espirituais de Santo Inácio”, completa.
Segundo Francisco, “com a sua experiência de vida, Santo Inácio de Loyola percebeu com grande clareza que cada cristão está envolvido numa luta que define a sua vida. É uma luta para vencer a tentação de nos fecharmos em nós mesmos para que o amor do Pai possa estabelecer-se em nós. Quando abrimos espaço para o Senhor, que nos resgata de nossa autossuficiência, somos capazes de nos abrir para toda a criação e toda a criatura. Tornamo-nos canais para a vida e para o amor do Pai. E só então somos capazes de perceber o que a vida realmente é: um presente do Pai que nos ama profundamente e quer que pertençamos a Ele e uns aos outros”.
O Papa deixa um alerta, ao desafio que é o de tornar real a luta que “já foi vencida por nós em Jesus, através de sua morte vergonhosa na Cruz e de sua Ressurreição”. Para Francisco, “o Pai revelou-nos, de uma vez por todas, que o seu amor é mais forte do que qualquer poder deste mundo. No entanto, abraçar essa vitória e torná-la real continua a ser um desafio: continuamos a ser tentados a fechar-nos para essa graça, a viver mundanamente na ilusão de sermos soberanos e autossuficientes. Todas essas crises mortais que nos assolam em todo o mundo, desde a crise ecológica até as guerras e as injustiças contra os pobres e frágeis, têm suas raízes nessa recusa de pertencer a Deus e uns aos outros”.
A ideia de pertença ‘primeiro’ a Deus, sublinha o bispo de Roma, é o mesmo motivo que o levou a “encorajar a Igreja a redescobrir o dom da sua tradição de sinodalidade, porque quando se abre para o Espírito que fala no Povo de Deus, toda a Igreja se levanta e anda, louvando a Deus e contribuindo para a vinda de seu Reino”. “Estou feliz em ver como esses temas estão presentes neste livro”, resume Francisco.









