O Papa Leão XIV vai encontrar-se em privado com vítimas de abusos na Igreja durante a visita que fará a França, entre 25 e 28 de setembro. A deslocação, cujo programa oficial foi divulgado esta sexta-feira, 7 de agosto, inclui passagens por Paris, Lourdes e Metz, com intervenções sobre educação, migrações, diálogo inter-religioso, paz e unidade europeia.
A data, o local e o número de participantes no encontro com as vítimas não foram anunciados. A Sala de Imprensa da Santa Sé adiantou apenas que as próprias vítimas estarão envolvidas na preparação. Um gesto que assume particular significado num país marcado pelas conclusões da Comissão Independente sobre os Abusos Sexuais na Igreja (CIASE, na sigla em francês) e por um processo de reconhecimento e reparação ainda em curso.
Esta será a quinta viagem apostólica de Leão XIV e terá como lema “Para que o mundo tenha vida”, uma formulação apresentada pelo Vaticano como um apelo à esperança e à comunhão e como incentivo a “superar as divisões para partilhar a paz, a reconciliação e a fraternidade”.
Da Unesco a Lourdes
O Papa chegará a Paris na manhã de sexta-feira, 25 de setembro. Depois da cerimónia de boas-vindas no aeroporto de Orly, será recebido pelo Presidente francês, Emmanuel Macron, no Palácio do Eliseu, onde se encontrará também com as autoridades, a sociedade civil e o corpo diplomático.
À tarde, visitará a sede da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco), onde fará um discurso. Seguem-se a celebração de vésperas com bispos, padres, diáconos, pessoas consagradas e seminaristas na Catedral de Notre-Dame de Paris e, à noite, uma vigília de oração com jovens no Stade de France, em Saint-Denis.
O segundo dia da visita começa na Maison Bakhita, centro da Arquidiocese de Paris dedicado ao acolhimento e à integração de migrantes e exilados. Criada em 2021, a instituição proporciona, entre outros apoios, formação linguística e profissional e acompanhamento médico e psicológico.
Leão XIV encontra-se depois, no Instituto Católico de Paris, com membros da assembleia sinodal provincial, catecúmenos e neófitos. Ao início da tarde, preside a uma missa na Praça da Concórdia, antes de partir para Lourdes.
No santuário mariano – que já anunciou que irá cobrir os mosaicos que, desde 2007, decoram a fachada, da autoria do padre e artista Marko Rupnik, acusado de abusos sexuais e de poder – o Papa reza na Gruta de Massabielle ao final do dia. Já no domingo, reúne-se com os bispos da Conferência Episcopal Francesa e celebra uma missa no prado do santuário, seguida da oração do Angelus.
O programa inclui ainda encontros com trabalhadores e hóspedes do Accueil Notre-Dame — estrutura que recebe pessoas doentes ou com deficiência durante as peregrinações — e, em privado, com religiosas contemplativas no Carmelo de Lourdes. O dia termina com a recitação do terço e a procissão das velas.
Em Metz, as raízes da Europa
O último dia da viagem decorre em Metz, cidade ligada à juventude e formação de Robert Schuman, um dos principais impulsionadores do projeto europeu. Leão XIV participa num encontro inter-religioso e, logo depois, numa sessão intitulada “Nas raízes da Europa pela paz e a unidade”, ambas no Centro de Congressos Robert Schuman.
À tarde, celebra missa na Catedral de Santo Estêvão, antes de regressar a Roma, onde deverá chegar às 20h50.
O logótipo da visita recupera a forma circular das rosáceas das catedrais góticas. Ao centro, um arco ogival e uma cruz evocam a dimensão apostólica e litúrgica da deslocação; uma pomba com um ramo de oliveira representa o Espírito Santo e a paz. A composição cruza as cores de França e do Vaticano com o verde, associado à esperança.

O logotipo da viagem de Leão XIV a França.










