O Papa Leão XIV visitou este sábado a República de São Marino e a cidade italiana de Rimini, onde participou no ‘Meeting’ promovido pelo movimento Comunhão e Libertação.
Logo pela manhã, foi recebido com honras militares, “com a execução dos hinos nacionais”, às 09h45, na Praça da Liberdade, pelos capitães-regentes. Perante as autoridades, Leão XIV afirmou que “promover a liberdade implica defender os espaços de consciência”. “Não existe verdadeira liberdade civil sem liberdade pessoal, ou seja, sem o respeito e a promoção da dignidade da pessoa humana, da qual a liberdade é uma componente essencial. Esta liberdade é concedida e garantida, em última análise, por Deus, cuja voz ressoa na consciência de cada ser humano”, referiu, no discurso proferido na Sala do Conselho Grande e Geral, perante autoridades e sociedade civil.
No discurso, o Papa lembrou os “muitos homens e mulheres que, em todas as épocas e em todos os lugares, são mártires da liberdade porque testemunham precisamente o primado da consciência”. “Ainda hoje, em muitas partes do mundo, não faltam pessoas que permanecem fiéis à sua consciência mesmo em contextos de grande adversidade, testemunhas da verdadeira liberdade, aquela que deriva do facto de serem filhos e filhas de Deus”, lembrou.
“Com admiração, expressamos a nossa solidariedade para com todos aqueles que, neste momento, pagam pessoalmente por não terem traído a sua consciência”, mencionou.
Após este encontro, o Papa foi recebido pelo bispo de San Marino-Montefeltro, D. Domenico Beneventi, e pelo reitor, o padre Marco Mazzanti, na Basílica de São Marino. Após falar aos presentes sobre a sua preocupação com as guerras “num mundo ferido por muitos conflitos, onde se assiste, com preocupação, ao aumento da violência, do isolamento e do medo do outro” e de pedir à juventude que sigam, “com o olhar da alma, os caminhos traçados em vós pelos grandes desejos de beleza, de bondade e de vida que levais no coração” porque “se observardes atentamente esses percursos e escutardes a sua voz, eles levar-vos-ão para o alto, ao encontro com Deus, ali onde Ele vos procura e vos espera”, Leão XIV incluiu ainda um agradecimento aos sacerdotes, catequistas e a todos os educadores que, “através de diferentes percursos e propostas, se empenham no crescimento humano e cristão dos jovens”. “O vosso trabalho, caríssimos, é discreto mas muito importante; é um serviço humilde e precioso, pois vem em auxílio dos pais, os primeiros responsáveis pela educação na fé dos filhos. A família, de facto, é o primeiro local de formação na fé, o seio natural onde, desde a infância, o Evangelho se aprende e se vive diariamente”, destacou.

Papa aos sacerdotes e religiosos. Foto © Vatican Media
Nesse sentido, assinalou o Papa, “uma pastoral sensata terá o cuidado de alimentar uma forte sinergia formativa entre as famílias e as comunidades eclesiais, um pacto educativo, para que os pais se sintam envolvidos, redescubram a fé de uma forma nova e tenham a alegria de transmitir aos filhos os valores cristãos de que são depositários”.
Depois deste encontro, o Papa saudou os fiéis no exterior da basílica, e regressa ao aeroporto de Torraccia, de onde partiu para a vizinha localidade costeira de Rimini, onde participou na 47ª edição do ‘Encontro para a Amizade entre os Povos’ 2026, do movimento católico Comunhão e Libertação, onde destacou que “o amor é a lei da vida” e “o método da redenção” e apelou a opor a misericórdia ao falso realismo. “Ao falso realismo, que rearma mentes, palavras e nações, a cultura católica tem hoje de opor o realismo da misericórdia, segundo o qual não podem existir inimigos e todos, mesmo os adversários, são irmãos e irmãs que devem ser olhados nos olhos e encontrados na verdade”, afirmou o Papa, perante cerca 60 mil pessoas, segundo dados do ‘Vatican News’.
Na sua intervenção, Leão XIV salientou que “seguir Jesus Cristo após as tragédias e os recomeços do século XX implica, na verdade, uma consciência lúcida: o mal não se combate com o mal”. Apesar de o pecado existir, indicou o pontífice, “mais forte do que ele é o amor redentor de Cristo”, que empenha todos “a purificar pensamentos, interesses, hábitos, companhias, projetos, investimentos – todos os aspectos da vida – de tudo o que a cultura do poder contaminou”.

Papa discursa no Encontro promovido pelo movimento Comunhão e Libertação. Foto © Vatican Media
O Papa exortou a libertar “a convivência da suspeita, a cultura da prepotência, a educação da ideologia, o trabalho da idolatria do lucro, a tecnologia e as finanças dos negócios de morte”. “A partir das organizações que criámos e nas quais atuamos, desmascaremos as injustas relações de poder, que estão na origem da pobreza e das desigualdades, da guerra e dos desastres ambientais”, incentivou.
Após o encontro, o Papa encontrou-se com doentes e reclusos assistidos pela Cáritas na catedral da cidade de Rimini, pedindo-lhes que se deixem curar por Jesus. “Esta é a Catedral de Rimini, e aqui vocês estão em casa! Sim, porque o Senhor Jesus, quando encontrava pessoas doentes, com deficiência ou pobres, acolhia-as e colocava-as no centro, para as curar, para lhes devolver uma vida à altura da sua dignidade”, referiu Leão XIV, após saudar os presentes.
O pontífice lembrou que era assim que Cristo “mostrava a todos os sinais do amor de Deus, da sua infinita misericórdia” e depois, “essas pessoas, curadas e reerguidas” por Ele, “muitas vezes seguiam-no e passavam a fazer parte da comunidade dos discípulos”. “É assim que também nós devemos agir: deixar-nos curar por Jesus, deixar-nos perdoar, converter e, depois, caminhar juntos na sua Igreja, a comunidade que Ele formou para levar a todos o Evangelho da sua vitória sobre o pecado e a morte”, destacou.
O Papa agradeceu ao bispo e à Cáritas de Rimini por terem organizado o encontro e aos participantes por terem respondido ao convite.

Papa encontrou-se com doentes e reclusos apoiados pela Cáritas local. Foto © Vatican Media
O programa do dia terminou com a Eucaristia, no porto de Rimini, pelas 18h00 locais. Na homilia, o Papa alertou para as formas de prazer que conduzem à dispersão e apontando o íntimo da alma como “o lugar mais verdadeiro onde encontrar descanso”. “O mundo em que vivemos oferece muitas formas de lazer, algumas das quais, porém, conduzem mais à dispersão e à ruína do que a um verdadeiro ‘reencontrar-se’, e deixam um vazio no coração. Há quem lhes chame ‘evasão’, como se a vida quotidiana fosse uma prisão da qual fugir”, afirmou Leão XIV.
Com a participação de 25 mil pessoas, de acordo com o ‘Vatican News’, a Missa marcou o final da visita pastoral de Leão XIV à República de São Marino e ao ‘Encontro para a Amizade entre os Povos’ 2026, do movimento católico Comunhão e Libertação. “Sabemos que o lugar mais verdadeiro onde encontrar descanso, onde encontrar Deus para nos encontrarmos verdadeiramente uns com os outros, não está lá fora, no caos, mas dentro de nós, no íntimo da alma”, destacou o Papa.

Papa encerrou a visita com a Eucaristia no Porto de Rimini. Foto © Vatican Media
Leão XIV lembrou que a comunidade cristã é chamada “de forma especial a cultivar essa experiência e a transmiti-la, através da abertura e da hospitalidade pessoal e das estruturas, no cuidado e no ambiente de recolhimento das igrejas, na disponibilidade para a ajuda e a caridade”.
“E isto tanto para com quem procura um merecido tempo de descanso após um ano de trabalho, como para com quem, ferido no corpo e no espírito, pede refúgio, alimento e assistência longe da sua terra”, indicou.










