Reunião do C9

Papa volta a sentar mulheres à mesa dos cardeais, porque elas não são “cachorrinhos que se alimentam das migalhas”

| 16 Abr 2024

Papa Francisco com irmã Linda Pocher, irmã Regina Pedro e teóloga Stella Morra, após reunião do C9, 15 abril 2024. Foto Vatican Media

Papa Francisco com irmã Linda Pocher, irmã Regina Pedro e teóloga Stella Morra, após a sua participação na reunião do C9. Foto © Vatican Media

 

Pela terceira vez consecutiva, o Papa convidou algumas mulheres a participar na reunião do Conselho dos Cardeais (C9). E elas aceitaram o convite: esta segunda-feira, 15 de abril, marcaram presença na Casa Santa Marta, não apenas os nove cardeais que regularmente aconselham o Papa no governo da Igreja, mas também a socióloga e teóloga italiana Stella Morra, a irmã Regina da Costa Pedro, diretora das Pontifícias Obras Missionárias (POM) do Brasil, e a irmã Linda Pocher, professora de Cristologia e Mariologia na Pontifícia Faculdade de Ciências da Educação Auxilium de Roma, que já havia estado presente nas últimas reuniões.

Escutar as mulheres “é fundamental porque nós somos a maioria, nós somos pessoas ativas na Igreja, o Espírito tem muito a dizer à Igreja e ao mundo através das mulheres. Então, a escuta das mulheres é algo que enriquece a Igreja e a ajuda a caminhar mais segundo aquilo que é o projeto de Deus”, enfatizou a irmã Regina da Costa Pedro, em declarações ao Vatican News, após ter participado na reunião.

A diretora das POM Brasil considera muito positiva a “atitude da Igreja de querer superar essa dívida de escuta que tem para com tantos sujeitos eclesiais, entre eles as mulheres” e encara-a como “uma porta aberta deste processo sinodal para ouvir tantas outras pessoas”, nomeadamente os leigos, os jovens e outras minorias marginalizadas.

De resto, sentada ao redor da mesma mesa que o Papa e os cardeais de diferentes proveniências, nesta segunda-feira, Regina da Costa Pedro diz ter-se sentido numa “mini-sala sinodal”.

E durante a reunião uma das mensagens que a religiosa procurou passar foi, precisamente, a da “importância de sentar-se à mesma mesa, e não que alguns estejam sentados à mesa e que outros estejam sentados debaixo da mesa”. Uma situação que continua a acontecer, alertou: “muitas vezes, as mulheres são colocadas à margem da Igreja, mesmo estando ao centro. Como se fosse normal que se alimentassem das migalhas que caem da mesa”, tal como acontece com “os cachorrinhos”.

Referindo a passagem bíblica do encontro de Jesus com a mulher Cananéia, Regina Pedro partilhou com os cardeais a sua interpretação: “é como se Jesus saísse da mesa e se colocasse debaixo da mesa junto com a mulher, vendo a perspectiva dela, e a partir daí descobrindo como é grande a fé dessa mulher”. Nesse momento, destacou a religiosa, aquela mulher passou a ser “protagonista”.

Insistindo que são precisos “passos de superação” para vencer o “machismo que existe na Igreja”, a diretora das POM Brasil concluiu: “quando a Igreja realmente acordar para tudo aquilo que o espírito tem a dizer também a partir de nós, acreditamos que essas indicações são importantes para que haja uma mudança”.

 

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