Nomeações no Vaticano

Papel das mulheres na Igreja: serão os elogios ao Papa realmente justificados?

| 4 Out 2021

O Papa Francisco, na Praça de São Pedro: as mulheres devem ter mais lugares de responsabilidade. Foto © Ashwin Vaswani/Unsplash

 

As recentes nomeações de teólogos de todo o mundo para a Comissão Teológica Internacional (CTI), da iniciativa do Papa Francisco, contrariam a “boa imprensa” de que ele goza quanto à promoção do papel da mulher na vida da Igreja Católica, segundo o editor do La Croix Internacional, Robert Mikens.

A CTI foi criada pelo Papa Paulo VI, na sequência do Concílio Vaticano II, abrindo assim campo a que os teólogos de projeção internacional pudessem continuar a ter influência em Roma, como tinham tido nos trabalhos conciliares, mas agora em interação próxima com a Congregação para a Doutrina da Fé.

Embora ser membro desta Comissão não se compare a “ter uma posição de destaque na Cúria Romana”, afirma Mickens, a verdade é que representa uma posição de destaque. Contudo, observa o jornalista do La Croix, “a coisa mais dececionante sobre as pessoas que Francisco acaba de selecionar para o mandato de 2021-2016 não é tanto que poucos possam ser considerados teólogos de classe mundial (ou pelo menos internacionalmente conhecidos). A verdadeira desgraça é que cerca de 78,6% deles são padres” e apenas cinco são mulheres (das quais três são membros de congregações religiosas).

Por conseguinte, entre os 28 teólogos que passam a compor a CTI, 82,2 por cento são homens (já que também há um leigo na lista) e 17,8 são mulheres, o que não reflete a teologia ou a Igreja hoje, sustenta o articulista.

“Em primeiro lugar, explica Robert Mickens, não reflete a realidade académica hoje, na maior parte do mundo, onde os leigos – muitos deles mulheres – estão cada vez mais a superar os clérigos nas faculdades de teologia – e por uma grande margem. E, em segundo lugar, não é propriamente um endosso retumbante da competência dos leigos, poucos dias antes do lançamento da fase preparatória da assembleia do Sínodo dos Bispos sobre a sinodalidade”.

Não acabam aqui as críticas do editor de La Croix Internacional. Se se olhar à geografia da proveniência dos novos membros da CTI, além de serem maioritariamente homens e clérigos, metade provêm da Europa, contra apenas três da África e dois da Ásia, por exemplo. Mantém-se assim “o status quo de uma Igreja eurocêntrica, que é surpreendentemente o oposto do que o papa argentino vem perseguindo durante seus mais de oito anos como bispo de Roma”.

Para ser justo com o Papa, o colunista reconhece que a lista de candidatos a membros da CTI é da responsabilidade do prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé (CDF), que apresenta os nomes depois de ouvir as conferências episcopais nacionais em todo o mundo. Ele então apresenta a lista ao papa que, dizem, quase sempre a aprova sem alterações.

Mickens aproveita para contrariar também a ideia de que o Papa Francisco está a fazer “avanços significativos na promoção de mulheres para cargos importantes no Vaticano”. “O número de posições de primeiro plano não é significativo. É marginal” e, de um modo geral, o padrão é de “envio de mensagens contraditórias”, nesta matéria. E numa observação que faz o título da coluna esta semana acrescenta: “Francisco está a dançar cuidadosamente em torno da questão do papel das mulheres na Igreja. Não está claro quão sério ele realmente é, e até onde ele provavelmente irá, de forma a chegar à tomada de decisões e outras funções ministeriais”.

 

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