Para que serve a oração? Para nutrir o desejo

| 7 Set 2022

Uma reflexão acerca das particularidades da oração cristã, a partir dos comentários que, acerca do “Pai Nosso”, eram feitos pelos teólogos dos primeiros séculos cristãos – os chamados Padres da Igreja. A Oração dos Cristãos – o Pai Nosso Comentado pelos Padres da Igreja, o novo livro de Isidro Lamelas, frade franciscano e professor na Faculdade de Teologia da Universidade Católica Portuguesa, é uma proposta de renovação da experiência orante que nos transporta aos ritos de fundação dos Padres da Igreja para percebermos que “Jesus não ensinou quantas vezes ou quanto e quando, mas como se deve orar”.

Tudo o que é muito usado tende a desgastar-se e os crentes de hoje revelam um manifesto cansaço relativamente às fórmulas antigas de oração, verifica o autor. A resposta a esta fadiga poderia passar pela “modernização” dessas formas tradicionais ou até pelo abandono das mesmas, substituindo-as por modelos novos e adaptados a cada tempo e lugar. Sem negar a necessidade de uma permanente atualização das linguagens e formas de experiência orante, não será menos proveitoso reaprender a orar, regressando às fontes e momentos fundantes dessa experiência.

Essa é a proposta do livro, que dá a palavra principal aos Padres da Igreja, ou seja, aos mestres da espiritualidade cristã que, ao longo dos primeiros séculos cristãos, rezaram, meditaram e comentaram o Pai Nosso, no qual viram um compêndio ou síntese do Evangelho e o protótipo de toda a oração. Os comentários patrísticos ao Pater evidenciam, por um lado, a particularidade da oração cristã; por outro mostram-nos que a “Oração do Senhor” dos cristãos é, ao mesmo tempo, o “compêndio” de todas as orações do Povo de Israel e um modelo inspirador para todo o homem e mulher orante.

Neste texto de apresentação escrito para o 7MARGENS a partir do conteúdo do livro, o autor explica o sentido da obra. A Oração Cristã terá uma apresentação pública no próximo sábado, 10, às 17h30, junto do pavilhão da Universidade Católica Editora na Feira do Livro de Lisboa.

 

a oracao dos cristaos livro isidro lamelas (1200 × 900 px)

O livro dá a palavra aos mestres da espiritualidade cristã que, ao longo dos primeiros séculos cristãos, rezaram, meditaram e comentaram o Pai Nosso.

Oração – A resposta a uma fadiga

Tanto a experiência comum do homo religiosus, como a multissecular vivência judaico-cristã, mostram-nos como a oração é um dos grandes patrimónios imateriais da humanidade.

Os nossos contemporâneos mostram, contudo, alguma fadiga e até aversão à simples palavra oração, preferindo substituir as tradicionais fórmulas de prece por variadas formas de meditação.

A resposta para esta fadiga poderá passar pela “modernização” das formas tradicionais de orar ou até pelo abandono das mesmas, substituindo-as por modelos novos e adaptados ao nosso tempo. Sem negar a necessidade de uma permanente atualização das linguagens e formas de experiência espiritual, pensamos não ser menos proveitoso reaprender a orar, regressando às raízes comuns do homo orans, e, no caso dos cristãos, retornar às fontes da experiência orante bíblico-cristã. Na primeira aceção vemos que é natural o Homem orar, assim como é da sua natureza sonhar e desejar; mas a revelação bíblica acrescenta que a oração é também uma marca do sobrenatural em nós, ao ensinar-nos que, como lembra S. Agostinho, foi o próprio Deus «que ensinou esse desejo».

Efetivamente, se é verdade que todos os povos e religiões desenvolveram a experiência orante, foi no seio do Judaísmo e Cristianismo que a oração encontrou maior e mais documentada expressão. E não será ousado dizer que a oração de Jesus, para além de recapitular e aperfeiçoar todas essas experiências espirituais humanas do passado, assinala o culminar de uma longa aprendizagem histórica, que coincide com uma progressiva aproximação do Homem a Deus.

 

Orar e escutar

Em sintonia com a tradição judaica e bíblica, a primeira exigência colocada ao orante é a escuta. A fé comum de Israel e da Igreja nasce da escuta: Escuta Israel (Dt 6,4; cf. Rm 10,17) ou ainda: Fala, Senhor, que o teu servo escuta! (1Sm 3,9). Sabemos que, noutras religiões e piedades, a fórmula de prece decorria, tendencialmente, em termos inversos: escuta, Senhor, que o teu servo fala? Ora, na espiritualidade cristã, a oração começa por ouvir o Pai e o Filho: Este é o meu Filho muito amado: escutai-o! (Mc 9,7). Onde não há escuta, não há, portanto, verdadeira oração, a não ser como exercício meramente humano.

Cientes disso, os seguidores de Jesus sentiram a necessidade de pedir: Senhor, ensina-nos a orar (Lc 11,1). Ao que o Mestre respondeu, ensinando a orar não com muitas palavras, como faziam os pagãos (Mt 6,7), mas, em primeiro lugar, com a vida e atitude de total escuta e obediência ao Pai celeste. Jesus, que sempre orava, ensinounos, assim, que, na comunicação com Deus, o mais importante não é a quantidade, mas a qualidade das palavras, ou melhor, a atenção à Palavra.

Ao ensinar os seus discípulos a orar, o Mestre não quis acrescentar mais uma fórmula de piedade às muitas já conhecidas, mas propôs uma nova maneira de orar, o mesmo é dizer, um modo novo de relação com Deus e com os nossos semelhantes. A Oração do Senhor tornou-se, a partir de então, a oração de todos os que chamam a Deus Pai Nosso e desejam ardentemente que a Sua vontade se faça na Terra como no Céu. Deus passa, assim, a estar ao alcance de todos os que na terra anseiam, cada dia, por antecipar o céu.

O Pai Nosso é, ao mesmo tempo, o “compêndio” de todas as orações do Povo de Israel[1], e a nova forma de orar que Jesus ensinou aos seus seguidores, no contexto do chamado “Sermão da Montanha” e na sequência das “Bem-aventuranças” (Mt 6,1-13). Nesse novo Sinai, o Deus de Abraão e de Moisés revela-se a todas a nações e povos como Pai de todos os que escutam e vivem as Bem-aventuranças.

 

Para que serve a oração?

Do ponto de vista prático e utilitarista, a oração não serve para nada, como já reconhecia o grande Orígenes: “Há que ter presente as opiniões daqueles que pensam que nada se obtém pela oração e, por isso, sustentam que é inútil rezar” (De Oratione, 5,1).

A esta constatação acrescenta-se a comum objeção: “Que necessidade de dirigir uma oração a Deus que, antes que o façamos, já conhece aquilo de que precisamos?, conforme nos garante o próprio Jesus: O Pai celeste já conhece aquilo de que precisamos, antes que a ele peçamos (Mt 6,8)” (Ibid. 5,2).

Nas palavras do citado mestre Alexandrino: “sem necessidade de que se lhe peça na oração, como pai Deus faz-se cargo dos seus filhos e não espera que eles lhe peçam, já que são inteiramente incapazes de fazê-lo, ou, por ignorância, pretendem por vezes obter coisas inúteis ou prejudiciais” (Ibid. 5,3).

Ainda bem, portanto, que Deus não atende todos os nossos pedidos. Na verdade, a primeira aprendizagem de quem pede é aprender a pedir. No caso de Deus Pai, não faz muito sentido pedir coisas ou que mude os acontecimentos, mas sim, que alimente em nós o desejo d’Ele e nos transforme interiormente no caminho do aperfeiçoamento espiritual.

 

Amplificar o desejo

No Pai Nosso exercita-se especialmente o desejo de Deus, ou, como explica S. Agostinho, exercitamos o desejo de plenitude e felicidade que habita todo o ser humano.. Foto © Taizé.

 

À pergunta “para que serve orar?”, os mestres da oração, inspirados em Jesus, responderam: “para alimentar o desejo”. A oração é, de facto, a ginástica do desejo. “Se és habitado pelo desejo de ver a face do Pai que está nos Céus – ensina Evágrio – não te deixes levar por nada deste mundo” (Sobre a oração, 114).  No Pai Nosso exercita-se especialmente o desejo de Deus, ou, como explica S. Agostinho, exercitamos o desejo de plenitude e felicidade que habita todo o ser humano.

“O teu desejo é a tua oração, e se o teu desejo for continuado, contínua será a tua oração. Não foi por acaso que o Apóstolo disse: Orai sem cessar (1Ts 5,17)… há uma oração interior não interrompida que é o desejo. Faças o que fizeres, se desejares Deus, nunca interrompes a tua oração. Se não queres interromper a tua oração, não interrompas o teu desejo. O teu desejo continuado e a tua voz continuada” (En. in Psal. 37,14).

Face às perguntas prováveis do crente de todos os tempos: “para quê rezar?”; “porquê manifestar nossos desejos a Deus, se Ele já conhece nossas necessidades?”, o bispo de Hipona explica que a oração do Pai Nosso exercita e, ao mesmo tempo, regula o desejo:

“Em primeiro lugar, Nosso Senhor suprimiu o palavreado, para não dirigires a Deus muitas palavras, como se quisesses ensinar a Deus com a abundância de palavras. Por isso, quando pedes, é preciso que seja com piedade não com verbosidade. Na verdade, o vosso Pai sabe o que necessitais, antes de lho pedirdes (Mt 6,8). Não queirais então falar muito, porque ele sabe o que necessitais. No entanto, não se dê o caso de alguém aqui dizer: “Se Ele sabe o que necessitamos, para que é que dizemos mesmo poucas palavras? Para que é que rezamos? Se Ele próprio sabe, então que nos dê o que Ele sabe que nos é necessário”. Mas Ele quis que rezes, precisamente para dar o necessário ao que o deseja, de modo a não parecer vil o que Ele vier a dar, visto que Ele também insinuou o próprio desejo. Portanto, as palavras que Nosso Senhor Jesus Cristo ensinou na oração são a regra dos desejos. Não te é lícito pedir nada para além do que aí foi escrito” (Sermão 56, 3. 4).

Por conseguinte, ao pedir o que desejamos, adestramos e orientamos o desejo (cf. Agostinho, Sermão 59,5.8). Ora o desejo mais profundo e radical do nosso ser coincide com a busca da felicidade, ou da vida feliz. Esta, porém, só pode ser saciada com o Sumo Bem que é Deus (cf. Agostinho, Ep. 130, 16, 30). Por isso o Hiponense nos aconselha: “pede a vida feliz que todos os homens buscam possuir… que outra coisa deves pedir?” (Ibid. 9,18).

Todas as petições que compõem o Pai Nosso não são mais do que concretizações deste desejo que nos habita em profundidade. Como lembra repetidamente S. Agostinho, “as palavras que Nosso Senhor Jesus Cristo nos ensinou na Oração são o modelo do que devemos desejar” (Sermão 56,4). Efetivamente, através desta Oração, são ativados tanto o desejo como a recetividade, duplo movimento fundamental no progresso espiritual: “nosso Deus e Senhor quer exercitar com a oração [do Pai Nosso] nosso desejo, e assim prepara a capacidade para recebermos o que nos há de dar”(Ep. 130,17).

Cada uma das súplicas da Oração do Senhor é concretização deste exercício de amplificação do desejo.

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Três desejos: o Nome, o Reino, a Vontade de Deus

Na célebre Carta dirigida A Proba, Santo Agostinho sintetiza assim o significado do Pai Nosso, isto é, da oração dos cristãos, esclarecendo a importância e significado das “palavras” ditas:

“Na oração, as palavras servem para nos estimular e nos fazer compreender melhor o que pedimos. Mas não pensemos que essas são necessárias para informar o Senhor ou forçar a sua vontade.

Quando dizemos: ‘Santificado seja o vosso nome’, estimulamo-nos a desejar que o nome de Deus, que é sempre santo em Si mesmo, seja também honrado como santo entre os homens, e nunca desprezado; coisa que não é para benefício de Deus, mas dos homens.

Quando dizemos: ‘Venha o teu Reino’ – o qual há de vir certamente, queiramos ou não –, excitamos o nosso desejo daquele reino, para que ele de facto venha a nós e mereçamos reinar nele.

Quando dizemos: ‘Seja feita a vossa vontade, na terra como no céu’, pedimos a obediência para que se cumpra em nós a sua vontade, como os seus anjos a cumprem no Céu.

Quando dizemos: ‘O pão nosso de cada dia nos dá hoje’, com a palavra ‘hoje’ entendemos o tempo presente em que pedimos tudo do que necessitamos significado na palavra ‘pão’; ou ainda o sacramento dos fiéis [Eucaristia] que é necessário nesta vida para alcançar a felicidade, não já deste mundo, mas a eterna.

Quando dizemos: ‘Perdoa as nossas dívidas como nós perdoamos a nossos devedores’, tomamos consciência do que pedimos, e do que devemos fazer para merecermos receber o perdão.

Quando dizemos: ‘Não nos deixes cair em tentação’, incitamo-nos a pedir que, mesmo quando não vemos a sua ajuda, não caiamos na tentação nem cedamos na aflição.

Quando dizemos: ‘Livra-nos do Mal’, recordamo-nos que ainda não estamos naquele sumo bem onde já não é possível sofrer mal algum. E estas últimas palavras da oração do Senhor têm um significado tão amplo, que o cristão, seja qual for a tribulação em que se encontre, pode com elas exprimir os seus gemidos, derramar suas lágrimas, dar início, continuar ou terminar a sua oração.

Necessitamos destas palavras para gravar na memória todas estas realidades. Quaisquer outras palavras que possamos usar na oração nada mais dizem para além do que se encontra já na Oração do Senhor, se orarmos reta e coerentemente.” (Carta 130,11,21-22).

 

Para saber mais: como oravam os primeiros cristãos?

É desta “necessidade” que trata o meu mais recente livro intitulado: A oração dos Cristãos; com o subtítulo: O Pai Nosso comentado pelos Padres da Igreja. São assim chamados os grandes mestres do pensamento Cristão dos primeiros seis séculos da nossa era. Estes Padres da nossa identidade cultural e cristã viram no Pai Nosso um resumo do Evangelho e o padrão de toda a vida orante, mas também a regra comportamental para uma nova ética transformadora do mundo. Embora conscientes de que para orar não são necessárias grandes teorias ou explicar tudo, estes nossos Pais também sabiam bem como a ignorância leva à desvalorização e negligência. Sentiram, por isso, a necessidade de explicar a Oração do Senhor, procurando “traduzir” os seus múltiplos significados e implicações para os homens e mulheres de cada tempo.

Desta forma, legaram-nos um verdadeiro tesouro, rico de textos e conteúdos que, infelizmente, continuam a ser desconhecidos da maioria dos nossos contemporâneos.

Vale, por isso, a pena relembrar como os primeiros cristãos e pastores oravam e entendiam a oração, na esperança de que o seu ensinamento ajude os homens e mulheres de hoje, como ajudou os cristãos do seu tempo e de outros tempos, a rezar melhor, orando como e com Jesus.

Ao avivarmos e preservarmos a memória de uma tradição orante, que já é, ela própria, património comum, visamos também evidenciar a continuidade e profundidade de uma experiência religiosa que merece, particularmente em nossos dias, ser conhecida e partilhada.

 

Isidro Lamelas é padre da Ordem dos Frades Menores (Franciscanos) e professor na Faculdade de Teologia da Universidade Católica Portuguesa

 

A Oração dos Cristãos – o Pai Nosso Comentado pelos Padres da Igreja
Autor: Isidro Lamelas, OFM
Edição: Universidade Católica Editora
Colecção Teologia e Estudos de Religião
174 págs., 7,90 euros

[1] AGOSTINHO, Carta 130, A Proba, 12,22.

 

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