
Alguns dos mais de 50 políticos europeus que assinaram uma declaração conjunta contra a perseguição aos bahá’ís no Irão. Foto: Direitos reservados
A Comissão Europeia e mais de 50 deputados e senadores de diversos países europeus fizeram nos últimos dias apelos ao governo iraniano para que ponha fim à perseguição à minoria religiosa bahá’í do país.
“A União Europeia apela firmemente às autoridades iranianas para que garantam o pleno gozo dos direitos humanos e das liberdades fundamentais para todos os iranianos, incluindo pessoas pertencentes a minorias étnicas, religiosas e linguísticas, como os bahá’ís”, afirmou o alto representante da União Europeia para Relações Exteriores e Política de Segurança, Josep Borrell, em resposta a uma questão parlamentar.
Paralelamente, 52 deputados e senadores de vários países europeus (Espanha, Itália, Eslováquia, Países Baixos, Irlanda, Áustria, Suécia e Alemanha) assinaram uma declaração conjunta, na qual expressam a sua consternação com o aumento dos ataques contra mulheres bahá’ís no Irão, “que enfrentam dupla perseguição, como mulheres e como bahá’ís”.
Este crescimento é “completamente inaceitável” e representa “uma tendência angustiante de hostilidades contra uma comunidade que enfrenta perseguição sistemática desde 1979”, pode ler-se no texto.
Assinalando que “72 dos 93 bahá’ís convocados ao tribunal desde o início de março são mulheres”, os políticos apelam “urgentemente” às autoridades iranianas para que “parem imediatamente a perseguição aos bahá’ís, libertem todos os prisioneiros bahá’ís e garantam a proteção de todo o seu espetro de direitos humanos”. Espetro esse que, especifica a declaração, “inclui os direitos à liberdade, emprego, liberdade de associação e expressão, propriedade, educação e o direito ao sepultamento”. E insistem: “esses direitos fundamentais devem ser mantidos sem qualquer forma de discriminação ou preconceito”.
“Acolhemos com satisfação estas duas declarações poderosas que mostram a grave e crescente preocupação na Europa com o bem-estar dos bahá’ís no Irão”, disse Rachel Bayani, representante da Comunidade Internacional Bahá’í (BIC) nas instituições europeias em Bruxelas, citada num comunicado da própria comunidade, divulgado esta quarta-feira, 3 de julho. “O governo iraniano deve saber que os seus crimes contra a inocente comunidade bahá’í no Irão se tornaram evidentes para todos — e que na Europa, e em todo o mundo, o seu abuso dos direitos humanos de mulheres e minorias e a perseguição sistemática de bahá’ís estão expostos para o mundo ver”.
Nas últimas semanas, a BIC relatou um aumento da opressão em relação à comunidade bahá’í no Irão, de que o 7MARGENS deu conta – desde a destruição das suas terras agrícolas à intensificação da perseguição das mulheres. Recentemente, dez mulheres iranianas detidas na Prisão de Evin – incluindo a vencedora do Prémio Nobel da Paz Narges Mohammadi – emitiram também uma declaração pública condenando a perseguição de que os bahá’ís, particularmente as mulheres, têm sido alvo no Irão.









