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Xexão, Maria da Conceição Moita

Voto de pesar pela morte de Xexão Moita proposto no Parlamento

| 05/04/2021

Xexão, Maria da Conceição Moita

A mulher “lutadora e fraterna” que foi Maria da Conceição Moita será homenageada pelo Parlamento no dia 8. Foto © Marta Parada

 

O Parlamento deverá aprovar na próxima quinta-feira, 8 de Abril, um voto de pesar pela morte de Maria da Conceição Moita, voz da vigília na Capela do Rato contra a guerra colonial e uma das últimas presas políticas do Estado Novo, que morreu na madrugada do passado dia 30, terça-feira, soube o 7MARGENS.

“A democracia tem uma dívida de gratidão para com aqueles homens e mulheres que deram corpo à ruptura do campo católico com a ditadura e a guerra colonial. Gente que se irmanou com quem combateu pela liberdade, encarando essa entrega como um serviço ao bem comum”, diz o deputado José Manuel Pureza ao 7MARGENS, justificando a iniciativa, que foi subscrita por deputadas e deputados do CDS, PSD, PAN, PS, PCP, PEV e BE – o que indicia a sua aprovação.

O texto a propor à votação, a que tivemos acesso, refere a “destacada militante católica empenhada na luta pela liberdade contra a ditadura, pela paz contra a guerra colonial e pela justiça contra as desigualdades”.

Pureza não tem dúvidas: “Pela sua vida de compromisso com a transformação da sociedade, pautado pelos critérios do Evangelho, a Xexão [como era conhecida entre familiares, amigos e vários outros círculos] foi uma referência do combate pela democracia e pela liberdade.”

No voto de pesar que será proposto, esse trajecto também é recordado: “Neste contexto de contestação ao salazarismo e à guerra colonial, através de inúmeras acções concretas em que a intervenção política e a fundamentação evangélica se uniram, Maria da Conceição Moita veio a ser uma das organizadoras da vigília pela paz da Capela do Rato de 30 de Dezembro de 1972, uma das iniciativas mais emblemáticas levadas a cabo por católicos neste âmbito, tendo sido ela que leu a declaração que convocava a vigília de 48 horas de oração pela paz, assumindo o compromisso de dois dias de jejum completo, como protesto contra situação de guerra que se vivia em Portugal, em solidariedade com as suas vítimas e contra a ausência de uma condenação por parte da hierarquia católica.”

José Pureza recorda que o combate de Conceição Moita “foi de uma enorme valentia antes do 25 de Abril, levando-a à prisão e à tortura”. Não por acaso, acrescenta, “a Xexão é um dos rostos icónicos do 25 de abril de 1974: começou por sê-lo por antecipação, na viragem de 1972 para 1973, no terramoto que a vigília pela paz, na Capela do Rato, provocou no regime e na Igreja” e foi-o de novo na madrugada de 27 de Abril, com a imagem da sua libertação da prisão de Caxias “o símbolo do fim da infâmia da prisão por motivos políticos nas masmorras da PIDE”.

A “bravura e coerência exemplar” de Maria da Conceição Moita “continuaram em todos os anos da democracia, com uma disponibilidade formidável para a mobilização pela paz, pela justiça e pelo aprofundamento da democracia”, acrescenta José Manuel Pureza. Por tudo isto, o deputado bloquista considera que o Parlamento fará bem em exprimir, “em nome da democracia, o seu respeito e a sua gratidão à Xexão”.

Será esse, diz, o sentido do voto de pesar que será apreciado no próximo dia 8, em memória da “mulher lutadora e fraterna que foi Maria da Conceição Moita”, como diz o texto proposto.

 

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