Parlamento unânime no pesar pela morte de D. Manuel Vieira Pinto

Vieira Pinto em Moçambique: uma “figura maior na luta pela afirmação da dignidade da pessoa humana”, considerou o Parlamento. Foto: Direitos reservados.
A Assembleia da República homenageou o antigo arcebispo de Nampula, Manuel Vieira Pinto, que morreu aos 96 anos no passado dia 1 de Maio, com um voto de pesar que o define como “figura maior na luta pela afirmação da dignidade da pessoa humana no Portugal contemporâneo”.
A proposta do voto foi apresentada pelo presidente da Assembleia da República, Ferro Rodrigues, e aprovada por unanimidade pelos deputados, na reunião desta quinta-feira, 14 de Maio, noticia a agência Lusa, citada pela Rádio Renascença.
No texto, Vieira Pinto é recordado como uma “voz livre e corajosa” que se fez ouvir, fosse “em defesa do diálogo intercultural e interreligioso, fosse na promoção dos direitos humanos, fosse na exortação ao reconhecimento do direito do povo moçambicano”.
Nascido em Amarante, distrito do Porto, a 9 de Dezembro de 1923, Manuel Vieira Pinto foi nomeado bispo de Nampula em 1967. Desde o início denunciou as condições sociais vigentes no período colonial português, acabando a publicar a carta Repensar a Guerra, em Janeiro de 1974. Dois meses depois, assinou também o documento Imperativo de Consciência, com os Missionários Combonianos, o que lhe valeu a expulsão do território e o regresso forçado a Portugal, decretados pelo regime ditatorial do Estado Novo. Chegou a Lisboa em pleno Domingo de Páscoa desse ano, depois de ter vivido um assalto à catedral de Nampula.
Regressado a Moçambique logo no início de 1975 ali permaneceu até 2000, quando resignou ao cargo por limite de idade.
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