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Abusos sexuais, vigília, oração, Jerónimos

Um dos nomes do Patriarcado

Pároco da Malveira anunciou afastamento por acusação de abusos

| 28/03/2023

Abusos sexuais, vigília, oração, Jerónimos

Vigília de oração pelas vítimas de abusos sexuais na Igreja, promovida por católicos nos Jerónimos, dia 22 de Fevereiro 2023. Foto © António Marujo/7Margens

 

Um dos quatro padres afastados pelo patriarca de Lisboa das suas funções anunciou no domingo, no final das celebrações da missa na Malveira e na Venda do Pinheiro (ambas paróquias de Mafra), onde era pároco, que se afastaria das suas funções até conclusão do inquérito iniciado na sequência do relatório da Comissão Independente e dos testemunhos ali validados – contaram testemunhas oculares ao 7MARGENS.

O padre Teodoro Dias de Sousa já pedira também, quatro dias antes, a demissão do seu cargo de assistente eclesiástico da Academia de Música de Santa Cecília (AMSC), de acordo com notícia da SIC da noite de domingo, 26 de Março.

Em comunicado citado por aquela estação, o conselho administrativo da escola confirmou ter recebido o pedido de demissão, que aceitou “prontamente”. Ao mesmo tempo, a direcção da escola sublinhava que “nunca tomou conhecimento de qualquer acusação ou indício” de que o padre “não tenha, ao longo dos anos da sua ligação com a escola, desempenhado as suas funções com a maior dignidade sacerdotal”.

Para os responsáveis da AMSC, de acordo com o comunicado citado também no Público, estava em causa, apenas, a “salvaguarda inequívoca da imagem da Academia de Música de Santa Cecília, e do código intransigente de princípios de humanismo cristão que sempre a norteou na educação e formação integral dos seus alunos”.

A direcção da escola defendia ainda o “legítimo direito de defesa que assiste face a qualquer acusação e da presunção de inocência que deve prevalecer até ao trânsito em julgado do respectivo processo”.

Teodoro de Sousa é, assim, o segundo dos quatro padres no activo que o Patriarcado de Lisboa decidiu afastar do exercício público do ministério. Na semana passada, o padre Mário Rui Pedras, pároco de São Nicolau e da Madalena, também anunciou em comunicado que era um dos nomes que constava da lista de alegados abusadores de menores que a Comissão Independente para o Estudo dos Abusos Sexuais de Crianças na Igreja Católica entregou a cada bispo. [ver 7MARGENS]

O padre que agora anunciou o seu afastamento nasceu em 1949 e foi ordenado padre em 1978. Fez o curso de Educação pela Arte no Conservatório Nacional e, no Pontifício Instituto de Música Sacra, a licenciatura em Música Sacra e Direcção de Coro e o mestrado em Canto Gregoriano. Foi ainda maestro do Coro da Universidade Católica Portuguesa.

O Patriarcado de Lisboa recebeu uma lista com 24 nomes de alegados abusadores, entregue pela Comissão Independente. Quatro eram padres no activo, agora afastados de funções enquanto aguardam o resultado das investigações iniciais. Um quinto, também ainda em funções, “já tinha sido sujeito a medidas cautelares”, de acordo com o comunicado do Patriarcado, divulgado dia 21.

A lista incluía ainda oito padres que já moreram, dois que estão “doentes e retirados”, três “sem qualquer nomeação” e um que abandonou o ministério. Havia ainda um leigo e os outros quatro nomes não são reconhecidos pela diocese.

De acordo com o comunicado, não há “uma acusação formal a nenhum” dos clérigos e todos eles “solicitaram a rápida busca da verdade e da justiça, abrindo-se agora a investigação prévia de cada um dos casos, que posteriormente será enviada ao Dicastério para a Doutrina da Fé”.

No resto do país, há outros oito padres afastados de funções a partir das listas entregues pela Comissão Independente: três no Porto, dois em Angra do Heroísmo (Açores) e um em cada uma de outras três dioceses: Braga, Évora e Guarda. Na diocese de Leiria-Fátima e no Corpo Nacional de Escutas outros dois leigos foram suspensos.

 

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