A escalada de ataques de colonos israelitas contra a comunidade e a vila de Taybeh, na Cisjordânia, classificada como “a última vila inteiramente cristã da Palestina ocupada”, motivou a apresentação pelo representante parlamentar do Bloco de Esquerda (BE), Fabian Figueiredo, de um voto de condenação na Assembleia da República.
Ao mesmo tempo, aquele parlamentar dirigiu ao Ministério dos Negócios Estrangeiros uma série de perguntas sobre a posição do Governo português, bem como sobre as iniciativas que adotou ou tenciona adotar relativamente a este problema.
O deputado, que foi também recebido esta segunda feira pelo pároco católico de Taybeh, padre Bashar Fawadleh, recorda que esta localidade corresponde à antiga Efraim bíblica, onde, segundo o Evangelho de João, Jesus se recolheu com os discípulos antes da Paixão. A presença dos cristãos naquele local remonta aos primeiros séculos, e desses tempos remotos permanecem as ruínas da igreja de S. Jorge, Al-Khader, do séc. V. A vila, com cerca de 1300 habitantes, tem mais duas paróquias, além da católica: a greco-ortodoxa e a greco-católica melquita.
Segundo refere o texto das iniciativas de Fabian Figueiredo, os cristãos representavam cerca de dez por cento da população da Palestina no começo do séc. XX. Hoje são menos de dois por cento dos habitantes da Cisjordânia, o que equivale a cerca de 50 mil pessoas. O caso de Belém é significativo: por volta de 1950 os cristãos eram a religião maioritária. Hoje não chegam aos dez por cento.
“Este declínio, sustenta o deputado português, não é um acaso demográfico. Resulta da ocupação militar, do confisco de terras, das restrições de circulação, da asfixia económica e da violência dos colonatos”.
Desde 2023, seis postos avançados de colonatos instalaram-se em redor da vila de Taybeh. Além disso, registaram-se incursões de colonos armados e mascarados, denunciadas por patriarcas e outros responsáveis das igrejas cristãs, que se queixavam de que as autoridades israelitas “facilitam e permitem” a sua presença. Em 2025, houve incêndios de veículos e de terrenos que chegaram aos muros da igreja de S. Jorge e do cemitério local e tiros disparados por colonos sobre os trabalhadores de uma pedreira local que não só nunca mais abriu como foi mesmo ocupada por israelitas, juntamente com uma fábrica de cimento.
Nos últimos meses, o assédio agravou-se com um incêndio de grandes dimensões na encosta sobranceira a Taybeh, a instalação de um posto avançado de colonos junto às casas e o começo de rondas de intimidação no interior da vila.
Segundo se refere nos documentos enviados ao 7MARGENS, não se conhece, até hoje, uma única detenção. Por seu turno, o pároco Fawadleh implora: “Pedimos que não nos esqueçam”.
Contudo, Taybeh não é caso isolado. Dados da ONU indicam que o ano de 2025 registou 1.835 ataques de colonos na Cisjordânia e 2026 decorre ao ritmo mais alto de que há registo, uma média de seis ataques por dia, sendo a região em que se situa a vila a mais atingida.
A iniciativa parlamentar pede, assim, que a Assembleia da República expresse a sua solidariedade ao povo palestiniano; condene os ataques dos colonos israelitas contra as comunidades palestinianas, cristãs e muçulmanas, da Cisjordânia ocupada, bem como “o regime de impunidade que os alimenta”; e apele à “responsabilização dos autores destes crimes, ao desmantelamento dos postos avançados que cercam [Taybeh] e à adoção, por Portugal e no quadro da União Europeia, de medidas concretas contra a política de colonatos e de anexação, em cumprimento do direito internacional”.










