Primeira fase prolongada

Pároco italiano lança a proposta de um Sínodo das Crianças

| 29 Out 2021

crianças cruz biblia foto chat karen studio

“A revolução de uma Igreja nova, diferente, resplandecente, que cuida de todos e principalmente dos fracos, deve começar por baixo e, neste caso, pelos mais pequenos”, defende o padre Fortunato Di Noto. Foto © Chat Karen Studio.

 

Acaba de surgir na Sicília, Itália, o projeto de lançar um sínodo das crianças. O autor da ideia é o padre Fortunato Di Noto, que alimenta há mais de dez anos o sonho de criar uma dinâmica de escuta dos mais pequenos, como forma de valorizar as crianças enquanto pessoas. A ideia, surgida já com o processo sinodal em andamento, pode ganhar fôlego, agora que a primeira fase do Sínodo foi prolongada até 15 de agosto de 2022.

A iniciativa do Sínodo das Crianças começou a fazer o seu caminho localmente, na paróquia do próprio Fortunato Di Noto e várias dioceses italianas estão a entusiasmar-se com a ideia. Uma recente entrevista deste pároco ao Vatican News deu uma amplitude maior à ideia e poderá vir a haver iniciativas nesse terreno noutras partes do mundo. Para já, figura na página do próprio Sínodo.

O motivo de um tal projeto reside no facto de muitas crianças serem “ignoradas, subestimadas e, no pior dos casos, maltratadas”, como no escândalo mundial dos abusos sexuais de crianças por elementos do clero. De resto, este pároco é conhecido em Itália como um lutador contra os abusos sexuais e contra a pornografia infantil online. Estas são, na sua opinião, razões acrescidas para escutá-las, “para ouvir os seus pedidos e desejos, para entender o que apreciam ou não da realidade em que vivem e para fazer os adultos refletirem”. Esse é o desafio mais importante: escutá-las.

Quando o padre Fortunato leu o Vademecum do sínodo da Igreja italiana, no qual, a certa altura, se convida à realização de iniciativas para os mais jovens, para não os excluir do processo sinodal; e quando viu o logotipo do Sínodo da Igreja universal – “um belo logotipo, diz ele, onde uma criança é a primeira na fila que representa o povo de Deus” – pensou que a ideia tinha pernas para andar e que era preciso passar aos atos.

Não se pense que a ideia não encontrou resistências, nomeadamente entre padres e bispos. “A Igreja é guiada pelos adultos, pelos que pensam, pelos teólogos, pelos eruditos, pelos sábios. O que é que as crianças podem dizer à Igreja, hoje?”, disseram-lhe. Mas ele não se fez rogado: “Respondi aos padres e a alguns amigos bispos que as crianças dizem e observam muito mais do que podemos dizer e observar. Hoje elas leem, pensam, escrevem cartas, trazem novos estímulos, novos caminhos; então porque não escutá-las? A revolução de uma Igreja nova, diferente, resplandecente, que cuida de todos e principalmente dos fracos, deve começar por baixo e, neste caso, pelos mais pequenos” e desde idades bem precoces: a partir do pré-escolar.

Fortunato Di Noto fez um trabalho sinodal na sua paróquia de Avola em torno de questões como: o que acham que é o sínodo; o que agrada ou desagrada na Igreja em que vivem; de que sentem falta; que gostariam de dizer ao bispo. E propôs também etapas de uma caminhada sinodal que incluem “a possibilidade de eleger um representante das crianças ou adolescentes ao longo deste caminho, que pode participar ativamente no conselho pastoral paroquial”.

“Ouvir as crianças é obedecer ao Evangelho”, remata Di Noto.

sinodo 2023 logotipo

O logotipo que inspirou o padre Fortunato a propor um sínodo das crianças.

 

Primeira fase do Sínodo tem prazo prolongado

Entretanto, o conselho ordinário do Sínodo dos Bispos decidiu prorrogar até 15 de agosto de 2022 o prazo para a apresentação das sínteses das consultas da fase local, a primeira do processo sinodal, aberta universalmente em 10 de outubro em Roma e uma semana depois nas dioceses.

A decisão de prolongamento do prazo, anunciada esta sexta-feira, 29, foi tomada para ir ao encontro de numerosos pedidos, de forma a “proporcionar uma oportunidade maior ao povo de Deus de fazer uma autêntica experiência de escuta e diálogo”. A alteração teve ainda em conta que “uma Igreja sinodal é uma Igreja que escuta” e que “esta primeira fase é essencial para este caminho sinodal”.

 

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