Contributos para o Sínodo (2)

Paróquia de Esmoriz (Ovar): Para que a Igreja deixe de ser um lugar estranho

| 8 Jun 2022

A Igreja não pode continuar a ser vista como um lugar estranho, diz a síntese paroquial de Esmoriz (Ovar), enviada para a diocese do Porto. Tem de “viver” mais, ser “uma Igreja de e para pessoas, uma Igreja justa e inclusiva” que acolha todos de forma pessoal. Prosseguimos a publicação de contributos para a maior auscultação alguma vez feita à escala planetária, lançada pelo Papa Francisco, para preparar a assembleia do Sínodo dos Bispos de 2023. Esse coro imenso de vozes não pode ser silenciado, reduzido, esquecido, maltratado. O Espírito sopra onde quer e os contributos dos grupos que se formaram para ouvir o que o Espírito lhes quis dizer são o fruto maduro da sinodalidade. O 7MARGENS publica alguns desses contributos, estando aberto a considerar a publicação de outros que queiram enviar-nos.

 

sinodo paroquia esmoriz foto fb

A paróquia de Esmoriz participou, no passado dia 14 de maio, no Encontro Sinodal Diocesano, para uma primeira partilha do trabalho realizado. Foto retirada da página de Facebook da paróquia.

escuta de Deus até ouvir com Ele o grito do povo;
escuta do povo, até respirar nele a vontade a que Deus nos chama.

 

  1. Como é que este “caminhar juntos” se realiza hoje na nossa paróquia

 

Que ideia de Igreja foi apresentada pelos participantes?

Os participantes apresentam uma Igreja fechada, centrada em si própria, distante das pessoas e da vida do dia-a-dia, dividida, triste e ritualizada, não inclusiva; uma Igreja que precisa de se renovar na forma e no discurso.

 

Quais os temas mais debatidos?

Os temas mais debatidos incidem na necessidade de uma verdadeira escuta uns dos outros assente na escuta de Jesus; na necessidade de uma participação verdadeiramente efetiva de todos; no afastamento dos jovens; na dificuldade e incapacidade de ser e dar testemunho do que é ser cristão; no “esquecer” Deus em tudo o que dizemos e fazemos; na dificuldade em compreender a linguagem da Eucaristia; na vivência individualizada e individualista da fé; num pendor muito infantilizado e sentimental na vivência da fé; na falta de relação humana e de laços entre todos; na ausência ou défice da base familiar para a vivência comunitária da fé; na falta de espiritualidade; na necessidade de maior preparação, formação e cultura religiosa; na necessidade de espaços físicos que possibilitem e potenciem a comunhão e a participação; na necessidade de um serviço administrativo a funcionar convenientemente.

 

Quais os temas que criaram maior tensão ou discordância entre os participantes?

A maior tensão centra-se no confronto que acontece entre opiniões e vontades próprias das pessoas em geral e orientações e decisões do pároco e dos responsáveis dos diversos serviços e setores da pastoral. Predominantemente a discordância de perspectivas incide em questões litúrgicas (eucaristias mais curtas, homilias mais perceptíveis, cânticos mais alegres, uso de outros instrumentos, participação mais ativa das crianças e dos jovens…).

 

Quais os aspetos positivos ou negativos mais relevantes?

A possibilidade e a concretização de espaços de escuta é um aspeto amplamente apontado como positivo, bem como a decisão de se iniciar um caminho sinodal na paróquia.

Como aspetos negativos é apontada a falta de acolhimento de todas as pessoas, independentemente da sua circunstância (divorciados, juntos, homossexuais, famílias monoparentais…); a falta de espaços e oportunidades de conversas abertas com o pároco para esclarecimento de dúvidas, inclusive dúvidas de fé; a manutenção de hábitos e rotinas que “matam” a comunhão; e a resistência à mudança, especialmente se vai contra a perspetiva pessoal.

 

Quais os pontos de vista que merecem maior destaque?

A Igreja não pode continuar a ser vista como um lugar estranho. Tem de “viver” mais, caracterizar-se por mais ação, ser uma Igreja de rua e não de interior, uma Igreja de e para pessoas, uma Igreja justa e inclusiva, uma Igreja que, sem perder a sua identidade, acolha todos de forma pessoal e não como números.

 

  1. Que passos o Espírito nos convida a dar para crescermos no nosso “caminhar juntos”

 

Embora nos diversos encontros e meios de escuta as propostas de mudança não tenham sido feitas de forma explícita e objetiva, pode-se intuir pelas partilhas que foram feitas que as áreas em que a Paróquia necessita de conversão passam pela preparação e formação dos leigos; pela atualização da sua linguagem, incluindo a linguagem litúrgica, tornando o Evangelho mais próximo de hoje e compreensível para as pessoas, sobretudo os mais novos; por momentos de oração diferentes da celebração dos sacramentos; por uma catequese mais apelativa e mais dinâmica, que envolva também os pais; por uma atitude de acolhimento sem julgar; por uma presença do pastor mais próxima e mais constante junto das ovelhas; pelo conhecimento dos diversos grupos da paróquia entre si e com os paroquianos; pela capacidade de chamar e envolver grupos de fora nas atividades eclesiais; por uma Paróquia capaz de comunicar eficazmente, com uma linguagem simples e objetiva; por uma Paróquia que proporcione experiências de fé; por uma Paróquia mais disponível para dar atenção aos outros e mais célere na sua ação, principalmente junto dos mais frágeis.

sinodo esmoriz tabela

 

 

Esmoriz, abril 2022, Comissão Sinodal Paroquial

 

Silêncio: a luz adentra no corpo

Pré-publicação 7M

Silêncio: a luz adentra no corpo novidade

A linguagem não é só palavra, é também gesto, silêncio, ritmo, movimento. Uma maior atenção a estas realidades manifesta uma maior consciência na resposta e, na liturgia, uma qualidade na participação: positiva, plena, ativa e piedosa. Esta é uma das ideias do livro Mistagogia Poética do Silêncio na Liturgia, de Rafael Gonçalves. Pré-publicação do prefácio.

pode o desejo

pode o desejo novidade

Breve comentário do p. António Pedro Monteiro aos textos bíblicos lidos em comunidade, no Domingo I do Advento A. Hospital de Santa Marta, Lisboa, 26 de Novembro de 2022.

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Há quem diga que este é o “primeiro fruto milagroso” da viagem apostólica que o Papa Francisco fez ao Bahrein, no início de novembro. Na verdade, resulta de três anos de trabalho de uma equipa de arqueólogos locais e britânicos, que acaba de descobrir, sob as ruínas de uma antiga mesquita, partes de um ainda mais antigo mosteiro cristão.

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Uma conferência sobre “As piores formas de trabalho infantil” decorre na manhã desta quinta-feira, 24 de Novembro (entre as 9h30-13h), no auditório da Polícia Judiciária (Rua Gomes Freire 174, na zona das Picoas, em Lisboa), podendo assistir-se também por videoconferência. Iniciativa da Confederação Nacional de Ação Sobre o Trabalho Infantil (CNASTI), em parceria com o Instituto de Apoio à Criança (IAC), a conferência pretende “ter uma noção do que acontece não só em Portugal, mas também no mundo acerca deste tipo de exploração de crianças”.

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Muitas pessoas, entre as quais renomados cientistas, assumem frequentemente que o ser humano é um ser bastante insignificante, senão mesmo desprezível, no contexto da infinitude do universo. Baseiam-se sobretudo na nossa extrema pequenez relativa, considerando que o nosso pequeno planeta não passa de um “ponto azul” situado num vasto sistema solar.

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Mais do que A Voz da Fátima

Que fosse pedido a um incréu um texto de prefácio para um livro sobre A Voz da Fátima, criou-me alguma perplexidade e, ao mesmo tempo, uma vontade imediata de aceitar. Ainda bem, porque o livro tem imenso mérito do ponto de vista histórico, com o conjunto de estudos que contém sobre o jornal centenário, mas também sobre o impacto na sociedade portuguesa e na Igreja, das aparições e da constituição de Fátima e do seu Santuário como o centro religioso mais importante de Portugal. Dizer isto basta para se perceber que não é possível entender, no sentido weberiano, Portugal sem Fátima e, consequentemente, sem o seu jornal.

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