Contributos para o Sínodo (10)

Paróquia do Lumiar: transparência financeira, valorizar os jovens e rever moral sexual

| 16 Jun 2022

Promover a transparência financeira, valorizar os jovens, rever o magistério da Igreja no que diz respeito ao casamento e à sexualidade e permitir o acesso das mulheres e pessoas casadas à ordenação. Estas são algumas das sugestões da Paróquia de São João Baptista do Lumiar (Lisboa), que propõe ainda uma maior aproximação a outras Igrejas e religiões, bem como a necessidade de uma resposta actualizada para as pessoas que foram postas à margem, como os divorciados, recasados, homossexuais ou mães solteiras. 

Estas ideias integram a resposta da paróquia à maior auscultação alguma vez feita à escala planetária, lançada pelo Papa Francisco, para preparar a assembleia do Sínodo dos Bispos de 2023. Esse coro imenso de vozes não pode ser silenciado, reduzido, esquecido, maltratado. O Espírito sopra onde quer e os contributos dos grupos que se formaram para ouvir o que o Espírito lhes quis dizer são o fruto maduro da sinodalidade. O 7MARGENS publica alguns desses contributosestando aberto a considerar a publicação de outros que queiram enviar-nos.

Paróquia do Lumiar, em Lisboa. Foto: Direitos reservados.

Paróquia do Lumiar, em Lisboa. Foto: Direitos reservados.

 

Aspetos mais positivos da realidade eclesial:

Paróquia: (Conselho pastoral e económico); grupos de catequistas; recurso às tecnologias de comunicação, para reunir os fiéis. 

Diocese: encontros para grupos (catequese, leitores, MEC, Família), partilhando experiências e seguindo unidos; Festa do Corpo de Deus, Festa da Família; Sínodo Diocesano.  

Igreja: Taizé – experiência ecuménica; o Papa Francisco tenta mudar o paradigma e convoca-nos para o apoiar: o Sínodo da Família e o Sínodo da Sinodalidade. 

Aspetos mais negativos da realidade eclesial:

Falta de diálogo e conhecimento uns dos outros, a nível das paróquias e da diocese: pequeno número de participantes no Sínodo;

Falta de espaços físicos para reunião e convívio;

O diálogo e a partilha de decisões devem ser práticas a implementar.

Qual a visão atual da Igreja que resulta da reflexão sinodal realizada na sua realidade eclesial?

É urgente a mudança;

Escassa participação dos leigos nas decisões;

Igreja, somos todos;

Hierarquia distante da realidade da vida das pessoas; sem resposta para os problemas atuais – famílias diferentes, valores diferentes;

Párocos não praticam a sinodalidade, decidem sozinhos e informam pouco: escassa participação dos leigos na gestão das paróquias; pouca militância; 

Faltam padres;

Párocos com pouco tempo para ouvir, acolher, viver e dedicarem-se à parte espiritual;

Todos somos pecadores, mas o pecado do clero é mais escandaloso; 

As atitudes desviantes na Igreja destroem o labor em caridade das comunidades cristãs;

Celebrações focadas no cumprimento do ritual, espiritualidade desatualizada e falta Alegria nas Missas;

Muitos com vontade de aprofundar a espiritualidade; a Igreja deve corresponder.

Quais as áreas em que a Igreja necessita de conversão?

Espera-se coerência entre o que anunciamos e o que fazemos; muitas vezes não são necessárias palavras: basta o testemunho;

Devemos tornar o Bem, atraente;

Os membros da Igreja devem ser julgados, se cometem crimes;

Criar hábitos de partilha de bens e de transparência nas finanças;

Necessidade de rezarmos uns pelos outros, pela Igreja e pelos sacerdotes; 

A linguagem da Igreja deve ser universal – a do Amor, do acolhimento, do respeito, de não julgar os outros, de não discriminar;

O exemplo espiritual deve vir do pastor, no acolhimento e na Abertura, baseado na Misericórdia e no Amor; 

Não fazer aceção de pessoas, nas atitudes e obras; 

A Igreja deve ser mais aberta à evolução e não abusar da tradição;

A Igreja deve buscar respostas para os dias de hoje, para os problemas da atualidade.

Propostas de mudança para a sua realidade eclesial concreta que merecem maior destaque

Continuar ações que criam relações de proximidade e conhecimento mútuo: convívios, passeios religiosos/culturais, concertos;

Oferta de retiros, para crescimento espiritual dos fiéis; 

Maior prática de diálogo e envolver os paroquianos nas decisões;

Transparência financeira, para que haja contribuição;

Não pode haver tanta crítica pelos erros que se cometem nos pequenos contributos para a paróquia; 

Valorizar os Jovens, atribuindo-lhes missões em que eles sejam protagonistas e decisores; 

Criar espaços físicos de reunião e convívio; reabilitar o Adro da Igreja.

Propostas de mudança para a Igreja diocesana que merecem maior destaque? 

Melhor comunicação com os fiéis: jornal, “site” da internet com notícias escritas e as informações atualizadas;

Maior conhecimento uns dos outros – do trabalho e atividades de outras paróquias e vigararias; desenvolver atividades conjuntas e partilhar recursos e bens;

Maior informação e divulgação das orientações pastorais;

Maior divulgação das atividades pastorais da diocese.

Propostas de mudança para a Igreja em geral que merecem maior destaque? 

Maior relevo aos Leigos e à Mulher;

Atualizar os ritos das celebrações: mais simples;

Comunicação Social da Igreja com programas de qualidade, de cultura, história, debates, para cativar e instruir o público;

Não deve haver as atuais limitações aos Sacramentos: quem quer receber Jesus, deve poder fazê-lo sem crítica ou condenação;

As mulheres e as pessoas casadas devem ter acesso à Ordem; não deve haver afastamento dos padres, quando decidem casar; celibato deve ser opcional: Jesus chamou todos ao seu apostolado;

Revisão do Magistério em relação ao casamento e à sexualidade.

Outros pontos de vista relevantes destacados na reflexão sinodal realizada e que ainda não foram referidos? 

As Homilias devem atualizar a Mensagem para os dias de hoje, devem ser breves (15 minutos) e fazer um pouco de catequese;

É necessário educar na espiritualidade e na meditação;

Maior aproximação a outras Igrejas e Religiões;

A vivência da Fé deve ser maior na Sociedade:

Importância, cada vez maior, das pessoas manifestarem a sua fé através da sua prática quotidiana e do seu trabalho, na sociedade;

Devemos ser instrumento de misericórdia, dialogando e mostrando que ninguém está sozinho; devemos ser apóstolos, pensar nos outros e de que modo podemos ajudá-los, para evoluirmos;

A Igreja tem que encontrar uma resposta atualizada para aqueles que foram postos à margem, para compreender e readmitir à comunhão plena, cristãos divorciados, recasados, homossexuais, mães solteiras…;

A mensagem do Evangelho é o respeito e o Amor pelo outro, que é irmão; devemos aceitar os outros como são, sem julgar, e achá-los dignos de caminhar connosco e nós com eles;

A maior parte dos batizados não se encontra em comunhão com a Igreja.

 

Sínodo, agora, é em Roma… que aqui já acabou

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Em que vai, afinal, desembocar o esforço reformador do atual Papa, sobretudo com o processo sinodal que lançou em 2021? Que se pode esperar daquela que já foi considerada a maior auscultação de pessoas alguma vez feita à escala do planeta? – A reflexão de Manuel Pinto, para ler no À Margem desta semana

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O apelo foi feito pelo Papa Francisco: utilizar os espaços da Igreja Católica devolutos ou sem uso para respostas humanitárias. Os Salesianos e os Jesuítas em Portugal aceitaram o desafio e, do antigo colégio de uns, nasceu o novo centro de acolhimento de emergência para refugiados de outros. Fica em Vendas Novas, tem capacidade para 120 pessoas, e promete ser amigo das famílias, do ambiente, e da comunidade em que se insere.

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