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Igreja Católica – que caminhos de futuro? (Debate – 16)

Participação activa dos fiéis e não subordinada

| 18/04/2023

O catolicismo vive uma crise profunda, apesar de continuar a ser para muitas pessoas um espaço vital de busca de sentido e experiência de fraternidade. As situações de abusos de poder e violências sexuais vieram evidenciar problemas sistémicos. Em Portugal, depois de terem criado uma Comissão Independente (CI) para estudar os abusos sexuais sobre crianças, os bispos ficaram na indefinição sobre o que fazer com o panorama posto a nu pelo relatório da CI. Perante a perplexidade que tomou conta da sociedade e de muitos crentes, o 7MARGENS convidou católicos a partilhar leituras da situação e propor caminhos de futuro, a partir de três perguntas:

  1. Quais são os pontos que considera centrais nas medidas a assumir agora pela Igreja, para ser fiel ao Evangelho e ser testemunho de Jesus Cristo na sociedade? A quem cabe concretizar e liderar a aplicação de tais medidas?
  2. Considera que faria sentido que os batizados se encontrassem e se escutassem sobre essas tarefas e desafios que se colocam à comunidade eclesial, a nível diocesano e/ou nacional? Como? De que formas?
  3. Que contributo(s) estaria disposto a dar para que a Igreja, os católicos e as suas comunidades adotem um caminho centrado no Evangelho em ordem a superar a prática de abusos?

 

Nesta décima sexta resposta, Cláudio Teixeira, professor associado do ISCTE aposentado e paroquiano da paróquia de Cacilhas, diocese de Setúbal, afirma que para sermos fiéis ao Evangelho importa tornar central a relevância de Jesus.

Celebração da Comunidade João XXIII: "Este apelo de Francisco vai inequivocamente no sentido de regressarmos à radicalidade da experiência da partilha fraterna de vida, posta em prática pelas comunidades cristãs dos primeiros dois séculos". Foto © Raimundo Mendes da Silva, cedida pelo autor

Celebração da Comunidade João XXIII: “Este apelo de Francisco vai inequivocamente no sentido de regressarmos à radicalidade da experiência da partilha fraterna de vida, posta em prática pelas comunidades cristãs dos primeiros dois séculos”. Foto © Raimundo Mendes da Silva, cedida pelo autor

 

1. No contexto sociocultural actual, especialmente nos EUA, Canadá e Europa, o problema da relevância de Deus, para sermos fiéis ao Evangelho deve ser tratado tornando central a relevância de Jesus, não só como Filho de Deus (e Deus ele mesmo) mas como exemplo a seguir da DIGNIDADE HUMANA, como mostra a Sua vida, nos Evangelhos: defesa da justiça, amor aos outros sem discriminação, mais importante o ser humano que a obediência a regras e ritos, testemunho da verdade mesmo contra os considerados poderes supremos, religiosos e civis, à custa da própria vida. Ora esta mensagem tem implicações não só no indivíduo, como na sociedade. E a Igreja e a maioria dos católicos não parecem testemunhos disto. Claro que a chamada hierarquia devia liderar, mas com a participação activa e não “subordinada” dos fiéis.

2. Nas paróquias ou fora delas os católicos deviam discutir isto e elaborar propostas.

3. O meu contributo só pode ser o de integrar algum grupo com esta perspectiva.

 

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