Patriarca de Constantinopla apela à responsabilidade e à esperança perante a covid-19

| 26 Mar 20

O Patriarca Bartolomeu, numa imagem captada do vídeo em que lê a mensagem aos cristãos a propósito da pandemia de covid-19.

 

O Patriarca Bartolomeu, de Constantinopla, apela à responsabilidade e à esperança dos fiéis, expressa a sua gratidão por todos aqueles que, nestes tempos de pandemia, se sacrificam em prol do próximo e manifesta a esperança de que a pandemia que se vive ajude o mundo a mudar para melhor: “As nuvens tornar-se-ão mais claras e o Sol da Justiça eliminará o efeito mortal do vírus. Mas as nossas vidas terão mudado para sempre. Esta provação é para nós a oportunidade de mudarmos para melhor. No sentido de construirmos o amor e a solidariedade”.

Numa mensagem a propósito da covid-19, Bartolomeu sublinha que a Igreja não podia ficar em silêncio e as suas palavras devem ser de encorajamento e de consolo.

Perante a ameaça mundial, o líder espiritual dos ortodoxos agradece “a todos aqueles que lutam com abnegação, mesmo negligenciando-se a si próprios e às suas famílias” e refere os gestos populares e genuínos de agradecimento: “A vossa contribuição é inestimável. É uma doação à sociedade. É um sacrifício que merece toda a honra e gratidão. Todos nós agradecemos e aplaudimos, não apenas pelas janelas de nossas casas, mas em todos os lugares e em todos os momentos. Os nossos pensamentos e as nossas orações acompanham-vos”.

Tratando-se de uma luta e de um esforço coletivos, Bartolomeu apela à colaboração com as autoridades a quem “cabe a responsabilidade de planear, enfrentar e superar a presente crise”. E acrescenta: “Agora é a hora da responsabilidade individual e social”.

Enquanto líder espiritual, o patriarca pede “que todos respondam fiel e pacientemente a todas as medidas difíceis, mas necessárias, propostas pelas autoridades de saúde e das nações (…) para nossa proteção, para o nosso bem comum, a fim de conter a propagação deste vírus”. É dessa cooperação que depende “a nossa libertação desta angústia”, diz.

Aos que se sentem abalados na sua fé, privados da liturgia e do culto, o patriarca ecuménico conforta-os e apela à unidade espiritual: “A nossa fé é uma fé viva e não existe qualquer circunstância excecional que possa limitá-la ou suprimi-la. (…) Vamos permanecer em nossas casas. Sejamos cuidadosos e protejamos os que nos rodeiam. Em nossas casas, fortalecidos pelo poder da unidade espiritual, que cada um de nós reze por toda a humanidade (…) e transforme o nosso isolamento voluntário em genuína comunhão.”

No domingo, 22 de março, numa carta enviada ao Papa Francisco e ao Presidente italiano, Sergio Mattarella, o Patriarca exprimira também a sua solidariedade ao povo italiano, submetido a tão dura prova pela pandemia causada pelo coronavírus que, até esta quinta-feira, 26, já custou a vida a mais de 8200 pessoas em Itália. E diz que, em plena Quaresma, as orações pela cura dos aflitos, pela paz eterna dos falecidos e pelo consolo das famílias das vítimas não cessarão por parte do Patriarcado Ecuménico.

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