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Pizzaballa, Patriarca de Jerusalém, visitou Taybeh a 15 agosto 2026. Foto Patriarcado Latino de Jerusalem
Após celebrar missa, o Patriarca encontrou-se com membros da comunidade de Taybeh e conversou com os paroquianos. Foto © Patriarcado Latino de Jerusalém

De visita à comunidade

Patriarca de Jerusalém: “Faremos tudo o que estiver ao nosso alcance” para manter a presença cristã em Taybeh

| 18/08/2026

O Patriarca Latino de Jerusalém, cardeal Pierbattista Pizzaballa, reafirmou o compromisso da Igreja em preservar a presença cristã em Taybeh, na Cisjordânia. “Faremos tudo o que estiver ao nosso alcance para preservar a presença eclesial aqui, a todos os níveis, em toda a Terra Santa”, assegurou durante a missa à qual presidiu naquela localidade no último sábado, 15 de agosto.

A visita àquela localidade aconteceu na data em que a Igreja assinalava a solenidade da Assunção da Virgem Maria, e num momento de particular tensão para a comunidade cristã que ali reside, na sequência de uma ordem militar israelita, emitida em julho, que declarou a área de Taybeh e Rimon uma zona militar fechada, proibindo a entrada e a permanência de israelitas e estrangeiros.

A medida abrange partes da zona edificada da localidade, terrenos agrícolas e locais de interesse religioso e patrimonial, levantando também preocupações sobre o acesso de peregrinos, visitantes, jornalistas e voluntários.

Foi neste contexto que Pizzaballa celebrou missa na Igreja Latina de Cristo Redentor, acompanhado pelo pároco, padre Bashar Fawadleh, e pelo padre Davide Meli. No início da celebração, Fawadleh acolheu o Patriarca como “um pai que está ao lado dos seus filhos nos momentos difíceis”, sublinhando que a sua presença recordava à comunidade que não está sozinha.

Na homilia, Pizzaballa procurou responder à situação de Taybeh a partir das leituras da solenidade da Assunção, em particular da passagem do Apocalipse que apresenta a mulher e o dragão. A imagem, afirmou, recorda que, por mais poderoso que o mal possa parecer, “o seu poder não é absoluto”.

“Posso não ter respostas ao nível humano e mundano, mas acredito em Deus. E tenho a certeza de que, n’Ele, podemos continuar a dar à luz a vida, mesmo aqui em Taybeh”, disse.

O Patriarca apresentou a Assunção como “um fruto da Ressurreição” e Maria como aquela que ensina a olhar para a realidade “com olhos divinos”, em vez de a avaliar apenas segundo os cálculos humanos. Essa mensagem, acrescentou, é particularmente importante para uma comunidade que enfrenta uma situação em que o futuro pode parecer difícil ou mesmo impossível.

 

“Não vamos abandonar o nosso direito à vida”

Pizzaballa apelou aos cristãos de Taybeh para não permitirem que o medo e o desespero destruam a vida da comunidade.

“Devemos também aprender da Virgem Maria a guardar os nossos corações, porque esta situação pode contaminar os nossos corações. E, se os nossos corações forem contaminados, o ‘dragão’ venceu”, afirmou.

“Mas queremos continuar a ser uma comunidade que dá à luz a vida, sem desistir nem abandonar os nossos direitos, o nosso direito à vida. Por isso, sejam corajosos. Não tenham medo.”

A preservação da presença cristã, defendeu o Patriarca, exige não apenas medidas concretas da Igreja, mas também a capacidade da própria comunidade para permanecer enraizada na fé e na esperança.

Pizzaballa disse acompanhar regularmente a situação em Taybeh através das informações transmitidas pelo pároco, manifestando o seu reconhecimento pelo serviço diário de Fawadleh. Reconheceu, contudo, que acompanhar os acontecimentos à distância não é suficiente e que a Igreja deve traduzir essa atenção em ação e presença pastoral.

O cardeal sublinhou ainda que o que está a acontecer em Taybeh é cada vez mais conhecido fora da localidade e que a comunidade tem uma responsabilidade que ultrapassa as suas próprias fronteiras.

“O vosso exemplo é importante, para que continuemos como uma voz cristã no meio desta situação tão complexa”, afirmou.

No dia seguinte, também o Papa Leãp XIV dirigiu seu olhar para a Cisjordânia. “Renovo o meu apelo para que cessem as repetidas violências contra a população civil palestina na Cisjordânia e peço com urgência à comunidade internacional que faça de modo que progrida a solução de dois Estados, para uma paz justa e duradoura”, disse o Papa após rezar o Angelus.

 

Uma comunidade sob pressão

Cristãos de Taybeh durante missa com cardeal Pizzaballa, a 15 agosto 2026. Foto Patriarcado Latino de Jerusalem

Paroquianos de Taybeh, durante missa com o cardeal Pizzaballa, no passado sábado. Foto © Patriarcado Latino de Jerusalém

A ordem que declarou a área de Taybeh e Rimon como zona militar fechada veio acrescentar novas dificuldades a uma comunidade cristã já confrontada com um contexto de crescente insegurança. O Patriarcado Latino de Jerusalém chama a atenção para o facto de a formulação da ordem não esclarecer completamente se algumas das exceções previstas abrangem israelitas residentes em colonatos ou postos avançados existentes dentro ou nas proximidades da zona encerrada.

No final da missa, Pizzaballa rezou para que a intercessão da Virgem Maria acompanhe as famílias e as mães de Taybeh e para que a localidade continue a ser “um lugar de alegria e de vida”.

Depois da celebração, o Patriarca encontrou-se com membros da comunidade e conversou com os paroquianos, reafirmando a proximidade da Igreja com Taybeh e com os seus habitantes.

 

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