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Postal alusivo ao 25 de Abril

Patriarca de Lisboa diz ao 7MARGENS que é sempre convidado e vai sempre à sessão de evocação do 25 de Abril

| 24/04/2020

Patriarca de Lisboa diz ao 7MARGENS que é sempre convidado e vai sempre à sessão de evocação do 25 de Abril

by | 24 Abr 20

Postal alusivo ao 25 de Abril, para distribuir a pessoas beneficiárias de apoio de refeições organizado por um grupo de voluntários. Ilustração de Daniela Gonçalves, aluna do Colégio Luso-Internacional de Braga

O patriarca de Lisboa vê como natural e habitual a sua presença nas cerimónias evocativas do 25 de Abril de 1974 e esvazia eventuais polémicas em torno da sua participação na sessão que decorre na manhã deste sábado na Assembleia da República assinalando o 46º aniversário a “Revolução dos Cravos”.

Apesar de terem aparecido vozes católicas que, no espaço público, criticaram a realização da cerimónia, comparando esse facto com a realidade das igrejas fechadas na Páscoa, por exemplo, D. Manuel Clemente reitera, numa declaração ao 7MARGENS: “O cardeal-patriarca é sempre convidado e sempre vai” à evocação do 25 de Abril. “A sessão realiza-se com o acordo e segundo as regras da autoridade sanitária”, acrescenta, deixando implícita a afirmação de que considera que estão respeitadas as normas básicas de segurança.

Também o presidente da Comissão da Liberdade Religiosa (CLR), José Vera Jardim, vê com naturalidade a presença do patriarca no Palácio de São Bento: “Desde que conheço as cerimónias do 25 de Abril, elas sempre tiveram a presença do cardeal-patriarca.”

Estando em vigor as regras de confinamento social motivadas pelo estado de emergência, e mantendo-se o Parlamento a funcionar, o presidente da Assembleia da República e a conferência de líderes decidiram organizar a cerimónia, embora com menos pessoas do que habitualmente.

Inicialmente, estava prevista a participação de 130 pessoas, mas neste momento, entre deputados, membros do Governo e convidados, haverá menos de 100 (habitualmente estão cerca de 700 pessoas). Incluindo também o Presidente da República, que preside, como habitualmente. Mas o modelo e a estratégia seguida foram alvo de algumas críticas. Paralelamente à sessão do Parlamento, uma série de iniciativas estão previstas, sobretudo para fazer à janela ou de forma virtual.

Vera Jardim acrescenta que não vê razões para que “a decisão do cardeal-patriarca possa ter sido influenciada pela polémica” à volta das comemorações. “Do que conheço da Igreja Católica, a decisão foi motivada pela razão de ele ter estado sempre presente.”

Haveria nesta altura alguma razão que neste momento fosse obstáculo à presença de Manuel Clemente no Parlamento? “Não me parece haver, desde que estejam salvaguardadas as condições de saúde pública”, considera o presidente da CLR, que também não estará em São Bento, tendo em conta a limitação do número de convites.

Para Vera Jardim, as relações entre Igreja e Estado são pacíficas e não haveria razões para quaisquer contrariedades: “Tem-se visto, nos últimos tempos, uma vontade mútua da Igreja e das altas figuras do Estado em manter um diálogo construtivo e até amigável sobre uma série de questões.”

Mesmo já antes do estado de emergência, a sugestão dos bispos de instaurar uma série de procedimentos que ajudassem a prevenir o contágio é positivamente valorizada pelo presidente da Comissão da Liberdade Religiosa. “Já passámos a Páscoa e tudo foi feito com a ideia central de manter” as condições de segurança sanitária, “embora com algum prejuízo para o culto”, que em todas as religiões “é colectivo”.

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