O Patriarca de Moscovo e líder da Igreja Ortodoxa Russa considerou recentemente que o arsenal nuclear que a Rússia detém, desde os tempos da União Soviética, se devem à “providência divina”, permitindo àquele país manter-se livre e independente.
A afirmação foi feita, segundo o site da Letónia Meduza e várias outras fontes, no mosteiro de São Serafim, na festa da descoberta e reconhecimento oficial das relíquias deste santo, que ocorre em 1 de agosto.
O patriarca Cirilo nomeou dois físicos soviéticos que lideraram a equipa de investigadores que criaram a arma atómica. “Eles criaram a arma sob a sombra de São Serafim de Sarov, porque, pela inefável providência de Deus, esta arma foi criada no mosteiro de São Serafim”, declarou o patriarca.
Ainda que a posição do patriarca de Moscovo acerca das armas nucleares tenha sido já glosada, no passado, o facto de ele ter apoiado e legitimado ativamente a atual guerra de invasão e agressão contra a Ucrânia amplificou-as ainda mais.

O líder da Igreja Ortodoxa Finlandesa, arcebispo Elias, contestou a mensagem do patriarca Cirilo que associa o arsenal nuclear da Rússia à aprovação divina e invoca um dos santos mais venerados da Ortodoxia. Foto © Mezha.net (portal de notícias ucraniano)
As reações têm-se sucedido. O chefe da Igreja Ortodoxa Finlandesa, arcebispo Elias, recordou que a ortodoxia convoca a Igreja a orar pela paz em todo o mundo, e não pela vitória das armas de qualquer país. Nessa linha, manifestou profunda preocupação com a forma como o patriarca Cirilo utiliza a retórica cristã para justificar as armas nucleares e respetivo uso.
E foi certamente também a pensar nas posições do patriarca Cirilo que o Núncio papal na Ucrânia comentava, numa entrevista ao Vatican News, na última quarta feira, 5 de agosto, contrapondo à importância dos apelos à paz que vêm sendo feitos por Leão XIV:
“Quem pode justificar a guerra? Quem ousa afirmar que a guerra tem algum sentido? Creio que ninguém. Por isso, é preocupante ouvir que ainda há quem procure distorcer a realidade, atribuir valor moral à guerra ou mesmo abençoá-la. É por isso que rezamos pela conversão dos nossos irmãos e irmãs”.










