Decisão influenciará a Igreja Católica?

Patriarcado ortodoxo de Alexandria ordena primeira mulher diácono no Zimbabué

| 7 Mai 2024

A diaconisa Angelic Molen a administrar a comunhão. Foto Annie Frost

Angelic Molen admnistra a comunhão na sua paróquia. A nova diácono teve uma recetividade muito favorável da sua comunidade. Esse apoio, disse, fê-la “sentir o Espírito Santo em ação” Foto © Annie Frost

 

Uma paróquia ortodoxa dos arredores de Harare, no Zimbabué, assistiu na ultima semana a um acontecimento inédito e histórico: a ordenação de uma leiga como diácono, Angelic Molen, de seu nome.

A cerimónia, que seguiu o rito bizantino, teve lugar na paróquia da Missão Nektarios em WaterFall e foi presidida pelo bispo metropolita Serafim, do Zimbabué, integrado no Patriarcado Ortodoxo Grego de Alexandria e Toda a África.

O acontecimento só se tornou possível na sequência de uma decisão tomada por unanimidade pelo Sínodo daquele Patriarcado, em 2016, no sentido de fazer reviver o diaconado feminino, decisão assumida, naturalmente, pelo patriarca Teodoro. Depois dessa votação, apenas subdiaconisas foram ordenadas, na República Popular do Congo, em 2017.

O presidente do Centro de Santa Febe para o Diaconado, nos Estados Unidos, que foi criado em 2013 precisamente com o objetivo de rasgar horizontes e sensibilizar as igrejas ortodoxas para o regresso à ordenação de mulheres diáconos, esteve presente nesta primeira ordenação. A página do organismo na internet publica uma reportagem, na qual refere que a nova diácono é “um membro respeitado da comunidade ortodoxa da paróquia Missão Nektarios”, tendo, ao longo dos anos, desenvolvido trabalho pastoral com os jovens e com grupos de mães, dinamizando a construção de uma escola para esse efeito. Refere ainda que ela tem formação em ecologia e se encontra a fazer formação universitária nessa área, para poder supervisionar iniciativas ecológicas das paróquias da sua Igreja no Zimbabué.

Quanto à ordenação, Angelic Molen disse ter ficado inicialmente nervosa, por ter de ir para o altar. “No entanto, acrescentou, quando o metropolita Serafim me abençoou para entrar no altar como parte da minha preparação esta semana, esses sentimentos desapareceram e eu senti-me confortável”.  Por outro lado, ela teve uma recetividade muito favorável da sua comunidade. Esse apoio, disse, fê-la “sentir o Espírito Santo em ação”.

Num artigo publicado sobre esta ordenação pelo Religion News Service (RNS), alguns analistas ortodoxos consideram que não se deve esperar que a ordenação da primeira mulher diácono influencie significativamente as outras Igrejas ortodoxas. Pelo contrário: há quem entenda que o caso do Zimbabué “provocará uma forte reação, especialmente por parte dos ortodoxos mais conservadores”.

Estando, por outro lado, o Patriarcado de Moscovo a fazer um forte investimento em África, em competição com o Patriarcado de Alexandria, é de esperar – segundo o artigo do RNS –  que aproveite esta ordenação para “argumentar que a ordenação é apenas mais uma prova de que o Patriarcado de Alexandria se separou da fé Ortodoxa”.

Resta saber em que medida este dinamismo renovador poderá ter influência também na Igreja Católica. Na verdade, como mostra de forma eloquente o Relatório-Síntese da primeira sessão do Sínodo da Igreja universal, no ponto sobre “As mulheres na vida e missão da Igreja” (ponto 9, alíneas j e n), a questão do serviço diaconal das mulheres, ainda que dividindo posições, foi assumida como matéria a aprofundar e a retomar na segunda sessão, em outubro próximo. Particularmente a Igreja Católica africana, que tem resistido a grandes mudanças que sobretudo no ocidente são sentidas como necessárias, terá agora no seu continente uma igreja cristã a apostar no diaconado feminino.

 

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