Comissariado por cardeal Tolentino

Pavilhão da Santa Sé na Bienal de Veneza será numa prisão feminina

| 13 Mar 2024

Prisão feminina de Veneza, na ilha de Giudecca. Foto Abxbay, via Wikimedia commons

Todos aqueles que queiram visitar o pavilhão terão de entrar na prisão de Giudecca, onde as reclusas assumirão um papel ativo na apresentação das obras de nove reconhecidos artistas.. Foto © Abxbay, via Wikimedia commons

 

O Vaticano marcará presença na 60ª edição da Bienal de Veneza, em Itália, com uma instalação inédita, localizada na prisão feminina da ilha de Giudecca, que pretende revelar a possibilidade de transformar vidas através da arte.

Intitulada “Com os meus olhos”, a instalação é comissariada pelo cardeal português José Tolentino de Mendonça, prefeito do Dicastério para a Cultura e a Educação do Vaticano. Dedicada às temáticas dos direitos humanos e das pessoas excluídas da sociedade, realça a necessidade de as reintegrar.

O espaço vai incentivar os visitantes a olhar as pessoas nos olhos, vislumbrando o seu íntimo, e pretende traduzir na prática as palavras do Papa, nomeadamente as que proferiu no Discurso aos Artistas, em 23 de junho, na Capela Sistina, onde os convidava a não se esquecerem dos pobres, daqueles que vivem em condições de vida extremamente duras, que não têm voz para se fazer ouvir e os desafiava a “tornarem-se intérpretes do seu grito silencioso”.

“A cultura contemporânea prefere metaforizar a visão. Mas ver com os nossos próprios olhos confere à visão um estatuto único, pois envolve-nos diretamente na realidade e faz de nós não espectadores, mas testemunhas”, afirmou Tolentino Mendonça em conferência de imprensa realizada esta segunda-feira, 11 de março, no Vaticano.

O Papa Francisco terá ocasião de visitar a exposição, no próximo dia 28 de abril, tornando-se assim no primeiro Papa a visitar a Bienal de Veneza, “o que demonstra claramente a vontade da Igreja de consolidar um diálogo frutuoso e estreito com o mundo das artes e da cultura”, sublinhou o cardeal português.

Todos aqueles que queiram visitar o pavilhão terão de entrar na prisão, onde as reclusas assumirão um papel ativo na apresentação das obras de nove reconhecidos artistas. Será exigido ao público que deixe os telemóveis e os documentos de identificação à entrada do estabelecimento, à semelhança do que acontece habitualmente numa visita a uma estabelecimento prisional.

Giovanni Russo, presidente do Departamento de Administração Prisional do Ministério da Justiça italiano, felicitou a Santa Sé por esta iniciativa, realçando que este tipo de trabalho artístico em que as reclusas podem participar só as beneficia. “Chamar os nossos detidos a participar com as suas mãos colocou-os em contacto com valores universais, como a solidariedade, e ajudou-os a ter confiança em si próprios”, reiterou.

A Bienal de Arte de Veneza 2024, que tem como tema “Estrangeiros por toda a parte”, estará aberta ao público de 20 de abril a 24 de novembro.

 

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