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© UnicefMohammed Nateel Duas crianças limpam os destroços do lado de fora de uma tenda na cidade de Gaza
Duas crianças limpam os destroços do lado de fora de uma tenda na cidade de Gaza (em dezembro de 2025). Foto © Unicef/Mohammed Nateel.

“Conselho de Paz”

Pax Christi denuncia exclusão dos palestinianos no processo de paz

| 01/03/2026

Um processo de paz que exclui a voz dos palestinianos “não pode garantir justiça, dignidade ou paz duradoura”. Mais ainda: “Corre o risco de mascarar disputas de poder e interesses geopolíticos sob a capa da retórica da paz, sem abordar as causas estruturais da injustiça e da violência.”

É nestes termos que a organização católica Pax Christi Internacional analisa a criação do assim denominado Conselho da Paz, criado pelo presidente Donald Trump, que era inicialmente para procurar a paz em Gaza, mas que viu os objetivos serem, entretanto, ampliados.

Trata-se, de facto de um apelo que aquela organização não governamental lança agora a chefes de Estado e à Igreja, para que “reconsiderem urgentemente as prioridades em jogo”, quanto a integrarem aquele Conselho.

Numa mensagem enviada aos meios de comunicação, entre os quais o 7MARGENS, a Pax Christi recorda e atualiza a sua primeira tomada de posição, logo em 23 de janeiro último, para reforçar as preocupações que então enunciou, as quais não só “foram confirmadas como se intensificaram ainda mais”.

O comunicado de janeiro colocava à cabeça como preocupação da “ausência dos palestinianos no processo que determina seu próprio futuro”. Ou seja, a exclusão dos “principais detentores de direitos – e os mais afetados – de papéis significativos na tomada de decisões”, uma vez que são remetidos para “um órgão administrativo tecnocrático”, situado no nível mais baixo de autoridade, e que não pode constituir uma participação genuína.

O Conselho da Paz também levanta sérias preocupações à Pax Christi quanto à sua composição e legitimidade: condicionamento a contribuições financeiras, o que “privilegia a riqueza e o poder, exclui a maioria dos países e mina os princípios da igualdade, da responsabilização e da cooperação multilateral”.

Igualmente preocupantes, observa a organização, são as implicações para as Nações Unidas e o sistema multilateral, visto que o dito Conselho de Paz “parece ter sido concebido para funcionar como uma alternativa, ou substituição, aos mecanismos existentes da ONU”.

Além disso, a Pax Christi considera que:

  • a concentração de poder no Conselho é “sem precedentes e profundamente preocupante”;
  • a nomeação de um único indivíduo como presidente perpétuo, com poder de veto sobre territórios que não lhe pertencem, “contradiz os princípios mais básicos de soberania, responsabilidade e governança democrática”;
  • o plano proposto para Gaza “não reflete um esforço genuíno de reconstrução”, antes “corre o risco de permitir a erradicação [dos habitantes], a colonização e o apagamento das raízes culturais, sociais e históricas, dando prioridade ao controlo e supervisão em detrimento do auxílio humanitário, da justiça e da restauração dos direitos.
  • a ausência de organizações não-governamentais humanitárias, de agências da ONU, incluindo a UNRWA, e de qualquer compromisso explícito com o apoio à população civil reforça ainda mais essa preocupação.

Por todos estes motivos, a Pax Christi apela aos estados que ainda estejam a considerar aderir ao Conselho de Paz que se abstenham de o fazer e àqueles que se recusaram a aderir que expressem “de forma clara e pública as suas preocupações e defendam as estruturas alternativas, alicerçadas no direito internacional e nos direitos humanos”.

Apela ainda à Igreja Católica e ao Papa a que levantem “uma voz moral clara em defesa da justiça, da dignidade de todas as vítimas e do direito dos palestinianos de determinarem seu próprio futuro como condição essencial para uma paz genuína”.

A Pax Christi Internacional afirma, a finalizar, manter-se “firme no seu compromisso com uma paz justa na Palestina e em Israel, alicerçada no direito internacional, na dignidade humana e na plena participação de todos os povos envolvidos”.

 

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