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_Martin Wazlawik entrega o estudo sobre abusos sexuais na Igreja Evangélica Alemã à bispa Kirsten Fehrs. Foto EPD

Estudo revela

Pelo menos 2.200 menores abusados sexualmente na Igreja Evangélica Alemã

| 26/01/2024

_Martin Wazlawik entrega o estudo sobre abusos sexuais na Igreja Evangélica Alemã à bispa Kirsten Fehrs. Foto EPD

A equipa de investigação, liderada por Martin Wazlawik (ao centro) entrega o estudo sobre os abusos sexuais na Igreja Evangélica Alemã à bispa Kirsten Fehrs. Foto © EPD

 

Um estudo encomendado pela Igreja Evangélica da Alemanha (EKD, na sigla em alemão), cujos resultados foram apresentados esta quinta-feira, 25 de janeiro, mostra que pelo menos 2.200 menores foram vítimas de abusos sexuais no seio daquela instituição, deste 1946. Os autores do estudo alertam que o número real pode ser muito maior.

O relatório, de 820 páginas, indica um total de 2.225 vítimas e 1.259 alegados abusadores, dos quais 511 são ou foram padres. De acordo com o documento, mais de metade das pessoas afetadas são homens e a idade média das vítimas, à data da primeira agressão, era de 11 anos.

Quanto aos abusadores, tinham uma idade média de 43 anos quando perpetraram os atos dos quais são acusados. Dois terços eram casados e 45% terão praticado mais do que um abuso.

 

“A ponta do icebergue”

Esta será, no entanto, apenas “a ponta da ponta do icebergue”, alertou o coordenador da investigação, Martin Wazlawik, durante a apresentação do relatório à imprensa, em Hannover.

Segundo a equipa de investigadores, uma contagem menos criteriosa, que inclui casos não documentados pela Igreja e que deve por isso ser vista com “muita cautela”, resultaria num total de 9.355 pessoas afetadas e 3.497 acusados.

Wazlawik, pedagogo e professor da Universidade de Hannover, destacou que o número de casos não reflete a magnitude do fenómeno, referindo que alguns registos terão sido destruídos e que muitas vítimas foram incentivadas a permanecer em silêncio.

O especialista criticou duramente os procedimentos da Igreja Evangélica Alemã na forma como lidou com os abusos no passado, sublinhando que esta o fez “com relutância e sem transparência suficiente ou uma abordagem sistemática”.

Até à realização deste estudo, que custou à EKD 3,6 milhões de euros, eram conhecidos “apenas” 858 casos de abuso sexual, na sequência do contacto das vítimas às autoridades responsáveis ​​nas igrejas regionais ao longo dos últimos anos.

 

Um pedido de desculpas, que implica mudanças

A bispa Kirsten Fehrs, presidente do conselho da EKD, disse estar “chocada” com a imagem oferecida pelo relatório e com a “pérfida e brutal violência com que se cometeu uma injustiça inefável contra adultos, adolescentes e crianças” ao longo de todos estes anos.

Fehrs lembrou que a EKD encomendou o estudo em 2020 não para saber se ocorreram casos de violência sexual, mas para analisar os fatores e as estruturas de risco relacionadas com eles. “Queríamos este estudo. Iniciámo-lo e aceitamo-lo com humildade”, afirmou.

Agora, não restam quaisquer dúvidas. “Está claro: temos estruturas que protegem os perpetradores”, disse, destacando que “estes não são casos isolados” e que “muitas coisas devem mudar”.

Depois, pediu desculpas em nome da Igreja: “Como instituição, também somos culpados por prejudicar inúmeras pessoas. E só posso pedir desculpas do fundo do meu coração”, disse, acrescentando, porém, que o pedido de desculpas só pode ser crível se a igreja de facto agir.

Este relatório surge cinco anos depois de a Igreja Católica alemã ter divulgado um estudo que revelava a existência, no seu seio, de pelo menos 3.677 vítimas de abusos sexuais e 1.670 supostos abusadores, desde o pós-guerra.

 

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