
O balanço refere-se a “todos os batizados envolvidos na vida da Igreja que morreram de forma violenta, mesmo quando isso não ocorreu expressamente ‘por ódio à fé'”. Foto © Rattanakun
Um bispo, oito padres, dois religiosos, um seminarista, um noviço e sete leigos: ao todo, pelo menos 20 missionários católicos foram assassinados durante o ano que passou, mais dois do que em 2022. Um balanço da agência Fides recorda os números, mas sobretudo os nomes e as vidas daqueles que morreram enquanto estavam “estavam empenhados na evangelização, na caridade e na promoção humana”.
O balanço refere-se a “todos os batizados envolvidos na vida da Igreja que morreram de forma violenta, mesmo quando isso não ocorreu expressamente ‘por ódio à fé'”, esclarece o órgão de comunicação das Pontifícias Obras Missionárias. Eram “mulheres e homens de fé que poderiam ter evitado a morte mudando-se para lugares mais seguros ou desistindo dos seus compromissos cristãos. Mas escolheram de forma diferente, conscientes do risco que corriam diariamente”.
Foi em África que ocorreram quase metade dos assassinatos (nove do total de 20). Destes, quatro foram mortos na Nigéria, um deles no passado mês de outubro: o monge Godwin Eze, raptado e brutalmente assassinado no mosteiro beneditino em Eruku. Mas há relatos oriundos dos vários continentes.
Do México, chega o testemunho das jovens catequistas Gertrudis Cruz de Jesús e Gliserina Cruz Merino, mortas no Estado de Oaxaca durante uma emboscada quando se dirigiam para uma procissão eucarística.
Da Palestina, vem a história de Samar Kamal Anton, e sua mãe, Nahida Khalil Anton, atingidas por franco-atiradores enquanto caminhavam em direção ao convento das Irmãs de Madre Teresa em Gaza. Juntamente com outras mulheres católicas e ortodoxas, estavam “empenhadas num caminho de fé e de apostolado especialmente em favor dos pobres e de pessoas com deficiência”, assinala a Fides.
Nas Filipinas, dois estudantes universitários católicos, Junrey Barbante e Janine Arenas, foram mortos quando uma bomba explodiu durante uma missa na Universidade de Mindanao.
Nos Estados Unidos na América, o padre Stephen Gutgsell foi assassinado com uma arma branca na Igreja de Fort Cahloun, Nebraska, e o bispo David O’Connell assassinado a tiro na sua própria casa.
Na vizinha Espanha, Diego Valencia, leigo, sacristão da paróquia de Nuestra Señora de La Palma, em Algeciras, província de Cádiz, foi morto por um jovem marroquino armado com um facão, que também feriu outras pessoas.
De acordo com o relatório, cerca de 115 agentes pastorais foram mortos na década 1980-1989; 604 entre 1990 e 2000 (década em que ocorreu o genocídio ruandês que causou pelo menos 248 vítimas entre o pessoal eclesiástico) e 544 entre 2001 e 2022. O documento completo pode ser descarregado online.









