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Peregrinos partem de bicicleta de Cracóvia rumo à JMJ Lisboa. Foto Arquidiocese de Cracóvia

Bicicletas no centro do encontro

Peregrinos já pedalam rumo à JMJ, e o Papa poderá pedalar de volta ao Vaticano

| 19/07/2023

Peregrinos partem de bicicleta de Cracóvia rumo à JMJ Lisboa. Foto Arquidiocese de Cracóvia

O trio de “ciclistas” que vem da Polónia, composto pelo padre Marcin Napora (à frente) e pelos jovens leigos Bartłomiej Michlec e Marcin Kidon. Foto © Arquidiocese de Cracóvia.

 

Três peregrinos já saíram de Cracóvia, na Polónia, e outros 17 deixaram Troyes, em França, para rumarem a Portugal, onde vêm participar na Jornada Mundial da Juventude. Porque partiram tão cedo? Por terem escolhido fazer a viagem de forma sustentável, vindo de bicicleta. Não fosse a idade avançada do Papa e os seus conhecidos problemas no joelho, e também ele poderia usar o mesmo meio quando regressasse ao Vaticano. É que um dos presentes que vai receber quando chegar a Lisboa é, nada mais nada menos, do que duas “pasteleiras” construídas para si pelos alunos de uma escola na Gafanha da Nazaré.

O trio de “ciclistas” que vem da Polónia é composto pelo padre Marcin Napora e pelos jovens leigos Bartłomiej Michlec e Marcin Kidon. Ao todo, percorrerão cerca de 3.800 km, numa viagem que deverá durar 22 dias, a fazer uma média de 180 km por dia.

Ao longo do trajeto, os jovens, que serão hospedados por famílias de acolhimento, contam ter vários momentos de oração e eucaristias com as comunidades dos locais por onde passarem e um dos seus objetivos é “despertar a atenção para novas vocações sacerdotais e religiosas”. “Queremos também vivenciar diversas situações para formar e desenvolver o nosso caráter, e assim nos aproximarmos mais de Deus”, afirmou o padre Marcin Napora, antes da partida.

A peregrinação dos três ciclistas começou já no dia 8 de julho, com uma missa de envio celebrada pelo bispo auxiliar da arquidiocese de Cracóvia, Robert Chrząszcz. “Que esta seja uma oportunidade para dar testemunho de Cristo, uma nova forma de evangelização que talvez agrade mais aos jovens do que outras formas mais antigas neste tempo. Certamente, este é o momento em que a Igreja se serve de vós para sair pelo mundo”, afirmou o bispo.

A previsão é de que os três peregrinos se juntem, em Lisboa, aos restantes dois mil participantes na Jornada oriundos da arquidiocese de Cracóvia, no dia 31 de julho.

 

“Um desafio desportivo e espiritual”

Grupo de peregrinos de Troyes que partiu rumo à JMJ Lisboa. Foto Direitos reservados.

O grupo de jovens que partiu de Troyes (França), e que irá pedalar uma média de 90 Km por dia, até chegar a Celorico de Basto, para participar nos Dias nas Dioceses. Foto: Direitos reservados.

 

Mais cedo chegarão os 17 jovens que saíram de Troyes no passado dia 16: a distância é mais curta (900 km) e contam ainda vir a tempo de participar nos Dias nas Dioceses, na semana que precede a JMJ.

Este grupo é composto por vários jovens daquela diocese francesa, incluindo um padre, um diácono e a sua esposa, e também por um seminarista colombiano, quatro jovens polacos que se conheceram durante a JMJ em Cracóvia em 2016 e ainda um jovem de Hong Kong.

Ao longo de dez dias, vão pedalar uma média de 90 Km, e serão acolhidos todas as noites em paróquias, mosteiros e famílias, partilhando as refeições e fazendo momentos de convívio, orações e de partilha, até chegarem a Celorico de Basto, na arquidiocese de Braga, onde se juntarão a outros 54 jovens da mesma diocese, e a 595 que virão de Toledo (Espanha).

Marie-Liesse, uma das peregrinas francesas, refere que “esta viagem é uma oportunidade de conhecer pessoas e vivenciar a hospitalidade em França, Espanha e Portugal. É uma verdadeira peregrinação que vivemos de bicicleta, e ao mesmo tempo um desafio desportivo e espiritual”. A peregrina destaca ainda que vir deste modo até à JMJ é uma forma de “conhecer melhor o grupo, as pessoas que encontramos no caminho, mas também para nos conhecermos a nós mesmos diante das dificuldades, do sofrimento físico, e da solidão na bicicleta… É uma forma de preparar a JMJ, encontrando as comunidades portuguesas, os jovens de todo o mundo e o Papa”, conclui.

 

“Pasteleiras” da Gafanha da Nazaré para o Vaticano

Oferta das bicicletas construídas no GAFe Bike Lab à Fundação JMJ Lisboa 2023. Foto E-conversas

Momento da entrega das bicicletas construídas no GAFe Bike Lab à Fundação JMJ Lisboa 2023. Foto © E-conversas.

 

Já em Lisboa, estão neste momento à espera do Papa duas bicicletas “pasteleiras”, construídas pelos alunos da Escola Secundária da Gafanha da Nazaré, a partir de sucata, para lhe serem oferecidas.

O desafio da sua construção foi o grande projeto deste ano letivo naquela escola, onde funciona o GAFe Bike Lab, uma oficina que se dedica a recuperar bicicletas para serem doadas aos alunos mais desfavorecidos.

António Rodrigues, professor de Física e Química e responsável da oficina, contou à agência Ecclesia que esta nasceu de um sonho de “continuar a tradição de andar de bicicleta”, muito presente naquela localidade do distrito de Aveiro, para promover a sustentabilidade, e que foi “um gosto” associar-se à JMJ Lisboa 2023, empenhada em ser a Jornada “mais sustentável de sempre“.

Quando souberam do desafio, os alunos ficaram entusiasmados, e ao mesmo tempo confusos. “Mas se o Papa não anda de bicicleta…”, diziam. E o professor António, que há 30 anos vai, ele próprio, para a escola de bicicleta, ia explicando: “é para sensibilização”. Outros professores asseguram: o Papa vai levá-las consigo e emprestá-las a padres e freiras, para andarem nelas, pelo Vaticano, “a toda a bolina”.

 

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