
Fotos de líderes bahá’í presos no Irão expostas numa ação de defesa dos direitos humanos levada a cabo numa praia do Rio de Janeiro, em 2011. Foto © Comunidade Bahá’í do Brasil
A perseguição sistemática, ao longo dos últimos 45 anos, das autoridades iranianas à minoria religiosa bahá’í é um crime contra a humanidade, ao abrigo do direito penal internacional. A classificação surge num relatório da Human Rights Watch, organização de defesa e promoção dos direitos humanos, divulgado esta segunda-feira, 1 de abril.
“As autoridades iranianas privam os bahá’ís dos seus direitos fundamentais em todos os aspetos das suas vidas, não por causa das suas ações, mas simplesmente por pertencerem a um grupo religioso”, afirmou Michael Page, diretor-adjunto da Human Rights Watch para o Médio Oriente e Norte de África, numa apresentação do relatório. “É extremamente importante aumentar a pressão internacional sobre o Irão para pôr fim a este crime contra a humanidade”, sublinhou.
Desde detenções arbitrárias e prisões por parte de agências governamentais até confiscos de propriedade, negação de acesso à educação e ao emprego, e o bloqueio de enterros dignos de acordo com os ritos funerários bahá’ís, são muitas as violações de direitos humanos fundamentais que o Irão tem levado a cabo contra esta minoria religiosa.
“A nossa esperança sincera é que o mundo responsabilize o Governo iraniano pelas injustiças de longa data perpetradas contra a comunidade bahá’í e que o Irão tome todas as medidas legais e políticas necessárias para pôr termo a esta perseguição sistemática”, referiu Simin Fahandej, representante da Comunidade Bahá’í Internacional nas Nações Unidas em Genebra.
O relatório, intitulado “A bota no meu pescoço: O crime de perseguição das autoridades iranianas contra os Bahá’ís no Irão” “expõe pormenorizadamente todas as práticas discriminatórias, desde leis a políticas, perpetradas pelas autoridades iranianas contra a minoria religiosa bahá’í. Na preparação desta investigação, a Human Rights Watch consultou leis e normas governamentais e documentos judiciais e realizou entrevistas com bahá’ís, em persa, tanto dentro como fora do Irão, entre maio de 2022 e março de 2023.









