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patriarca cirilo igreja ortodoxa russa. Foto_ Oleg Varov_Igreja Ortodoxa Russa

“Vitória retumbante”

Perseguição religiosa na Bielorrússia não impede Patriarca Cirilo de elogiar Presidente Lukashenko

| 31/01/2025

O Patriarca Cirilo de Moscovo felicitou Alexander Lukashenko pela sua reeleição para um sétimo mandato como Presidente da Bielorrússia, lugar que ocupa há 31 anos, elogiando-o por “prestar grande atenção ao estado espiritual e moral da sociedade e apoiar os valores familiares tradicionais”, sem referir o facto de direitos humanos e liberdade religiosa serem sistematicamente reprimidos naquele país.

Lukashenko foi proclamado vencedor no início desta semana, com 86,8 por cento dos votos da eleição presidencial que teve lugar no dia 26 de janeiro e na qual a taxa de participação terá chegado aos 87 por cento. Resultados que tanto os EUA como a UE não reconheceram por considerarem que a eleição decorreu de forma não democrática.

Apesar desta contestação, e do facto de nenhum alto responsável religioso do país ter saudado publicamente a reeleição de Lukashenko, o Patriarca Cirilo elogia o Presidente pela sua “vitória retumbante” em mensagem que o Church Times de 31 de janeiro cita: “Durante décadas, [Lukashenko] tem servido abnegadamente o povo bielorrusso, defendendo os interesses estatais e nacionais, promovendo o desenvolvimento socioeconómico sustentável do país e fortalecendo as bases de uma vida pacífica e próspera para o seu povo.”

Porém, de acordo com o relatório da ONG Mission Eurasia, intitulado Faith in Chains (“Fé Acorrentada”) de 3 de dezembro de 2024 divulgado pelo 7MARGENS, a vida do povo não seria tão “pacífica e próspera” quanto descreve o Patriarca de Moscovo, pois “na Bielorrússia os direitos humanos e as liberdades religiosas são sistematicamente reprimidos”. De tal forma assim é que o Presidente da Mission Eurasia, Sergey Rakhuba, afirmou na apresentação daquele relatório: “De muitas maneiras, as condições opressivas atualmente existentes na Bielorrússia são parecidas, ou até excedem, aquelas que vigoravam na antiga União Soviética”.

Num país em que 80 por cento dos cidadãos se reconhece como cristão ortodoxo, a imprensa independente tem conseguido revelar que 1737 paróquias da Igreja Ortodoxa foram fechadas em resultado da lei de dezembro de 2023 sobre liberdade de consciência e organizações religiosas que exige um novo registo de todas as associações religiosas até julho deste ano. A nova legislação proíbe todas as atividades religiosas consideradas violadoras “da soberania, do sistema constitucional e da harmonia civil da Bielorrússia”.

A muito mais pequena Igreja Católica Romana também viu as suas 500 paróquias reduzidas em pelo menos uma dúzia. Organizações de direitos humanos estimam que 86 clérigos ortodoxos, católicos romanos e protestantes estejam presos.

A UE e os EUA não reconhecem Lukashenko como Presidente legítimo de Bielorrússia desde a repressão por ele ordenada contra os protestos em massa após a eleição de 2020 que a sua opositora Tsikhanouskaya classificou de fraude generalizada. Nesse período pós-eleitoral, dezenas de milhares de pessoas foram presas. As melhores fontes ligadas à defesa dos direitos humanos estimam que além dos milhares de exilados, existem no país mais de 1.250 presos políticos.

patriarca cirilo igreja ortodoxa russa. Foto_ Oleg Varov_Igreja Ortodoxa Russa

‘ “Apesar desta contestação, e do facto de nenhum alto responsável religioso do país ter saudado publicamente a reeleição de Lukashenko, o Patriarca Cirilo elogia o Presidente pela sua “vitória retumbante” ‘ Foto: Patriarca Cirilo. @ Varov / Igreja Ortodoxa Russa

 

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