Superiora de Montserrat

“Podemos nunca ver para que serve, mas rezamos”

| 26 Fev 2022

Por que razão rezar quando rezar parece tão inútil? – pergunta a superiora do mosteiro de Beneditinas de Montserrat, Maria del Mar Albajar, retomando a questão que muitos crentes hoje se colocam perante a desolação e o sofrimento provocados pela invasão russa da Ucrânia. A resposta da irmã beneditina foi publicada sexta, 25 de fevereiro, no Catalunya Religió num curto texto por ela assinado e que o 7MARGENS publica na íntegra:

“E porque rezamos quando rezar parece ser tão inútil, com tão poucos resultados visíveis? Podemos nunca ver para que serve, mas rezamos.” Foto © Albin Hillert / WCC-CEI

 

“’Rezem pelo mundo’, pediu-me esta manhã um amigo jornalista. E nós, com muitos daqui e de todos os lugares, rezamos. Rezamos com o coração partido, rezamos. A guerra começou. A guerra alastra. Rezamos. Putin e o seu governo iniciam uma guerra destruindo a vida de jovens e de civis que não podem fugir. E nós rezamos. E porque rezamos quando rezar parece ser tão inútil, com tão poucos resultados visíveis? Podemos nunca ver para que serve, mas rezamos. Rezamos como expressão da Vida. Rezamos com o gemido de quem não se conforma com menos do que a própria Vida. Rezamos, num grito desprotegido e confiante, ao Amor que bate no coração do mundo. Rezamos na conversa incessante entre dois corações que se amam e se procuram. Oração que é vida chamada a Viver, que é sede da Fonte e que é o próprio Amor abraçando e sustentando a vida.

Temos de nos erguer pela paz. Alguns fazem-no em frente às embaixadas e consulados russos. Onde quer que seja. De muitos modos. Erguemo-nos pela paz porque a Vida que nos habita nos faz viver de pé, conscientes da sacralidade da vida, de toda a vida. Erguemo-nos pela paz porque a paz precisa da nossa consciência e da nossa escolha em acreditar que o amor é sempre maior do que qualquer forma de guerra. Erguemo-nos para podermos cuidar, em paz, dos que estão ao nosso lado e quebrar qualquer círculo de violência. Erguemo-nos pela paz porque rezamos pelo mundo e o Amor, que nos ama, envia-nos a amá-lo.”

Maria del Mar Albajar,
Mosteiro de S. Benet, Montserrat (Catalunha)

 

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A encíclica Laudato Si’ foi “determinante para o compromisso e envolvimento de muitas organizações”, católicas e não só, no cuidado da Casa Comum. Quem o garante é Susana Réfega, portuguesa que desde janeiro deste ano assumiu o cargo de diretora-executiva do Movimento Laudato Si’ a nível internacional. Mas, apesar de esta encíclica ter sido publicada pelo Papa Francisco há precisamente nove anos (a 24 de maio de 2015), “continua a haver muito trabalho por fazer” e até “algumas resistências à sua mensagem”, mesmo dentro da Igreja, alerta a responsável.

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