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Igreja cada vez mais limitada

Polícia da Eritreia detém um bispo e dois padres sem dar justificações

| 19/10/2022

bandeira da eritreia foto leksii liskonih

Bandeira da Eritreia. O país tem vindo a intensificar a sua participação na guerra civil da Etiópia, algo contra o qual o bispo de Segheneity se havia pronunciado publicamente. Foto © Leksii Liskonih.

 

O bispo de Segheneity, no sul da Eritreia, e dois padres da mesma região foram detidos na semana passada pela polícia nacional sem que para tal fosse apresentada qualquer justificação. Os três terão sido levados para a prisão militar de Adi Abeto, avançou esta terça-feira, 18, a Agenzia Fides.

Apesar de não haver ainda comentários oficiais da parte do governo relativamente ao sucedido, a Catholic News Agency refere que “fontes diplomáticas” afirmaram que os membros do clero estão a ser acusados de dar a conhecer, nas suas homilias, violações de direitos humanos na Eritreia, nomeadamente “a prisão de pais (mulheres e homens), jovens [levados] à força para as frentes de guerra, fecho de casas e confiscação de animais dessas pessoas que se recusaram a ir para a guerra”.

A detenção do bispo Fikremariam Hagos Tsalim e dos padres Abraham e Mihretab Stefanos acontece num momento em que crescem as tensões no país devido aos confrontos entre os diferentes movimentos separatistas na região de Tigray.

A Eritreia tem vindo a intensificar a sua participação na guerra civil da Etiópia, algo contra o qual o bispo de Segheneity se havia pronunciado publicamente, advertindo os fieis para que não se aproveitassem dos bens saqueados pelo exército à população de Tigray, os quais são frequentemente colocados à venda nos mercados eritreus.

Além destas detenções, o governo tem vindo a restringir progressivamente as atividades sociais e caritativas da Igreja no país, nacionalizando escolas e instituições que prestam serviços de saúde, como foi o caso recente do instituto agrícola dos Irmãos de La Salle, e também do instituto técnico salesiano de Decameré.

Os católicos representam cerca de 4% da população da Eritreia e a Igreja Católica é um dos quatro grupos religiosos autorizados a operar no país, juntamente com eritreus ortodoxos, evangélicos luteranos e muçulmanos sunitas.

 

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