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Polícia de Israel fez campanha repressiva discriminatória contra palestinianos, acusa Amnistia

| 25/06/2021

Forças israelitas na aldeia de Beit Ummar Foto © Amnesty International Andrea Bodekull

Forças israelitas na aldeia de Beit Ummar: Amnistia relata várias situações de violência, espancamentos e uso ilegal de força. Foto © Amnesty International / Andrea Bodekull.

 

A polícia israelita cometeu múltiplas violações de direitos humanos contra palestinianos em Israel e em Jerusalém Oriental, durante e após as hostilidades armadas em Israel e Gaza, denunciou a Amnistia Internacional (AI). Tratou-se, diz a organização, de uma campanha repressiva discriminatória, desde o dia 9 de Maio, que levou à prisão mais de 2150 pessoas e que incluiu detenções em massa, utilizando a força ilegal contra manifestantes pacíficos e sujeitando os detidos a tortura e outros maus-tratos.

Num comunicado divulgado quinta-feira, 24 de Junho, a AI diz que houve ainda estratégias violentas de dissuasão de manifestações, assim como situações de violência, destruição, assédio e vandalização de locais.

A polícia israelita também não protegeu cidadãos palestinianos de Israel de ataques premeditados de grupos de supremacistas judeus armados, mesmo quando os planos foram divulgados antecipadamente e a polícia os conhecia, diz a AI.

“As provas reunidas pela Amnistia Internacional pintam um quadro condenatório de discriminação e de força excessiva impiedosa por parte da polícia israelita contra os palestinianos em Israel e em Jerusalém Oriental ocupada”, afirmou Saleh Higazi, director-adjunto para o Médio Oriente e Norte de África na Amnistia Internacional.

Os investigadores da Amnistia Internacional falaram com 11 testemunhas e o Laboratório de Provas de Crise da organização verificou 45 vídeos e outras formas de meios digitais para documentar mais de 20 casos de violações da polícia israelita entre 9 de Maio e 12 de Junho de 2021. Centenas de palestinianos foram feridos durante a repressão e um rapaz de 17 anos foi morto a tiro, situações que são resumidas no curto vídeo que se pode ver a seguir:

 

O comunicado refere várias situações de medidas repressivas discriminatórias e uso ilegal da força contra os manifestantes, incluindo o caso de Muhammad Mahmmad Kiwan, um rapaz de 17 anos, que foi baleado na cabeça perto de Umm el-Fahem, a norte de Israel, e morreu uma semana mais tarde, ou a dispersão pela força, sem aviso prévio, de uma manifestação pacífica em Nazaré.

“A polícia israelita deveria estar a proteger o direito à liberdade de reunião, e não a lançar ataques contra manifestantes pacíficos. A Comissão de Inquérito do Conselho de Direitos Humanos da ONU, criada em Maio de 2021, deve investigar o padrão alarmante de violações por parte da polícia israelita”, comentou Saleh Higazi.

Há ainda relatos de violência policial, tortura e outros maus-tratos, como o que sofreu Ibrahim Souri, alvejado na cara por polícias israelitas enquanto usava o telemóvel para filmar a polícia a patrulhar a rua a partir da varanda da sua casa em Jaffa, a sul de Tel Aviv, a 12 de Maio. No mesmo dia, pelo menos oito pessoas foram vistas a ser espancadas na esquadra do Campo Russo (Moskobiya, em Nazaré). “Os oficiais batiam nos jovens com vassouras e pontapeavam-nos com botas de aço”. Quatro deles tiveram de ser levados de ambulância, e um deles tinha um braço partido, de acordo com o relato de uma testemunha.

Soldado israelita © Jacob Burns_Amnesty International

Soldado israelita: figuras proeminentes de Israel incitaram abertamente à violência contra os palestinianos sem serem responsabilizadas, acusa o director da AI-Israel. Foto © Jacob Burns_Amnesty International.

 

No que respeita às falhas de protecção dos palestinianos contra ataques de grupos supremacistas judeus, no dia 12 de Maio, no Bat Yam Promenade (centro de Israel, junto ao Mediterrâneo), Said Musa foi um dos espancados por grupos convocados pelo Poder Judaico, um dos grupos extremistas.

“O fracasso reiterado da polícia israelita em proteger os palestinianos de ataques organizados por grupos de supremacistas judeus armados e a falta de responsabilização por tais ataques é vergonhosa e mostra o desprezo das autoridades pela vida palestiniana”, comentou entretanto Molly Malekar, director da Amnistia Internacional Israel.

“O facto de cidadãos judeus de Israel, incluindo figuras proeminentes, terem incitado abertamente à violência contra os palestinianos sem serem responsabilizados destaca a extensão da discriminação institucionalizada enfrentada pelos palestinianos e a necessidade urgente de protecção”, acrescentou o mesmo responsável, citado no comunicado, que pode ser lido na íntegra, em inglês, na página digital da Amnistia.

 

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