Leão XIV não esteve no Santuário de Fátima, mas foi uma figura central nas celebrações que assinalaram, nesta terça-feira, 13 de maio, a primeira grande peregrinação de 2025. Ele que – ainda enquanto cardeal – havia sido convidado pelo bispo de Leiria-Fátima para presidir a estas celebrações e que disse que não poderia vir porque tinha “um compromisso inadiável”, já voltou a ser convidado para ir à Cova da Iria, desta vez pelo cardeal António Marto, no final do conclave. A viagem ao Santuário ainda não está marcada, mas o seu pontificado já foi consagrado a Nossa Senhora pelo presidente da Conferência Episcopal Portuguesa (CEP), que está confiante de que a visita irá mesmo acontecer.
“Enquanto esperamos a presença do novo sucessor de Pedro, para orar connosco em Fátima, pedimos-vos que o acolhais e acompanheis com solicitude materna, para que inspirado pela vossa mensagem aos pastorinhos, possa continuar a lançar ao mundo o urgente grito da paz, com que se nos dirigiu no primeiro dia do seu ministério”, disse o bispo Ornelas, diante da imagem de Nossa Senhora de Fátima.
“Dai-lhe o dom do discernimento para saber identificar e continuar os caminhos da renovação da Igreja; dai-lhe coragem para não hesitar em seguir os caminhos sugeridos pelo Espírito Santo; amparai-o nas horas duras de sofrimento, a vencer na caridade, as provações no caminho da renovação da Igreja”, pediu ainda o presidente da CEP, no final da missa, apresentando a oração em nome dos bispos de Portugal e da “multidão de peregrinos” – mais de 200 mil – que enchiam o Santuário.
Também o pontificado de Francisco havia sido consagrado a Nossa Senhora de Fátima, a 13 de maio de 2013, na sequência de um pedido então feito pelo próprio Papa. E Ornelas fez questão de recordar, nesta terça-feira, as duas visitas que Francisco fez ao Santuário de Fátima, garantindo estar “bem viva na memória” a sua presença naquele que é chamado de “altar do mundo”. “Aqui nos recordou que ‘temos Mãe!’ e que esta Capelinha com colunas e um teto, mas sem muros, é a imagem da Igreja”, afirmou o líder da Igreja Católica Portuguesa.
Fátima recebeu, até hoje, sete visitas de um Papa: Paulo VI (1967), João Paulo II (1982, 1991 e 2000), Bento XVI (2010) e Francisco (2017, 2023). Quanto a Leão XIV, questionado esta segunda-feira sobre a possível vinda a Portugal pela vaticanista portuguesa Aura Miguel, que teve a oportunidade de o saudar no final do encontro com os profissionais dos média, respondeu: “Sim, o cardeal Prevost já tinha planeado ir [a Fátima], mas agora os planos mudaram”.
Profundamente mariano, Prevost consagrou em 2019 o Peru ao Sagrado Coração de Jesus e ao Sagrado Coração de Maria, tendo a Virgem Peregrina de Fátima como ícone mariano, num momento que foi registado em vídeo e pode ser visto abaixo. Foi ele próprio que solicitou que uma das réplicas daquela escultura – o Santuário possui 13, para dar resposta aos pedidos que lhe chegam de todo o mundo – fosse até à catedral de Santa Maria, em Chiclayo.
Ainda este ano, e mesmo que não venha visitar Portugal, o Papa Leão XIV irá estar perto da imagem “original” de Nossa Senhora de Fátima, aquela que é venerada na Capelinha das Aparições. É que a escultura será transportada para Roma, em Itália, para estar presente no Jubileu da Espiritualidade Mariana, que terá lugar nos dias 11 e 12 de outubro. A deslocação da imagem surge na sequência de um pedido feito pelo Papa Francisco, há alguns meses, através do Dicastério para a Evangelização.
Recorde-se que – ao contrário das suas réplicas – esta imagem sai do Santuário da Cova da Iria em situações excecionais e apenas a pedido dos Papas. Esta será a quarta vez que a imagem sairá do Santuário de Fátima para ir até Roma.
A imagem original de Nossa Senhora de Fátima está habitualmente presente na Capelinha das Aparições, e foi criada em 1920, pelo escultor José Ferreira Thedim, a partir de indicações fornecidas pela irmã Lúcia. A imagem foi coroada a 13 de maio de 1946, e daquela coroa faz parte a bala que atingiu João Paulo II, no dia 13 de maio de 1981, em Roma.










