Comprar uma refeição de carne ou peixe – ou um equivalente vegetariano – dia sim dia não continuava, em 2024, a estar proibido a quase nove em cada cem pessoas da União Europeia (8,5 por cento), por falta de poder aquisitivo.
Ainda assim, esse valor diminuiu um ponto percentual face a 2023. Portugal está colocado numa posição bem abaixo dessa média (2,5 por cento).
Se se considerar essa situação entre a população em risco de pobreza os valores sobem substancialmente: para 19,4 por cento para a EU e 5,1 para Portugal.
Os dados constam de uma informação da agência estatística da União Europeia (Eurostat), publicadas esta quinta-feira, 28 de agosto.
Considerando cada um dos países, a maior proporção de pessoas em risco de pobreza, incapazes de pagar uma refeição adequada, foi registada na Eslováquia (39,8 por cento), seguida pela Bulgária (37,7) e Hungria (37,3). Por outro lado, as menores proporções foram registadas em Chipre (3,5 por cento), Irlanda e Portugal (ambos com 5,1 por cento).

Segundo o Eurostat, o indicador “capacidade de pagar uma refeição com carne, peixe ou equivalente vegetariano a cada dois dias” está entre os itens observados no nível domiciliar para calcular a taxa de privação material e social severa. Este é um dos componentes do indicador de pessoas em risco de pobreza ou exclusão social.
Em comentário aos dados sobre Portugal, divulgados esta quinta-feira, o padre Jardim Moreira, vice-presidente da Rede Europeia Anti-Pobreza, recordou na Antena 1, que 12 por cento dos trabalhadores portugueses são pobres e não recebem o suficiente. “Isto quer dizer que temos uma política assente em salários baixos e pessoas não qualificadas para desenvolver a economia”. “Se nós criticamos políticas de crianças e de mão de obra barata no Oriente, aqui também a temos. Haver trabalhadores a laborar sem o suficiente para comer é uma exploração”, disse.










