Os problemas e dificuldades não são um exclusivo dos adultos e nesta edição especial dedicada às crianças quisemos saber quais as principais dificuldades pelas quais passam. Há quem fale de si, mas também dos amigos, ou até de outros meninos e meninas da mesma idade que vivem do outro lado do planeta e a cujos problemas não são alheios.
Eu tinha um colega que tem várias doenças, da minha idade, e que não consegue andar, não fala e só faz sons. Não se consegue mexer muito bem. Também há pessoas que têm de passar pela guerra, a fome e o abandono.
Inês 11 anos
Existem pessoas da minha idade que infelizmente não têm os bens que eu tenho: uma família que me ama, comida e água, ajuda médica para os manter saudáveis, ir à escola…
Pedro, 8 anos
Passar por aquelas argolas da ginástica.
Teresinha, 6 anos
As crianças da minha idade têm dificuldade na ginástica artística.
António, 6 anos
As pessoas da minha idade têm dificuldade nas matérias da escola.
Luís, 6 anos

Ilustração de Maria com colagem e recorte, realizada no âmbito da saúde mental, a vida e bem-estar da criança e do adolescente.
Coisas que gostavam de fazer e que não conseguem. Uma amiga tem uma dificuldade quando pinta, então ela fica um bocadinho chateada. Às vezes, como nós estávamos a brincar e ela pede beijinho, aí damos e depois continuamos a brincar. Mas quando ela pede assim: ”Posso brincar?”, às vezes nós deixamos, outras vezes não. Depois nós vemos e começamos a brincar com ela e já fica feliz.
Isabel, 7 anos
Na minha escola, tenho colegas de diferentes países e culturas.
Há meninos da minha idade que maltratam os colegas dos outros países.
No recreio, converso e brinco com colegas do Brasil, Índia, Nepal, Cabo Verde, Rússia, China e Bangladesh.
Elas sentem-se apoiadas e aprendem melhor a nossa língua.
Era bom que na escola tivéssemos ajuda para podermos viver todos em paz.
Júlia, 8 anos

“Era bom que na escola tivéssemos ajuda para podermos viver todos em paz.” Foto © Aja Kosha
Eu acho que uma criança da minha idade passa a falta de bens básicos.
Malé, 9 anos
Para mim, as crianças da minha idade têm dificuldade em perceber a vida, como pensam as pessoas que mandam no mundo.
Marta, 9 anos
Dar estalidos com os dedos.
Carmo, 4 anos

Ilustração da Carmo sobre as respostas que deu ao 7MARGENS.
Na minha idade, os testes e as avaliações dificultam muito a vida de alguns dos meus colegas. Há muitos T.P.C. diariamente e temos muito pouco tempo para os fazer, porque também temos os nossos compromissos em casa.
Maria, 11 anos
O meu amigo perdeu o pai no dia 21 de dezembro. Foi um dia muito triste, a vida do meu amigo mudou.
O pai do B era muito querido, simpático e companheiro. Íamos ao futebol juntos às vezes.
Um dia, fomos a um restaurante jantar com mais amigos e foi muito giro. O tio era brincalhão.
Desde que o pai morreu, a vida do B ficou mais triste, mas agora já está melhor. O B vive com a mãe e a irmã, todos os dias estão juntos.
Na escola todos somos amigos, ajudamos o B, brincamos e quando estava triste éramos queridos e fazíamos jogos. Ele gosta muito de jogar futebol.
Se eu pudesse queria ver o B todos os dias feliz, queria que ele não chorasse e se divertisse muito connosco.
Vasco, 7 anos

“Na escola todos somos amigos, ajudamos o B.” Ilustração © Vasco, 7 anos
Eu tenho 11 anos e, embora a minha vida tenha momentos felizes, reconheço que nem todas as crianças da minha idade vivem com as mesmas condições. Algumas enfrentam dificuldades sérias como a fome, que é uma tristeza. Imagino como deve ser difícil ir para a escola sem ter um pequeno-almoço completo ou um almoço bem servido, o que prejudica o rendimento e a energia para aprender. Muitas crianças não têm certeza se terão comida durante o dia e, por isso, ficam com medo e inseguras sobre o futuro. Estas dificuldades também influenciam o humor e a capacidade de se concentrar nas aulas, tornando a aprendizagem muito mais complicada. Eu sinto-me grato pela minha família e amigos que me apoiam sempre, e queria que todos tivessem acesso ao que precisam. Espero que, um dia, possamos ajudar a melhorar a vida de todas as crianças que sofrem com a falta de comida.
Lucas, 11 anos
Sou uma criança de 12 anos. Portanto, estou na fase desafiadora considerada de “transição”, entre a infância e a adolescência! Nesta idade, passamos por diversas mudanças e enfrentamos muitos desafios, desde transformações físicas e emocionais, até às difíceis barreiras na comunicação, passando pelas preocupações com a nossa aparência e a aceitação dos colegas. Muitas vezes, começamos a questionar tudo: os valores que nos foram ensinados e os nossos verdadeiros objetivos…. Simultaneamente, temos de responder às inúmeras exigências da aprendizagem e da vida escolar.
Estes problemas agravam-se, como infelizmente sucede muitas vezes, pois, desoladamente, vejo crianças sozinhas na rua e nas portas das lojas a pedirem dinheiro ou comida, quando deviam estar na escola a aprender ou em casa aos cuidados da família.
Para apoiar a criança nesta fase sensível, penso que é importante o acompanhamento, cuidado e orientação dos familiares, professores e amigos, que podem estabelecer diálogo positivo e educativo com ela, tentar compreender as suas aflições e, principalmente, amparar e amá-la.
É bom lembrar que cada criança é única e especial. Temos os nossos sentimentos, sonhos e vontades. Por isso, podemos, e devemos ser orientadas, mas sempre levando em conta os nossos direitos, as nossas preferências e opiniões sobre o que considerarmos ser melhor para nós.
E não esquecer que precisamos de momentos livres para brincar e ter o nosso espaço pessoal e privacidade respeitados. Afinal, isso também é essencial para o nosso bem-estar e para o nosso crescimento saudável e equilibrado.
Aliyah, 12 anos

Uma banda desenhada criada pela Dunia Castelo, que frequenta o 5º ano de escolaridade.










