Esta é o título da notícia publicada por Jesús Bastante: “Roma proíbe bispos alemães de permitirem que leigos façam a homilia” [no Religión Digital; ver também 7MARGENS].
Orgulho-me de ter muito bons amigos e alunos, párocos de aldeia ou da cidade, e estou seguro de que preparam meticulosamente as suas homilias dominicais e até mesmo as diárias. E é por isso que a sua pregação chega às pessoas, incentivando-as a viver com maior profundidade a sua vida cristã. Por outro lado, conheço também padres que nem sequer preparam a homilia, nem sabem nada sobre as pessoas que têm à sua frente e, por isso, a sua pregação não só não chega às pessoas, como afugenta os crentes.
Para uma “boa” homilia, não é necessário que o padre seja um modelo de oratória. Quantas homilias aparentemente brilhantes servem apenas para que o padre de serviço seja exaltado com ares de santidade e nada mais! Como dizia São Francisco numa das suas admoestações: “Os santos realizaram as obras e nós, ao recitá-las, queremos receber glória e honra”. Umas palavras simples, bem recitadas, meditadas e ponderadas, podem, sem dúvida, soar sinceras e convincentes. E, sobretudo, se forem acompanhadas por um testemunho de vida marcado pela dedicação e paixão pela Palavra de Deus.
Parece que Roma se incomoda com o termo “homilia”, reservado exclusivamente aos padres, mas não se incomoda com a má prática homilética de muitos deles, que muitas vezes se dirigem aos seus fiéis de forma apressada, sem qualquer calor humano, nem preparação.
Sem esquecer aqueles que gostam de ocupar o tempo dos seus fiéis, prolongando as suas reflexões para além da meia hora, repetindo sempre o mesmo e sem qualquer ligação com a realidade dos fiéis. Além disso, muitas vezes os horários das missas coincidem com as horas que antecedem as refeições e, como dizia um velho adágio, se não se alimentam os corações ao fim de cinco minutos, os fiéis começam a precisar de alimentar outra coisa…

“Quantas homilias aparentemente brilhantes servem apenas para que o padre de serviço seja exaltado com ares de santidade e nada mais!” ilustração @ Fano, reproduzida com autorização do Religión Digital
Muitos padres, depois de concluírem a formação eclesiástica, não leram um único livro de teologia bíblica, nem se atualizaram em nenhum dos ramos do currículo teológico. Infelizmente, limitam-se a repetir como papagaios, de forma acrítica, muitos ensinamentos já obsoletos, pelo menos na forma.
Que diferença há entre a reflexão de uma leiga ou de um leigo que, na ausência de um padre, reúne a comunidade cristã numa aldeia remota da Alemanha ou da Espanha mais recôndita? Será que essa ação não faz com que essa comunidade cresça na fé? Muitos pregadores da Igreja Primitiva, que difundiram o Evangelho com entusiasmo, não eram padres. Eram enviados pelas suas comunidades, tal como Paulo (Atos 13,1-3).
A Igreja alemã, que conheço muito bem, pode facilmente perder-se se continuarem por este caminho. E se há um laicado na Europa bem preparado teologicamente e empenhado, é o alemão.
É necessário rever e atualizar certos postulados, que não devem ser dogmáticos, à luz dos sinais dos tempos. Ou é chegado, a sério e de verdade, o tempo da sinodalidade e da emergência dos leigos nas tarefas eclesiais, ou não seremos credíveis.
Se Roma continuar com as proibições, chegará um dia em que o padre terá de ler as leituras, o Evangelho e fazer a homilia. O medo domina os cardeais romanos responsáveis por estas tarefas. E o medo é mau conselheiro.
Parabéns aos padres que se esforçam nas homilias…
José Luis Ferrando é teólogo, filósofo e escritor; este texto foi inicialmente publicado no Religión Digital.










